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Mama

A mama é constituída por estruturas produtoras de leite (lóbulos), ductos, que são pequenos canais que ligam os lóbulos ao mamilo; gordura, tecido conjuntivo, vasos sanguíneos e vasos linfáticos.

Vasos linfáticos são semelhantes aos vasos sanguíneos, só que em vez de sangue, transportam linfa, um líquido que contém células do sistema de defesa, gordura e proteínas. Ao longo dos vasos linfáticos há pequenos órgãos em forma de feijões, ou gânglios ou nódulos linfáticos ou ainda linfonodos, que armazenam glóbulos brancos chamados linfócitos. A maioria dos vasos linfáticos da mama leva a gânglios linfáticos situados nas axilas, denominados nódulos ou gânglios axilares. Se as células cancerosas atingirem esses gânglios, a probabilidade de que a doença se espalhe para outros órgãos é maior.

A maioria dos cânceres de mama começa nos ductos (carcinomas ductais), alguns têm início nos lóbulos (carcinoma lobular) e os demais nos outros tecidos.

O câncer de mama é o mais incidente nas mulheres, atrás apenas dos casos de câncer de pele não melanoma. Para 2014 a estimativa é de 57.120 novos casos.

Saiba mais sobre o câncer de mama:

O que causa o câncer de mama?
O câncer de mama é causado por alterações genéticas, estas alterações podem ser estimuladas por fatores ambientais como: tabagismo, uso de hormônios (TRH – terapia de reposição hormonal), inicio da menstruarão em idade muito jovem, menopausa em idade mais tardia, menor numero de gravidez e gravidez em idade cada vez mais tardia, excesso de peso e ingestão de bebida alcoólica ou também por fatores genéticos.

Quais os principais tipos de câncer de mama?

  • Carcinoma ductal in situ – consiste em um câncer de mama em fase inicial, que a principio, não teria capacidade de desenvolver metástase
  • Carcinoma ductal invasivo – é o tipo mais comum de câncer de mama. Apresenta capacidade de desenvolver metástase
  • Carcinoma lobular invasivo – é o segundo tipo mais comum de câncer de mama e está relacionado ao risco de desenvolvimento de câncer de mama na outra mama e também ao câncer de ovário. Apresenta a possibilidade de desenvolver metástase

Quais são os tipos de lesões pré-cancerígenas?
As lesões mamárias que predispõem a câncer de mama são:

  • Carcinoma Lobular in situ ou Neoplasia Lobular
  • Hiperplasia ductal atípica
  • Hiperplasia lobular atípica

Homem pode ter câncer de mama?
Sim. O desenvolvimento do câncer de mama em homens está relacionado à presença de histórico de câncer na família, síndromes de predisposição genética, radioterapia em região torácica, dentre outros.

O uso de exames preventivos aumentou bastante o número de casos de câncer identificados antes de causar sintomas.

Quais os sintomas do câncer de mama?
O sintoma mais comum de câncer de mama é o aparecimento de um caroço. Nódulos que são indolores, duros e irregulares têm mais chances de ser malignos, mas há tumores que são macios e arredondados. Portanto, é importante ir ao médico. Outros sinais de câncer de mama incluem:

  • Inchaço em parte do seio.
  • Irritação da pele ou aparecimento de irregularidades na pele, como covinhas ou franzidos, ou que fazem a pele se assemelhar à casca de uma laranja.
  • Dor no mamilo ou inversão do mamilo (para dentro).
  • Vermelhidão ou descamação do mamilo ou pele da mama.
  • Saída de secreção (que não leite) pelo mamilo.
  • Dor no mamilo ou inversão do mamilo (para dentro).
  • Um caroço nas axilas.

Quais os sintomas do câncer de mama no homem?
De forma semelhante ao câncer de mama feminino, este tumor no homem é assintomático na sua fase inicial. O sintoma mais comum é o aparecimento e rápido crescimento de um nódulo (caroço) na mama. Outros sintomas podem ser: retração ou edema da pele, secreção pelo mamilo e dor que só aparecerá em fases mais avançadas da doença.

