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Pacientes e Tudo Sobre o Câncer

Colorretal / Intestino Grosso

O intestino grosso corresponde à parte final do tubo digestivo, entre o intestino delgado e o ânus e é dividido em cólon e reto. Já o intestino delgado se conecta ao cólon em uma região chamada ceco. O cólon ainda pode ser dividido em 4 porções:

  • cólon ascendente, que inclui o ceco e se localiza na parte direita do abdome;
  • cólon transverso, que atravessa a parte superior do abdome da direita para esquerda;  
  • cólon descendente, localizado na parte esquerda do abdome;
  • cólon sigmóide, que tem forma de S e se conecta ao reto, na parte inferior esquerda do abdome.

O reto se localiza na cavidade pélvica, parte inferior do tronco. A parte final do reto é que se conecta ao ânus, por onde saem as fezes.

A principal função do intestino grosso é extrair água e sais minerais dos alimentos previamente digeridos, após passarem pelo estômago e pelo intestino delgado. O conteúdo fecal torna-se mais pastoso e sólido à medida que é conduzido ao longo do cólon, sendo finalmente armazenado no reto, antes da evacuação.

O câncer colorretal, também chamado de carcinoma, tem origem na camada interna do intestino grosso, a camada mucosa. O processo que leva à formação de um carcinoma pode levar vários anos. Antes da transformação em carcinoma, a maioria dos tumores se origina a partir de pequenas lesões chamadas pólipos adenomatosos. Esses pólipos, apesar de benignos, são considerados precursores dos carcinomas colorretais. Portanto, uma das maneiras mais eficazes de evitar o aparecimento de câncer colorretal é por meio da remoção dos pólipos por meio da colonoscopia.

O câncer do intestino grosso (câncer colorretal) é um dos tipos com maior incidência em todo o mundo, principalmente nas regiões mais desenvolvidas. No Brasil é o segundo tumor mais incidente em mulheres e o terceiro em homens (exceto os casos de câncer de pele não melanoma). São estimados cerca de 34.280 novos casos em 2016.

Somente à medida que o tumor progride é que os sintomas tornam-se mais frequentes.

As queixas mais comuns são:

  • alteração do ritmo intestinal;
  • dores abdominais;
  • presença de sangue nas fezes;
  • dor ao evacuar.

Tanto os pólipos como os carcinomas em fases iniciais costumam quase não causar sintomas. Nesse sentido, o rastreamento é fundamental, já que tem como principal objetivo detectar a doença em fase inicial, muitas vezes ainda antes da completa transformação em carcinoma invasor. Com isso as chances de cura se tornam muito mais elevadas.

As recomendações atuais para o rastreamento do câncer colorretal incluem todas as pessoas acima dos 50 anos de idade, independentemente de apresentarem sintomas. No entanto, pacientes mais jovens, com histórico familiar de câncer, também devem ser avaliados.

A colonoscopia é o principal exame para o rastreamento do câncer colorretal. Consiste no estudo endoscópico do intestino grosso, ou seja, a introdução de uma câmera flexível pelo ânus. O exame é realizado sob sedação e requer um bom preparo do intestino por meio do uso de laxantes específicos. Durante a colonoscopia é possível detectar e remover, na maioria das vezes, os pólipos intestinais.

Outros exames também podem ser utilizados, mas a indicação deve ser discutida de maneira individualizada entre médicos e paciente.

Estadiamento

Imediatamente após o diagnóstico de câncer de cólon ou reto, o próximo passo é a realização de exames para estadiamento da doença, que irão identificar a sua extensão. Nesses casos, estão incluídos os exames físicos, laboratorias, radiografias, tomografias, exames de ressonância magnética e, algumas vezes, o PET-CT.

A indicação e a sequência correta desses exames dependem da localização do tumor (cólon ou reto) e da suspeita de metástases. Todo o tratamento é planejado a partir do estadiamento, portanto não é correto iniciar o tratamento antes da identificação do grau de estadiamento.

O tratamento do câncer colorretal é multidisciplinar, ou seja, envolve cirurgia, quimioterapia e, nos tumores do reto, também a radioterapia.

A cirurgia é necessária em praticamente todos os casos e pode ser a única forma de tratamento, nas fases muito iniciais, porém, nem sempre é a primeira forma de tratamento. A sequência correta é baseada na localização do tumor e no estadiamento e deve ser muito bem planejada por uma equipe experiente.

A cirurgia se baseia na remoção do segmento acometido do intestino grosso, com margens de segurança adequadas, incluindo a área de drenagem linfática da região.

Atualmente, muitas cirurgias para tratamento de câncer colorretal são realizadas por videolaparoscopia, técnica que permite incisões menores e recuperação mais rápida.

Em muitos casos de tumores do reto, pode ser necessária a realização de uma colostomia ou ileostomia. Isso significa a exteriorização ("colocar para fora") do intestino na parede abdominal para saída de fezes. Na grande maioria das vezes, a colostomia ou a ileostomia são provisórias, mas às vezes pode ser definitiva. A necessidade desse procedimento depende de vários fatores, sendo o principal deles a proximidade do tumor em relação ao ânus. Avanços nas técnicas cirúrgicas, assim como na radioterapia e na quimioterapia, têm permitido a ampliação das possibilidades de preservação da função evacuatória por via anal.

Já os avanços no tratamento combinado, incluindo quimioterapia e radioterapia, permitem ampliar a indicação da abordagem curativa, mesmo em casos avançados da doença. Para isso, é fundamental dispor de um enfoque multidisciplinar que envolve diversos especialistas, dentro de um centro oncológico especializado que oferecer a melhor estrutura para o tratamento.

Entre os principais fatores de risco dos tumores colorretais estão os hábitos de vida inadequados, como:

  • dieta baseada em consumo excessivo de carne vermelha;
  • rica em gorduras e pobre em fontes de fibras (frutas e verduras);
  • falta de exercícios físicos regulares (sedentarismo);
  • tabagismo;
  • consumo exagerado de bebidas alcoólicas.

Ter uma dieta balanceada, rica em frutas e verduras, praticar regularmente exercícios físicos e não fumar representam medidas de grande benefício para o controle da obesidade, de doenças cardiovasculares, e também do câncer, principalmente, quando iniciadas na juventude.

Apesar da maioria dos casos de câncer colorretal estar associada aos hábitos de vida, sabe-se que alguns tumores têm como causa fatores hereditários, ou seja, um risco que pode ser transmitido de geração em geração.

A ocorrência de vários casos de câncer na família e de pólipos intestinais (pequenos tumores benignos do intestino grosso), principalmente, antes dos 50 anos de idade, indicam uma possível causa hereditária para a doença. A opinião de um especialista é fundamental nestas situações, particularmente, em relação ao diagnóstico e à abordagem dos tumores hereditários.

As chamadas doenças inflamatórias intestinais são raras em suas formas mais severas, mas também apresentam um risco elevado para a ocorrência do câncer colorretal, após alguns anos de evolução da doença. Estas doenças incluem a retocolite ulcerativa inespecífica e a doença de Crohn. Também devem seguir esquemas específicos de acompanhamento para a detecção precoce do câncer colorretal.