Câncer de orofaringe
é mais comum em
quem teve um primeiro
tumor associado ao HPV
Câncer de orofaringe é
mais comum em quem
teve um primeiro tumor associado ao HPV

Neste Julho Verde, mês de conscientização sobre o câncer de Cabeça e Pescoço, especialista sinaliza estratégias de prevenção e diagnóstico precoce 

 

A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) é uma das principais causas de câncer. Sua principal associação se dá com os tumores de colo do útero, com o vírus estando presente em 99,7% dos casos. Ela também aumenta o risco para desenvolvimento de câncer de pênis, vulva e em órgãos na região de cabeça e pescoço, incluindo todas as áreas da cavidade oral, como a língua e boca e localizações como laringe, faringe, seios paranasais, cavidade nasal e glândulas salivares.

Além desta forte ligação com a incidência de câncer, estudo apresentado no Congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica mostra que pacientes que tiveram câncer associado a um HPV de alto risco (16 e 18) têm risco aumentado de desenvolver um novo tumor primário. Ou seja, em outro órgão e sem conexão com a doença anterior.

O trabalho Risk of Second Primary HPV Associated Cancers After Index Hpv-Associated Cancers
(Risco de Segundo Câncer Primário Associado ao HPV após Cânceres Associados ao HPV) mostra que, com a presença do HPV, o risco de segundo câncer é maior tanto em mulheres quanto em homens, sendo mais comuns os tumores de orofaringe, na região da garganta.

Comparado com as mulheres que não têm infecção pelos vírus HPV 16 e 18, as pacientes que trataram de tumores no colo do útero têm 20 vezes mais risco de desenvolver câncer de orofaringe, enquanto que os homens que tiveram o diagnóstico de câncer de pênis associado com o papilomavírus têm 18 vezes mais risco de desenvolver tumor de orofaringe.

“Esses dados mostram a importância de se adotar estratégias específicas de vigilância entre sobreviventes de câncer relacionados ao HPV persistente e de que essa informação chegue a esse grupo de risco. O Julho Verde é ums das grandes oportunidades”, destaca o cirurgião oncologista e head do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do A.C.Camargo, Luiz Paulo Kowalski.

De acordo com o NIH, Ministério da Saúde do Estados Unidos, aproximadamente 39 mil cânceres associados ao HPV são diagnosticados anualmente no país. As infecções oncogênicas pelo HPV estão associadas a praticamente todos os casos de câncer de colo do útero, assim como com 95% de câncer anal, 73% de orofaringe, 65% de vagina, 50% de vulva e 35% de pênis.

 

Atenção aos sinais e sintomas

A existência de qualquer dos sinais e sintomas abaixo pode sugerir a existência de câncer, cabendo ao médico avaliar a necessidade de se pedir outros exames para confirmar ou não o diagnóstico. Muitos desses sinais e sintomas podem ser causados por outros tipos de câncer ou por doenças benignas. É importante consultar o médico ou o dentista se qualquer desses sintomas persistir por mais de 2 semanas. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, maiores são as chances de sucesso.

  • Ferida na boca que não cicatriza (sintoma mais comum)
  • Dor na boca que não passa (também muito comum, mas em fases mais tardias)
  • Nódulo persistente ou espessamento na bochecha
  • Área avermelhada ou esbranquiçada nas gengivas, língua, amígdala ou revestimento da boca
  • Irritação na garganta ou sensação de que alguma coisa está presa ou entalada na garganta
  • Dificuldade para mastigar ou engolir
  • Dificuldade para mover a mandíbula ou a língua
  • Dormência da língua ou outra área da boca
  • Inchaço da mandíbula que faz com que a dentadura ou prótese perca o encaixe ou incomode
  • Dentes que ficam frouxos ou moles na gengiva ou dor em torno dos dentes ou mandíbula
  • Mudanças na voz
  • Nódulos ou gânglios aumentados no pescoço
  • Perda de peso
  • Mau hálito persistente