Exames de Rastreamento
Consistem em modalidade de exames de imagem que tem a finalidade de detectar um tumor em fase inicial antes de ser percebido pelo médico ou pela própria paciente.
O principal exame de rastreamento para câncer de mama é a mamografia e que em alguns casos poderá ser complementada por ultrassonografia ou ressonância magnética de mamas.
A recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é que as mulheres iniciem a mamografia a partir dos 40 anos e com periodicidade anual. Em algumas circunstâncias a idade deverá ser antecipada bem como a frequência de acordo a indicação medica.

Como é feito o diagnostico das lesões pré-cancerígenas?
O diagnóstico destas lesões é feito com base em alterações na mamografia ou ultrassonografia, por meio de algum tipo de biopsia -  biopsia de agulha grossa ou mamotomia associada ou não a biopsia cirúrgica. 

O que significa BI-RADS?
O sistema BI-RADS (Breast Image Reporting and Data System) é o nome de um sistema de padronização de laudos de exames de imagem de mama podendo ser aplicado a alterações na mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética. De uma forma geral cada classificação significa:

  • Categoria zero: exame não conseguiu caracterizar alterações. Necessita de outros exames complementares.
  • Categoria 1: significa exame normal. Recomendado controle em 1 ano.
  • Categoria 2: significa presença de alterações benignas, sem risco de câncer. Recomendado controle em 12 meses.
  • Categoria 3: significa alterações provavelmente benignas. Risco de câncer de 3%. Recomendado controle em 6  meses.
  • Categoria 4: significa alterações suspeita para malignidade. Risco de câncer de 20%. Necessita de realização de biópsia e avaliação anatomopatológica.
  • Categoria 5: significa alterações provavelmente maligna. Risco de câncer de 95%. Indicado ressecção cirúrgica podendo ser realizado alguma modalidade de biopsia pré-operatória.
  • Categoria 6: significa lesão já biopsiada e com diagnostico de câncer. Pode ser usada para classificação dos achados de uma mamografia de monitoramento após quimioterapia neoadjuvante.

Quais os tipos de biópsias disponíveis?
As biópsias mamárias são indicadas quando temos alguma alteração no exame clínico ou quando encontramos alterações nos exames de imagem. Os principais tipos são:

  • Punção aspirativa de agulha fina (PAAF): utilizada principalmente para a aspiração de cistos podendo ser utilizada para avaliação de nódulos
  • Biopsia de agulha grossa ou core biopsy: utilizada principalmente para nódulos sólidos maiores de 5 mm
  • Mamotomia: utilizada principalmente para áreas de microcalcificações. Permite a colocação de clipe metálico na mama
  • Biopsia cirúrgica: consiste na realização de ressecção por meio de cirurgia. É utilizada quando a lesão é  suspeita de câncer (BIRADS 5), quando as outras modalidades de biopsias forem inconclusivas ou quando se tem área de microcalcificação muito extensa

Quais os diagnósticos que podemos ter após a realização de uma biópsia de mama?
Após a realização de uma biópsia de mama podemos ter genericamente 3 diagnósticos:

  • Lesão benigna
  • Lesão pré-cancerígena.
  • Lesão cancerígena.

Estou com o diagnóstico de câncer de mama e agora o que devo fazer?
Após uma biópsia comprovando o diagnóstico de câncer de mama as pacientes deverão procurar tratamento médico especializado no qual o médico irá efetuar uma avaliação global da paciente, através da história clínica, exame físico, podendo ser complementado com exames de imagem (Rx de tórax, cintilografia óssea, ultrassom de abdômen e pelve) ou outros a depender do estadiamento.

O que é estadiamento tumoral?

Consiste em um método de classificar o grau de extensão do tumor. É feito baseado no tamanho do tumor aferido pelo exame físico e baseados nos exames de imagem. Se refere a 3 variáveis (TNM):

  • T – se refere ao tamanho do tumor na mama.
  • N –se refere ao acometimento metastático dos gânglios da axila.
  • M – se refere ao acometimento metastático de outros órgãos.

