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Pacientes e Tudo Sobre o Câncer

Cérebro e SNC

Muitos tipos de tumor têm origem no cérebro e na medula espinhal, que, juntos, compõem o sistema nervoso central (SNC). Seus sintomas, tratamento e prognóstico vão depender do tipo de tumor, sua localização precisa, do tipo de células a partir das quais o tumor se desenvolveu e da idade do paciente; por isso, é importante entender como funciona o sistema nervoso central e os tipos de células que o formam.

Tumores do SNC de adultos e crianças geralmente surgem em diferentes áreas e a partir de diferentes tipos de células, portanto têm tratamentos e prognósticos diferentes. Este documento trata apenas dos tumores de adultos; os de crianças são abordados aqui.

O cérebro é o centro do pensamento, memória e emoção, bem como centro de controle de vários processos orgânicos. A medula espinhal e os nervos da cabeça, chamados nervos cranianos, levam e recebem mensagens transmitidas entre o cérebro e o resto do corpo. Tais mensagens nervosas "dizem" aos músculos quando e como se mover, transmitem as informações coletadas pelos nossos sentidos e ajudam a coordenar o funcionamento de nossos órgãos internos.

O cérebro fica dentro de um conjunto de ossos resistentes, o crânio, que o protege; da mesma forma, a medula espinhal é protegida pelos ossos da coluna vertebral. O cérebro e a medula espinhal são envolvidos e rodeados pelo líquor (ou líquido cefalorraquiano - LCR), que é produzido nas cavidades do cérebro chamadas ventrículos, sendo que estes, bem como os espaços em torno do cérebro e da medula espinhal, são preenchidos pelo LCR.

As principais áreas do cérebro incluem os hemisférios cerebrais, os gânglios basais, o cerebelo e tronco cerebral. Cada uma dessas partes tem uma função específica.

Tumores de diferentes partes do sistema nervoso central afetam diferentes funções e causam diferentes sintomas. Além disso, tumores em diferentes partes do SNC necessitam de diferentes tratamentos e têm diferentes prognósticos.

Os hemisférios cerebrais controlam o raciocínio, pensamento, emoção e linguagem. Comandam os movimentos musculares e recebem as informações sensoriais, como visão, audição, olfato, paladar, tato e dor. Os sintomas causados por um tumor em um hemisfério cerebral vão depender de sua localização.

Um tumor na área motora causa fraqueza numa parte do corpo. Um tumor no lobo frontal, que responde em parte pela personalidade, pode causar mudanças de comportamento; dependendo do local, provocar alterações na visão, audição e sensações. Tumores nesse lobo podem ainda provocar convulsões, sendo que o caráter dessas crises (perda da consciência, movimentos involuntários agitados ou sensações) decorre da localização do tumor.

Os gânglios basais ajudam a controlar os movimentos musculares; tumores ou outros problemas nessa região do cérebro geralmente causam fraqueza, mas em casos raros podem provocar coréia (movimentos rápidos e involuntários) e atetose (incapacidade de manter dedos, língua e outras partes do corpo em posição estável).

O cerebelo controla a coordenação dos movimentos. Tumores cerebelares causam perda da coordenação para caminhar, dificuldade com movimentos delicados de braços e pernas e mudanças no ritmo da fala. O tronco cerebral contém feixes nervosos longos que transportam sinais para controle de músculos e sensações. Centros especiais do tronco cerebral comandam a respiração, batimento cardíaco e o estado de vigília.

Tumores nessa área crítica do cérebro provocam fraqueza, rigidez muscular ou problemas com sensibilidade, audição, movimentos da face ou deglutição. Visão dupla é um dos primeiros sintomas de tumores no tronco cerebral, bem como a perda da coordenação ao caminhar. Como o tronco cerebral é tão essencial, geralmente é impossível remover completamente os tumores dessa área com cirurgia. Nervos cranianos têm importante papel nos sentidos do olfato, visão, audição, paladar e controlam os músculos da face, língua e pescoço, além dos movimentos dos globos oculares.

