Pulmão

O câncer de pulmão é um dos tumores malignos mais comuns do mundo. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de um milhão e setecentos mil casos novos são diagnosticados anualmente.

Estimativas mostram que o câncer de pulmão, ao lado dos tumores de traqueia e brônquios, é o segundo mais incidente nos homens, com 16.400 novos casos para 2014. Nas mulheres é quarto mais frequente, representando 10.930 novos casos.

Apesar de ser um tipo frequente de câncer e de causar muitas mortes, o câncer de pulmão é uma doença potencialmente evitável. O consumo de tabaco está estritamente associado ao desenvolvimento desse câncer e é a causa de cerca de 90% de todos os casos.

Geralmente os sintomas decorrentes do câncer de pulmão aparecem apenas quando a doença já está avançada. Por este motivo a minoria dos casos é identificada em fase inicial. Existem vários tipos diferentes de câncer de pulmão. Dividimos em dois grandes grupos:

  • Câncer de células não-pequenas: são os mais comuns e constituídos por três subtipos: carcinomas de células escamosas, adenocarcinomas e carcinomas de células grandes.
  • Câncer de células pequenas: são mais raros e têm comportamento mais agressivo.

Depois de definido o tipo de câncer de pulmão, é necessário determinar a extensão do tumor, chamado de estadiamento. Conforme o estádio, o câncer de pulmão pode ser classificado em I, II, III ou IV. Onde o estádio I representa os tumores mais iniciais, II os tumores pouco maiores, mas restritos aos pulmões, III os tumores avançados dentro do tórax, e IV são os tumores que já se disseminaram pelo organismo.

O tratamento do câncer de pulmão é definido de acordo com o tipo e com o estádio. Cirurgia, radioterapia e quimioterapia são os principais recursos empregados para o tratamento. Apesar de ser uma doença grave e de ter comportamento agressivo, atualmente, os pacientes portadores de câncer de pulmão têm muitos recursos para tratar a doença ou pelo menos para amenizar as suas consequências. A seguir passaremos a discutir de forma um pouco mais aprofundada as diferentes características do câncer de pulmão.

Epidemiologia

O câncer de pulmão é o terceiro mais comum no mundo, depois do câncer de mama e do câncer de próstata. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, mais de um milhão e meio de casos novos são diagnosticados anualmente em todo o planeta. Além de ser muito frequente, o câncer de pulmão representa a principal causa de morte por câncer em todo o mundo, causando cerca de 1.400.000 mortes todos os anos. O câncer de pulmão é diagnosticado depois dos cinquenta anos de idade em 90% dos casos, sendo a faixa etária de 60 anos a 70 anos a mais frequentemente comprometida.

Uma observação muito interessante em relação ao câncer de pulmão é a mudança na sua frequência conforme o sexo. Até pouco tempo atrás o câncer de pulmão comprometia quase que exclusivamente os homens, porém nas últimas décadas a incidência vem aumentando progressivamente entre as mulheres, enquanto que entre os homens já é observada uma tendência da diminuição do número de casos. Tanto que, atualmente, o câncer de pulmão compromete as mulheres quase que na mesma proporção dos homens. Este aumento no número de casos dos tumores pulmonares em mulheres se deve ao consumo crescente de tabaco e a maior dificuldade que as mulheres fumantes têm de deixar de fumar. Além disso, estudos recentes sugerem que talvez as mulheres sejam mais susceptíveis aos efeitos cancerígenos dos componentes do cigarro.

Uma das grandes dificuldades do câncer de pulmão é a característica de somente apresentar sintomas ou sinais quando já está em fase mais avançada. Por este motivo, a grande maioria dos casos é descoberta tardiamente, somente menos de 20% dos casos são diagnosticados em fases iniciais.

Não existem sintomas específicos de câncer pulmonar e as manifestações se confundem com as de outras doenças respiratórias, a maioria delas também relacionadas ao consumo de tabaco, tais como o enfisema pulmonar, bronquite e pneumonias.

As manifestações observadas com maior frequência são: tosse, falta de ar, chiado, presença de sangue no catarro e dor no peito. Diminuição do apetite e perda rápida de peso também são sinais que devem chamar a atenção para a possibilidade de câncer. Qualquer uma destas manifestações observadas em fumantes, tanto em homens quanto em mulheres, devem servir como um alerta para procurar orientação médica.

Frente a qualquer suspeita de câncer pulmonar alguns exames serão solicitados pelo médico. De maneira geral o primeiro exame a ser realizado é uma radiografia simples do tórax, que serve como um exame de avaliação inicial para o diagnóstico de câncer. Qualquer suspeita de anormalidade no exame de raios-X, levará à necessidade de se fazer uma tomografia computadorizada do tórax. 