Tratamento Localizado x Tratamento Sistêmico
O objetivo do tratamento localizado é tratar o tumor sem afetar o resto do organismo, como no caso da cirurgia e da radiação. Já o tratamento sistêmico é administrado por via oral ou injetado e atinge todo o corpo, como nos casos da quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia.
As células do tumor podem se desprender e viajar para outras partes do corpo já nos estágios iniciais do câncer, podendo dar origem a outros tumores. Por isso, muitas vezes, mesmo quando não parece haver mais sinal de câncer após a cirurgia é usada a chamada terapia adjuvante, que mata essas células. Algumas pessoas recebem quimioterapia antes da cirurgia para encolher o tumor, na chamada terapia neoadjuvante.

Como é realizado o tratamento para o câncer de mama?
O tratamento do câncer de mama é primordialmente cirúrgico podendo ser complementado com radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia.

Qual o tratamento para o câncer de mama no homem?
Em linhas gerais, segue o mesmo tratamento para o câncer de mama na mulher. Geralmente a cirurgia consiste na realização de mastectomia com pesquisa de linfonodo sentinela ou esvaziamento axilar. Pode ser necessário a complementação com radioterapia e quimioterapia.

Quais os tipos de cirurgias mamárias?

1. Cirurgia Conservadora ou Quadrantectomia: cirurgia que consiste em retirada parcial da mama. Todos estes casos devem ser complementados por radioterapia. Está indicada para pacientes com:

  • tumores em fase inicial
  • mamas de volume adequado e que o resultado estético final seja satisfatório

2. Mastectomia: cirurgia que consiste em retirada total da mama. É reservada para pacientes que:

  • apresentam tumores avançados (lesões de grande tamanho ou com envolvimento da pele)
  • pacientes que já foram submetidos a tratamento com radioterapia em região mamária ou torácica anteriormente
  • por opção da paciente como uma tentativa de evitar tratamento com radioterapia

Quais os tipos de cirurgia axilar?
1. Pesquisa de Linfonodo Sentinela (LS): consiste na retirada de um ou mais gânglios da axila que seriam os primeiros a serem acometidos por células tumorais que escaparam do tumor da mama e migraram para os gânglios axilares. Para a execução deste procedimento é realizada a injeção de uma substância na mama na véspera da cirurgia. Na hora da cirurgia o cirurgião identifica este gânglio e envia para o patologista que o examina na hora. Neste momento o patologista poderá dizer o grau de comprometimento, conforme:

  • Linfonodo sentinela  comprometido: o cirurgião irá proceder ao esvaziamento dos gânglios da axila neste mesmo momento.
  • Linfonodo sentinela não comprometido: o cirurgião irá finalizar o procedimento cirúrgico naquele momento e aguardar o resultado definitivo.

No resultado definitivo, que demora alguns dias e consiste de estudos minuciosos, poderemos ter os seguintes laudos:

  • Linfonodo Sentinela livre de metástase: significa que está verdadeiramente livre de metástase e o procedimento cirúrgico se finalizou.
  • Linfonodo Sentinela comprometido: este diagnóstico implica em uma nova cirurgia para proceder ao esvaziamento dos gânglios da axila.

2. Linfadenectomia Axilar (Esvaziamento axilar): a linfadenectomia axilar consiste na retirada de vários gânglios da axila e habitualmente tem indicação de princípio para pacientes que apresentam:

  • tumores avançados (lesões de grande tamanho ou com envolvimento da pele).
  • comprometimento dos gânglios axilares.
  • linfonodo sentinela comprometido por metástase.

Quando é indicada a reconstrução mamária?
Para as pacientes que necessitam fazer Mastectomia. A reconstrução mamária poderá ser realizada de forma imediata ou tardia de acordo com o caráter da doença e discussão entre médico e paciente.

Quem poderá fazer uma reconstrução na hora da cirurgia?
A reconstrução mamária imediata, ou seja, aquela que ocorre na hora da cirurgia, pode ser indicada para pacientes que apresentam tumores em fase inicial e que não será necessário uso de radioterapia pós-operatória.

Para quem é recomendável fazer reconstrução tardia?
A reconstrução mamaria tardia fica reservada para os casos em que a paciente apresenta tumores agressivos, avançados, com comprometimento extenso de pele e que deverá fazer radioterapia após a cirurgia. Neste caso, a reconstrução poderá ser feita quando a pele estiver recuperada dos efeitos da radioterapia e conforme indicação médica.