Da mesma forma que o tronco cerebral, a medula espinhal também contém feixes nervosos bem longos que levam sinais que comandam músculos e controlam sensações do corpo, bem como da bexiga e dos intestinos. Tumores da medula espinhal podem provocar fraqueza, paralisia ou dormência em tronco e membros. Embora a medula espinhal de um adulto tenha mais de 40 cm de comprimento, ela tem menos de 2,5 cm de largura; por ter pequeno volume, os tumores que acometem a medula espinhal geralmente causam sintomas que afetam os dois lados do corpo, como, por exemplo, fraqueza ou dormência em ambas as pernas.

Isso os distingue dos tumores cerebrais, cujos sintomas afetam apenas um lado do corpo; além disso, a maioria dos tumores da medula espinhal aparece abaixo do nível do pescoço, abaixo da região das raízes nervosas que controlam os braços, afetando somente os movimentos e sensações dos membros inferiores.

Tumores podem surgir também nos nervos cranianos ou nos nervos periféricos; o mais comum tumor de nervo craniano, o neuroma (neurinoma, ou ainda, schwannoma) acústico, surge no nervo auditivo e provoca a perda de audição em um ouvido. Tumores que aparecem em outros nervos cranianos podem causar perda de visão (nervo óptico), paralisia facial (nervo facial) ou dor na face (nervo trigêmeo). Tumores do sistema nervoso periférico costumam provocar dormência ou dor na área para onde vai este nervo, bem como fraqueza dos músculos por ele controlados.

Tipos de Células e Tecidos

O cérebro contém diferentes tipos de tecido e células. É importante entender quais são, porque diferentes tipos de tumores podem ter origem nessas células e tecidos, com diferentes prognósticos e tratamentos. Na maioria das outras partes do corpo, é fundamental distinguir tumores benignos dos malignos (que podem se disseminar); no caso dos tumores de cérebro e medula espinhal, porém, isso não é tão relevante, pois eles surgem em áreas tão importantes que podem causar sérios danos mesmo não sendo malignos e não oferecendo risco de disseminação. Ainda assim, tumores cerebrais e do sistema nervoso central podem ser definidos como - mais malignos - ou "mais agressivos" quando se desenvolvem mais rapidamente e se espalham pelo cérebro.

Neurônios: são as células mais importantes do cérebro. Eles enviam sinais (impulsos nervosos) através de longas extensões chamadas axônios, que podem ser curtos ou medir até 90 cm; os impulsos elétricos enviados pelos neurônios determinam todas as funções do cérebro e da medula espinhal, tais como pensamento, memória, emoção, fala e movimento muscular. Ao contrário da maioria dos demais tipos de células, que podem crescer e se dividir para repor células perdidas por danos ou doença, neurônios, com raríssimas exceções, não se dividem depois do nascimento. O câncer originado de neurônios é extremamente raro.

Células da glia: são as células que mais comumente dão origem a tumores chamados gliomas. Há três tipos de células gliais: astrócitos, oligodendrócitos e células ependimárias; um quarto tipo, chamado micróglia, não é, em origem, célula da glia. As células gliais normais crescem e se dividem lentamente. A maioria dos tumores de cérebro e medula espinhal se desenvolve a partir de células gliais:

Astrócitos: esse tipo de célula da glia ajuda a sustentar e a nutrir os neurônios; quando o cérebro sofre algum dano, os astrócitos formam tecido de cicatrização, que ajuda a reparar ferimento.

Oligodendrócitos: são células que fabricam mielina, substância que reveste e isola os axônios do cérebro e da medula espinhal e, desta forma, ajudam os neurônios a transmitir impulsos elétricos através dos axônios.

Células ependimárias: essas células revestem os ventrículos da região central do cérebro e do canal central da medula espinhal, por onde circula o líquido cefalorraquiano.

Micróglias: representam de 10% a 20% da população total de células gliais do cérebro e funcionam como as células de defesa do sistema nervoso central.

Meninges: o revestimento mais externo do cérebro e da medula espinhal é feito por um tecido especializado, as meninges. Da mesma forma que as células ependimárias dos ventrículos, as meninges também formam espaços através dos quais circula o líquido cefalorraquiano.

Células de Schwann: essas células produzem mielina fora do cérebro, revestindo axônios dos nervos cranianos e nervos periféricos que conectam o sistema nervoso central ao resto do corpo.