Atualmente a tomografia computadorizada do tórax é um exame de fácil acesso e que fornece informações muito detalhadas sobre os pulmões. Este é o melhor exame para se pesquisar a presença de câncer do pulmão. Caso estes exames evidenciem alterações suspeitas de câncer, será necessária a realização de uma biópsia, que significa a retirada de um pequeno fragmento da área suspeita para a análise. Somente o resultado da biópsia pode confirmar a presença de câncer do pulmão.

Os principais exames realizados para se obter a biópsia são a broncoscopia e a punção guiada pela tomografia computadorizada. A escolha do melhor exame para a biópsia depende de algumas características particulares que serão consideradas pelo médico.

A broncoscopia é um exame endoscópico que permite ao médico visualizar o interior dos brônquios. Pode ser realizado sob anestesia local e sedação, sem necessidade de permanecer internado. Além disso, caso se observe alguma alteração nos brônquios, a biópsia poderá se realizada para esclarecimento diagnóstico.

Nem todos os tumores do pulmão podem ser identificados dentro dos brônquios, por este motivo a broncoscopia não consegue determinar o diagnóstico preciso de câncer de pulmão em muitos casos. Para saber mais sobre a broncoscopia, clique aqui.

Quando isso não é possível, outro exame muito utilizado para biópsia de lesões pulmonares é a punção percutânea orientada pela tomografia. Este exame é feito sob anestesia local, em geral pelo médico radiologista, e consiste na introdução de uma agulha pela pele do tórax até se atingir a lesão pulmonar. Por meio dessa agulha pode-se realizar a biópsia da lesão. Este exame é bem tolerado pelos pacientes, e tem baixo risco.

Apenas com o resultado da biópsia é que se pode confirmar o diagnóstico de câncer de pulmão. Além disso, a biópsia permite que se identifique o tipo de câncer de pulmão. Existe mais de uma dezena de tipos diferentes de câncer de pulmão e esta classificação é importante porque tem implicações na escolha do tratamento e no prognóstico da doença.

Estadiamento

Depois de confirmado o diagnóstico de câncer de pulmão, o próximo passo é determinar a extensão da doença, ou seja o estadiamento. O câncer de pulmão pode estar localizado estritamente dentro do pulmão ou ter se disseminado para outros órgãos. Cérebro, ossos, fígado e adrenais são os órgão mais frequentemente comprometidos pelo câncer de pulmão e devem ser pesquisados com maior detalhe pelos exames de estadiamento. A ressonância nuclear magnética do cérebro pode identificar a presença de metástases no cérebro, o PET-CT é útil para pesquisar metástases em todos os outros órgãos. Além disso, outros exames podem ser necessários, conforme a avaliação médica em cada caso.

Conforme os achados nestes exames, o câncer de pulmão é classificado em sete estadios: IA, IB, IIA, IIB, IIIA, IIIB e IV, sendo IA representa tumores muito pequenos (menores que 2 cm) e restritos ao pulmão, e vai-se aumentando progressivamente a extensão da doença, até se chegar ao estádio IV, que são tumores avançados caracterizados pela presença de metástases (comprometimento de outros órgãos a partir do tumor do pulmão).

Por ser uma doença de comportamento agressivo, na maioria das vezes o câncer de pulmão encontra-se em estádios avançados ao ser descoberto. A determinação do estádio é de fundamental importância para que o tratamento possa ser definido. Além disso, também determina o prognóstico esperado para cada caso.

De acordo com o tipo e com o estádio, o câncer de pulmão pode ser tratado com cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou pela combinação destas formas de tratamento

Cirurgia

Para pacientes com câncer de pulmão de células não-pequenas e restrito somente ao pulmão, a cirurgia representa a melhor forma de controle da doença. Cerca de 20% dos casos diagnosticados são passíveis de tratamento cirúrgico. A cirurgia consiste na remoção do tumor com uma margem de segurança, além da remoção dos linfonodos (ínguas) presentes nos espaços próximos ao pulmão comprometido pelo tumor. Três tipos fundamentais de cirurgia podem ser empregados:

  • Ressecção em cunha ou segmentectomia: empregada para tumores pequenos e localizados no   pulmão ou para pacientes sem condições clínicas de serem submetidos à cirurgia de porte maior
  • Lobectomia: ressecção do lobo pulmonar (parte anatômica do pulmão) onde se originou o tumor
  • Pneumectomia: retirada de todo o pulmão

A forma de cirurgia mais empregada é a lobectomia. Atualmente admite-se o emprego de cirurgias menores (segmentectomia) para a ressecção de tumores pequenos, menores que 2 cm e restritos ao pulmão.

Um importante avanço observado no tratamento cirúrgico dos tumores do pulmão é a disponibilidade de técnicas menos invasivas, onde se destacam as cirurgias vídeo-assistidas, indicadas para pacientes selecionados. No A.C.Camargo Cancer Center são realizados, rotineiramente, todos os procedimentos cirúrgicos necessários para o tratamento adequado do câncer de pulmão, com taxas de sucesso semelhantes às dos melhores centros oncológicos do mundo.