Quais os tipos de reconstrução disponível?
Reconstrução com uso de prótese de silicone:

  • Prótese expansão:  está indicada para cirurgias de mastectomia no qual se retira muita pele inviabilizando a colocação de uma prótese definitiva. A prótese expansora consiste em uma prótese com revestimento externo de silicone que é implantada na hora da cirurgia, de forma vazia sendo preenchida com soro gradativamente depois da cirurgia até atingir o volume desejado. Deve ser substituída por uma prótese definitiva.
  • Prótese definitiva: consiste na prótese convencional, totalmente preenchida por gel de silicone coesivo. É indicada para casos em que a retirada de pele foi pouca, mantendo um envelope cutâneo capaz de acomodar seu volume.
  • Reconstrução com tecidos autólogos (tecidos da própria paciente).
  • Músculo grande dorsal: consiste na reconstrução mamária com retirada de músculos da região das costas que deverão ser transportados para a região da mama. Normalmente é necessária a colocação de prótese de silicone para complementar o volume. É indicado em casos de grande retirada de pele e para as pacientes que deverão realizar radioterapia pós-operatória.
  • TRAM: consiste na reconstrução mamária com utilização de pele e musculatura do abdômen. Normalmente dispensa a necessidade de prótese de silicone associada. É indicado em casos de grande retirada de pele e para as pacientes que deverão realizar radioterapia pós-operatória.

O que é radioterapia?
A radioterapia consiste em uma forma de tratamento localizado que visa destruir células tumorais, empregando feixe de radiações ionizantes, e diminuir a chance da doença voltar no local operado. 

Quem deverá fazer radioterapia?
A radioterapia é indicada para todo paciente com câncer de mama que faz uma quadrantectomia (ressecção parcial da mama)  ou para os que fazem mastectomia e que apresentam tumor com mais de 5 cm ou gânglios na axila comprometidos por células tumorais.

O que é quimioterapia?
A quimioterapia consiste em uma forma de tratamento sistêmico, ou seja, para todo o corpo, e visa tratar alguma célula que eventualmente saiu da mama (metástase). São administrados de forma endovenosa e podem ter alguns efeitos colaterais como náusea, vômitos, diarréia, queda de cabelo, entre outros.

Quem deverá fazer quimioterapia?

A necessidade de quimioterapia será decidida pelo médico oncologista clínico após o término do tratamento cirúrgico e será baseado no tamanho do tumor, presença de gânglios axilares comprometidos, idade e condições clínicas gerais dos pacientes

O que é hormonioterapia?
A hormonioterapia consiste em uma forma de tratamento sistêmico através da administração diária de comprimido por um período de 5 anos.

Quem deverá utilizar hormonioterapia?
Deverá ser utilizado pelas pacientes que apresentam tumores de mama que apresentam receptores hormonais positivos. Estes receptores são identificados no laudo da biopsia.

Após terminada toda a fase de tratamento com cirurgia, quimioterapia e radioterapia como deverá ser o acompanhamento e com qual frequência é necessário retornar ao médico?
Após esta longa jornada de tratamento, visitas frequentes ao hospital é chegada a hora de tentar retornar às atividade habituais. Em relação ao acompanhamento médico, este deverá ser feito a cada 3 meses no primeiro ano, a cada 4 meses no segundo ano, semestralmente do 3º ao 5º ano e a partir  do 5º ano anualmente.

O que  é  e para quem está indicada a cirurgia de redução de risco?

A cirurgia de redução de risco, conhecida como adenomastectomia profilática, consiste na retirada da glândula mamaria, com preservação da aréola e mamilo e colocação de prótese de silicone e está indicada para pacientes que apresentam mutação genética nos genes BRCA1 e BRCA2 e em alguns casos de pacientes de alto risco e com lesões precursoras ou marcadoras de câncer de mama.

Quando deverá ser realizada a adenomastectomia profilática?
A cirurgia deverá ser efetuada após discussão com mastologista, geneticista e psícologo 

Quais os riscos da cirurgia?
Os principais riscos da cirurgia são: necrose e perda de sensibilidade do mamilo e areóla, necrose da pele, infecção, extrusão da prótese de silicone.

