Tipo de Cancer Detalhes - A.C.Camargo Cancer Center

Pacientes e Tudo Sobre o Câncer

Gástrico (do estômago)

O estômago localiza-se na porção superior do abdômen, próximo às costelas e ligeiramente à esquerda. Tem importante função na digestão dos alimentos, atuando como um armazenador de alimentos sólidos e regulador de sua liberação, iniciando o metabolismo de carboidratos e propiciando um ambiente ácido essencial para a degradação de proteínas e os demais processos da digestão que ocorrerão no intestino.

No Brasil, o câncer de estômago é o quarto mais incidente na população masculina e sexto na feminina. Em 2014 são esperados 12.870 casos nos homens e 7.520 nas mulheres.

O diagnóstico do câncer gástrico se inicia pela Endoscopia Digestiva Alta, que permite a caracterização da lesão, realização de biópsia e ajuda no planejamento da cirurgia. Feito o diagnóstico, é necessário estadiamento da doença, em que será determinado se ela é localizada, regional ou metastática.

A Tomografia Computadorizada do Abdômen e da Pelve determinará se a doença está restrita ao estômago, ou se já se encontra disseminada para os linfonodos regionais, quando ainda é passível de tratamento cirúrgico, ou para outros órgãos, como fígado, pulmões e peritônio (membrana que envolve todos os órgãos abdominais e a musculatura da parede do abdômen), quando ela é metastática, e o tratamento passa a ter caráter paliativo, sem possibilidade de cura.

Naqueles pacientes em que persiste a dúvida em relação ao comprometimento dos linfonodos ou à presença de doença mais avançada na parede do estômago, que se caracteriza por invasão além da camada muscular do órgão, um exame de surgimento recente que se mostra bastante útil é a Eco-Endoscopia.

A Ressonância Magnética fica restrita para os casos em que há dúvida em relação a um nódulo no fígado ou a uma alteração na Pelve.

O PET-CT é adequado apenas para casos bastante selecionados, não sendo utilizado de rotina para o estadiamento do câncer gástrico.

Para se avaliar a chance de cura e o prognóstico após o tratamento da neoplasia, é essencial que se determinem três características da doença: a profundidade de invasão da parede do estômago (denominada estádio T), o número de linfonodos comprometidos (estádio N) e a presença ou não de doença metastática (estádio M). Pacientes com tumores que invadem a camada mais externa do estômago (serosa – T3 ou T4) e que tem comprometimento dos linfonodos (N1, N2 ou N3) tem pior prognóstico, mas são candidatos a tratamento curativo. Já aqueles com metástases à distância (M1) somente realizarão modalidades de tratamento com o objetivo de controle de doença e melhor qualidade de vida.

A equipe do Núcleo de Cirurgia Abdominal oferece um serviço direcionado ao atendimento de familiares com histórico de outros tumores do aparelho digestivo, em especial os de estômago, para que seja feita a prevenção e orientação familiar.

Principais Sintomas

Os sintomas iniciais destes tumores podem ser bastante inespecíficos, e eventualmente se assemelhar a um quadro simples de gastrite.

Os pacientes se queixam de dor epigástrica ("dor no estômago"), sensação de empachamento e náuseas. Essa semelhança com doenças benignas leva muitas vezes ao diagnóstico tardio da doença, uma vez que a Endoscopia Digestiva é muitas vezes postergada, especialmente em pacientes jovens.

Em alguns casos, pacientes que tem tumores mais altos podem se queixar de dificuldade de deglutição e refluxo ácido. Quando a neoplasia se encontra em estágios mais avançados, pode ocorrer perda de peso importante, vômitos e aumento do volume do abdome pela presença de líquido em seu interior (ascite).

O único tratamento curativo do câncer gástrico é a cirurgia. Tumores extremamente precoces podem ser removidos por endoscopia. Os demais pacientes são candidatos a uma gastrectomia (cirurgia retirada do tumor do estômago), que pode ser total, em que todo o estômago é removido, ou subtotal, em que uma parte do órgão é preservada.

O paciente pode manter uma vida praticamente normal a despeito da falta do estômago, com algumas adaptações. Cuidados com a alimentação são necessários, mas a rigor a principal modificação será a necessidade de se fazer refeições em maior número, porém em menores quantidades.

O primeiro local para o qual o tumor do estômago se dissemina são os linfonodos. Estes se encontram em toda a extensão do órgão e ao longo dos vasos que o nutrem de sangue. Como parte do tratamento cirúrgico, é obrigatório, que todos esses linfonodos sejam retirados, diferente de uma cirurgia para úlcera ou outra doença benígna. O procedimento para essa remoção é a linfadenectomia D2, que acompanha a gastrectomia. Se não retirados, os linfonodos, ou gânglios, como chamados popularmente, são um importante local de retorno da doença. Casos em que este procedimento não deve ser realizado são exceção.

No A.C.Camargo Cancer Center, todos os pacientes com tumores que invadam além da camada muscular do estômago ou que tenham linfonodos comprometidos recebem tratamento multidisciplinar, ou seja, acompanhamento pelas diversas especialidades. Esses pacientes apresentam elevado risco de retorno da doença e, por isso, são candidatos a quimioterapia ou radioterapia associadas à cirurgia.

Para determinar quais são estes pacientes é necessária a avaliação multidisciplinar por especialista em câncer desde o primeiro momento do tratamento.

Os exames mencionados anteriormente são de suma importância e devem ser realizados previamente à cirurgia. Muitas vezes a quimioterapia deve ser administrada previamente à cirurgia. A literatura médica mostra que mais de 90% dos pacientes completam o tratamento quimioterápico proposto antes da cirurgia, enquanto que apenas cerca de 50% o fazem após a ressecção, dado que após uma gastrectomia, o paciente se encontra em recuperação, ainda em fase de adaptação para as modificações da dieta que se estabeleceram.

Quando o tratamento cirúrgico é adequado e o correto esquema de quimioterapia e/ou radioterapia é aplicado, entre 60% e 70% dos pacientes com doença localizada ou regional tratados irá se curar.

Em nosso serviço, os resultados se assemelham aos observados no Japão e na Coréia, países com os melhores resultados no tratamento desta doença no mundo.

O principal fator de risco para esta neoplasia é a infecção pelo H. pylori, uma bactéria presente em água e alimentos contaminados e que acomete metade da população mundial e que em cerca de 5% dos casos leva a um processo inflamatório crônico do estômago que pode evoluir para neoplasia gástrica.

O alto consumo de sal, de alimentos com conservantes e defumados e a pouca ingestão de frutas e verduras também são fatores de risco relacionados ao desenvolvimento do tumor de estômago.

Outros fatores que podem ser destacados incluem o tabagismo, história familiar de câncer gástrico e cirurgia prévia por úlcera.