Radioterapia

Consiste na aplicação de irradiação sobre o tumor com a finalidade de destruí-lo. A principal indicação da radioterapia é para o tratamento de tumores de pulmão localmente avançados e que não podem mais ser removidos pela cirurgia. De maneira geral, a radioterapia é empregada concomitantemente à quimioterapia. Além disso, a radioterapia pode ser útil em diversas outras circunstâncias do tratamento dos pacientes com câncer de pulmão. O tratamento paliativo, para controle de sintomas como dor e sangramento, pode ser realizado por meio de técnicas específicas de radioterapia e é muito útil para os pacientes com câncer de pulmão.

O A.C.Camargo tem um dos principais e mais modernos centros de radioterapia do país. A utilização de equipamentos e de técnicas que permitem concentrar a radioterapia na área do tumor, poupando os órgãos vizinhos, aumenta as taxas de controle e reduz as complicações decorrentes deste tratamento. A integração entre os exames de imagem (tomografia e PET-CT) para o planejamento do tratamento radioterápico aumenta a eficácia. Todos estes recursos estão disponíveis no A.C.Camargo.

Quimioterapia

É o tratamento do câncer por meio de medicamentos (quimioterápicos) que têm como objetivo destruir as células cancerosas. É a forma de tratamento empregada com maior frequência para os pacientes com câncer de pulmão. Mesmo nos casos em que a cirurgia removeu todo o tumor do pulmão, ainda podem ter restado focos microscópicos de células cancerosas, que a cirurgia é incapaz de remover. Nestes casos a adição de quimioterapia depois da cirurgia (tratamento adjuvante), auxilia a eliminar estes potenciais focos microscópicos do tumor e aumenta as taxas de sobrevida destes pacientes.

Em algumas situações, em que o tumor é passível de ressecção cirúrgica, a quimioterapia pode ser administrada antes da cirurgia (tratamento neoadjuvante). Este tratamento tem por finalidade tratar precocemente eventuais focos microscópicos de tumor, que não podem ser removidos na cirurgia. Além disso, esta forma de tratamento quimioterápico pode reduzir a extensão da cirurgia. Tanto a quimioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia) quanto adjuvante (depois da cirurgia) são técnicas empregadas no A.C.Camargo. Além disso, a interação entre cirurgião e oncologista clínico para a escolha da melhor sequência terapêutica é de fundamental importância para o sucesso do tratamento.

Os pacientes que apresentam metástases em outros órgãos a partir do câncer de pulmão têm na quimioterapia a melhor forma de tratamento. A quimioterapia convencional consiste na associação de diferentes quimioterápicos, administrados por via venosa, e que têm o potencial de destruir as células cancerosas. Atualmente os efeitos colaterais decorrentes do tratamento são amenizados com novos medicamentos de menor toxicidade e com o desenvolvimento de medicamentos que combatem os efeitos tóxicos da quimioterapia.

Mais recentemente, novas opções de tratamento sistêmico foram desenvolvidas e já estão sendo utilizadas na prática clínica. Entre elas destacam-se as chamadas terapias-alvo,  medicamentos que atuam de forma direciona contra as células cancerosas, sem destruir as células normais. Com esta estratégia tem-se maior eficácia e principalmente menores taxas de efeitos tóxicos. As diferentes formas de terapias-alvos são definidas com base nas características demográficas e específicas de cada tumor.

Apesar de ser uma doença agressiva e muito frequente, o câncer de pulmão é perfeitamente evitável na grande maioria dos casos. Isso porque em cerca de 90% das vezes os tumores malignos do pulmão estão relacionados ao tabagismo, de onde se conclui que se as pessoas não consumissem tabaco, o câncer de pulmão seria raro.

Estima-se que o risco de um fumante desenvolver câncer de pulmão é de cerca de 20 a 60 vezes maior que o risco de um não fumante. Mesmo para o tabagista passivo, o risco é de pelo menos três vezes mais que o de uma pessoa não exposta à fumaça do cigarro. Quanto maior o consumo de tabaco maior será o risco de desenvolver câncer de pulmão. O raciocínio contrário é verdadeiro, as pessoas que param de fumar reduzem consideravelmente o risco de desenvolver câncer.

Diversos estudos demonstram que largar o cigarro aumenta não apenas o tempo de vida, mas também melhora a qualidade de vida. Atualmente, a forma mais comum de consumo de tabaco é pelo cigarro, mas qualquer maneira de utilização, seja cachimbo, charuto, narguilé aumenta o risco de desenvolvimento de todas as doenças relacionadas ao tabaco. O tabagismo está associado a uma forte dependência e deve ser considerado doença. A boa notícia é que atualmente existem várias formas de tratamento destinadas a auxiliar as pessoas a se livrarem do vício, contribuindo assim para uma vida mais saudável e com menores riscos para a saúde.