Não se sabe exatamente o que causa o câncer de mama, mas há alguns fatores de risco associados à doença. Fator de risco é qualquer coisa que aumente as chances de aparecimento de uma doença. Alguns podem ser controlados (como fumo, hábitos alimentares) e outros não, como idade e histórico familiar. Mas a exposição a um ou mais fatores de risco não significa que a mulher vá necessariamente ter câncer de mama; apenas que corre maior risco de ter a doença.

Quanto mais cedo o câncer de mama é diagnosticado, maiores as chances de o tratamento ser bem-sucedido. O objetivo dos exames preventivos é encontrar o câncer antes mesmo dele causar sintomas. O tamanho do tumor e sua capacidade de se espalhar são os fatores mais importantes para o prognóstico da doença. 

Como posso prevenir o câncer de mama?
As principais formas de prevenção do câncer de mama estão relacionadas a mudança no habito de vida como: controle do peso, pratica de atividade física, evitar ingestão de bebidas alcoólicas e tabagismo, evitar uso de TRH por mais de 5 anos.

A mamografia previne câncer de mama?

A mamografia é o exame mais importante para o diagnóstico precoce do câncer de mama. No entanto, ela não previne o seu aparecimento, apenas proporciona a possibilidade de um diagnóstico em fase inicial.

Conheça a dúvidas mais frequentes sobre o câncer de mama:


Qual a idade mais comum para o desenvolvimento de câncer de mama? 
O câncer de mama ocorre predominantemente em mulheres depois da menopausa, no entanto, o surgimento do câncer de mama pode ocorrer em mulheres jovens antes mesmo de completarem os 40 anos de idade (idade em que se é recomendada o início da realização da mamografia anualmente). Os tumores que ocorrem em mulheres jovens tendem a ser mais agressivos


Há câncer de mama durante a gestação? 

Pode haver. Representa um número baixo dos casos, mas pode haver. Seu diagnóstico muitas vezes é dificultado pelas alterações que ocorrem na mama gravídica (aumento de volume). É definido como câncer de mama durante a gestação quando ocorre durante ela ou até 12 meses após o parto. O tratamento pode se iniciar ainda na gestação, com medicações quimioterápicas que não afetam o bebê, ou mesmo com a cirurgia que pode ser realizada neste mesmo período. 


É possível ser mãe mesmo após o diagnóstico de um câncer de mama?

A gestação após o tratamento do câncer de mama é possível. Quanto mais jovem a paciente que trata o câncer de mama, mais provavelmente esta mesma mulher retornará às funções ovarianas (ciclos menstruais) após o tratamento. Porém deve-se evitar gestação nos primeiros dois anos após o tratamento (pelo risco de retorno da doença na mãe). Atualmente existem opções que podem ser discutidas com seu médico em caso de desejo de preservação de fertilidade antes do início do tratamento. 


Anticoncepcional pode causar câncer de mama?

Infelizmente ainda não se tem resposta se o uso dos anticoncepcionais pode ou não ser fator de risco para câncer de mama. Acredita-se que seu uso por mais de 10 anos antes da primeira gestação seria ruim, mas por outro lado poderia estar protegendo contra o câncer de ovário. Os anticoncepcionais têm sofrido muita modificação, dosagens menores, associações diferentes e ainda não se tem resultados do seu efeito após todas estas modificações. O ideal é sempre conversar com o médico para que todos os prós e contras sejam esclarecidos.


Fazer reposição hormonal (TRH - terapia de reposição hormonal) causa câncer de mama? Há algum risco ao usar hormônio natural de planta (isoflavona)? 

Mulheres têm vivido cada vez mais inseridas no mercado de trabalho e estas são algumas das causas de buscarem qualidade de vida após a menopausa (após parar de menstruar). A TRH pode trazer benefícios cardiovasculares e físicos a algumas mulheres. Seu uso deve ser orientado por um médico apto e deve-se conversar com a paciente sobre os risco e benefícios desta medicação. Quando se iniciou o uso indiscriminado de reposição hormonal nos EUA (mesmo para pacientes sem sintomas) começou a se observar números mais elevados de diagnósticos de câncer de mama. Portanto, o uso da reposição hormonal deve ser restrito às pacientes que tenham necessidade dela sob supervisão do médico, sendo que o risco de câncer de mama para as mulheres que tomam esta medicação é maior que para aquelas que não tomam, e que o uso por mais de 5 anos deve ser evitado.
As isoflavonas são hormônios de menor potência, mas que devem ser igualmente supervisionados pelo médico. 


Quando a mulher teve câncer de mama, pode usar reposição hormonal? 

Não. Deve-se conversar com o médico para que os sintomas da menopausa sejam aliviados com outra droga que não seja hormonal, já que a maioria dos tumores da mama podem responder aos hormônios, ou seja, se alimentam deles para crescer. 


Como identificar a depressão? 

Uma reação normal a um problema grave de saúde é entregar-se à tristeza e à depressão. É preciso ficar atento aos primeiros sinais de que você está deprimida para tratar logo o problema e não deixar que atrapalhe a postura otimista durante o tratamento. Sintomas de alerta: falta de esperança e achar que não há sentido na vida, desânimo para realizar atividades que antes eram prazerosas, desinteresse de ficar com família e amigos, perda de apetite, vontade constante de chorar, problemas de sono (pouco ou em excesso), entre outros. Esses problemas devem ser rapidamente contados ao médico, que vai prescrever o tipo de tratamento adequado para tratar a depressão.


Como lidar com a perda da mama?

É algo extremamente complexo para a mulher. As mamas têm inúmeros significados que envolvem sexualidade, maternidade, sensualidade, feminilidade. Todos estes aspectos são levados em conta quando se fala em retirada das mamas. Mesmo com todo o avanço da medicina, a retirada total da mama ainda pode ser necessária. A cirurgia plástica pode ser de grande valor para amenizar a dor da perda. A reconstrução, principalmente quando imediata pode trazer conforto e diminuição da sensação de mutilação. Caso a reconstrução não seja possível, lojas especializadas em artigos médicos oferecem próteses externas (que são usadas no soutien) que cumprem muito bem o papel de diminuir a sensação de perda e oferecem a possibilidade de re-inclusão social para a paciente. 


Os cabelos sempre caem com a quimioterapia? Como lidar com a perda dos cabelos?

A maioria das medicações quimioterápicas usada para o tratamento do câncer de mama atua sobre as células que se reproduzem com mais rapidez e as do bulbo capilar são exemplos disso. Algumas, entretanto, não deixam cair os fios, mas cada caso tem uma droga que se aplica com maior eficácia. Independentemente disso, é importante lembrar que os fios voltarão a crescer com o fim do tratamento. 


Usar desodorantes antitranspirantes e/ou os soutiens com arame causam câncer de mama?

Esse mito se espalhou rapidamente via internet, mas não é verdade. O câncer de mama não tem relação com trauma, tipo de soutien ou desodorantes. O que muitas vezes ocorre é que as mulheres que sofrem um trauma qualquer na mama, ao apalparem o local da batida percebem nódulos (bolinhas ou caroços) que nunca haviam percebido, mas que já estavam lá. 


Exercícios podem prevenir câncer de mama? 

Trabalhos demonstram que a prática moderada de atividade física é um fator importante na prevenção de câncer. 


Após o diagnóstico de câncer de mama, é possível praticar exercícios? 

Sim, deve, porém só pratique exercícios após orientação médica – apesar da importância da atividade física, ela só deve ter início com o aval do médico. Ele irá estabelecer uma rotina progressiva de exercícios, especialmente elaborada para cada necessidade. O paciente que esteve ou está em tratamento pode ter redução da função cardíaca pelo uso de alguns quimioterápicos ou outras medicações, o que torna perigosa a prática de exercícios sem a devida avaliação.


Como devem ser os hábitos de alguém que já tratou o câncer de mama? 

• Deixar de fumar – o tabaco (tabagismo) pode fazer com que o antigo câncer retorne ou facilitar o surgimento da doença em outro órgão.
• Reduzir o consumo de álcool – as bebidas alcoólicas (alcoolismo) também podem levar ao surgimento de câncer.
• Adotar uma alimentação saudável – é muito importante ter uma dieta em que prevaleçam os alimentos de origem vegetal.


Como deve ser realizado o auto-exame das mamas? 

O auto-exame deve ser realizado 1 vez por mês, a partir dos 20 anos de idade, sempre após 1 semana do início da menstruação. O exame pode ser feito em pé ou deitada e tem como objetivo principal o autoconhecimento do corpo pela mulher. 


Dor nas mamas pode ser câncer?

Na verdade, o que mais preocupa o médico e que deve ser investigado são os nódulos (caroços ou bolinhas) que podem aparecer nas mamas. As dores costumam ser sinal de alterações benignas, causadas pelas oscilações hormonais nas mulheres e depende muito da sensibilidade pessoal de cada um. As mamas mais densas, mamas jovens, com bastante tecido glandular, são as que costumam doer mais e antigamente eram chamadas mamas displásicas. Este termo hoje não é mais empregado. O termo utilizado é  Alterações Fibrocísticas Benignas das Mamas, mamas que apresentam grande quantidade de tecido glandular, que podem apresentar pequenos cistos (bolinhas de água) e pequenos nódulos espalhados pelas mamas.
 

O que são papilomas? 

Os papilomas são estruturas semelhantes a “cogumelos” que nascem dentro do ducto da mama (como que pequenos pólipos dentro do tubo que leva o leite ao mamilo). Pode causar sangramentos e por este motivo é freqüentemente necessária a sua retirada para que seja assegurado que não se trata de câncer.


Quais os sinais que merecem atenção e a orientação de um médico? 

Os sinais que merecem investigação, que não necessariamente significam câncer, mas que o médico é que deve realizar a investigação, ou o tratamento antes de dar um diagnóstico são: inchaço na mama, principalmente, se for somente em uma delas, vermelhidão (pele mais vermelha), secreção pelo mamilo (principalmente se for espontânea e de cor avermelhada), retração do mamilo (mamilo que fica para dentro, invertido), nódulo (caroço) palpável, coceira na mama ou no mamilo, feridas na pele da mama ou no mamilo. 


Há como saber se um dia o câncer de mama irá se desenvolver no organismo? 

Infelizmente não há como prever qual a mulher que terá um câncer, todas estão sob risco. Mas há algumas lesões nas mamas que, quando diagnosticadas, chamam a atenção do médico para o fato de aquela mulher ter um risco maior que outra mulher da mesma idade. São as chamadas lesões de alto risco para câncer. O médico deve ser consultado para que a lesão encontrada seja correlacionada ao risco pessoal de se ter um câncer e caso este risco seja muito elevado pode-se até haver a indicação de tratamento preventivo.


Quando ocorre a cirurgia dos gânglios da axila, há inchaço dos braços?

Provavelmente não. As cirurgias axilares atuais são mais conservadoras. Os gânglios (linfonodos) são responsáveis pela imunidade local e pela drenagem dos líquidos excedentes do braço. Quando se realiza a retirada destes gânglios alguns cuidados são necessários para que não haja acúmulo de líquidos (linfedema) e o braço não fique inchado, portanto é necessário seguir  as orientações do médico. Sabe-se que quanto menor a cirurgia, por exemplo, a retirada de um único gânglio (linfonodo sentinela) menor é a chance de ocorrer este inchaço.


Silicone causa câncer de mama?

Não, silicone não causa câncer de mama. O que acontece é que toda cirurgia traz cicatrizes nas mamas que podem dificultar a visualização de pequenas imagens.


Quem amamenta está livre de ter câncer de mama? 

Não. A amamentação é mais um dos fatores que protegem a mulher do câncer de mama, mas nenhum dos ditos fatores de proteção atuam de forma isolada, é a somatória de vários fatores de proteção de um lado, contra a somatória dos fatores de risco do outro que definem o risco real. 


Ao entrar na menopausa posso ainda desenvolver câncer de mama?

Sim. Na verdade, o risco começa a aumentar após os 40 anos. Nódulos que aparecem após a menopausa são ainda mais suspeitos. É necessário procurar um mastologista para avaliar o caso.