Plexo coróide: é um tecido presente no interior dos ventrículos e que produz fluido cefalorraquiano (líquor).

Linfócitos: são os principais tipos de células do sistema imunológico e ajudam o organismo a combater infecções; a maioria dos linfócitos é encontrada no sangue, medula óssea e coleções de células do sistema de defesa, chamadas gânglios ou nódulos linfáticos, presentes em todo o corpo. Em condições normais, seu número no sistema nervoso central é reduzido ou nulo. A origem dos linfócitos que vão formar linfomas no cérebro ainda não é clara.

Hipófise ou pituitária: a hipófise não é parte do cérebro, embora esteja conectada a ele; trata-se de uma glândula endócrina (isto é, produtora de hormônios) que fica na base do cérebro.

Pineal: também não é parte do cérebro e, como a hipófise, é uma glândula situada entre os hemisférios cerebrais. Ela produz melatonina, um hormônio que responde a mudanças de luminosidade.

Tipos de Tumores do Cérebro e da Medula Espinhal

Tumores que têm origem em outros órgãos, como nas mamas ou nos pulmões, e então atingem o cérebro, são chamados metastáticos ou tumores cerebrais secundários, e os que têm origem no cérebro são os tumores cerebrais primários. A maioria dos tumores cerebrais, no adulto, vem de cânceres que tiveram origem em outros órgãos e produziram metástase, ou seja, se disseminaram e alcançaram o cérebro. Tumores cerebrais primários têm origem em qualquer um dos diferentes tipos de células do cérebro ou medula espinhal e alguns contêm uma combinação de tipos celulares; tal distinção é importante porque tumores cerebrais primários e secundários exigem tratamentos diferentes.

Em adultos, metástases cerebrais são mais comuns que tumores primários. Ao contrário de outros tipos de câncer, tumores primários do cérebro ou da medula espinhal dificilmente se espalham para órgãos distantes; no entanto, eles causam danos sérios porque se disseminam localmente e destroem tecido cerebral normal onde aparecem; este documento trata apenas dos tumores primários.

Com raríssimas exceções, tumores de cérebro e de medula espinhal nunca são benignos; a não ser que sejam completamente removidos do cérebro ou da medula espinhal, vão continuar a crescer e eventualmente, mesmo depois de muitos anos, causam a morte do paciente.

Meningeoma: não é exatamente um tumor cerebral, já que tem origem nas meninges, as camadas de tecido que recobrem o cérebro e a medula espinhal. Meningeomas causam sintomas ao pressionar o cérebro ou medula espinhal; são bastante comuns e representam cerca de 25% dos tumores cerebrais primários e a maioria dos tumores de medula espinhal. É o tipo mais comum de tumor cerebral em adultos, sendo que sua taxa de incidência aumenta com a idade, sendo maior em pessoas na faixa dos 70 e 80 anos e duas vezes mais comuns em mulheres do que em homens. Eventualmente ocorre em famílias, a maioria delas com uma síndrome que causa múltiplos tumores benignos, a síndrome de von Recklinghausen. Outro fator de risco para esse tipo de câncer é radiação no crânio, particularmente em jovens.

A maioria dos meningeomas (cerca de 85%) é benigna e pode ser curada com cirurgia; alguns, no entanto, surgem em locais perigosamente próximos de estruturas vitais do cérebro e não podem ser curados apenas com cirurgia. Uma pequena parcela dos meningeomas é maligna e pode voltar anos após a cirurgia ou, raramente, se espalhar para outras partes do corpo.

Gliomas: não é um tipo específico de câncer, mas uma denominação genérica que inclui astrocitomas, oligodendrogliomas e ependimomas. Cerca de 42% de todos os tumores cerebrais, incluindo os benignos, são gliomas. Considerando-se apenas os tumores malignos, 77% são gliomas. São menos comuns em crianças, mas sua incidência aumenta com a idade, atingindo o pico entre pessoas na faixa dos 75 aos 84 anos.

Astrocitoma: A maioria dos tumores cerebrais propriamente ditos surge a partir de células chamadas astrócitos e é chamada de astrocitoma, constituindo cerca de 35% dos tumores cerebrais. A maioria deles não pode ser curada porque se espalha amplamente pelo tecido cerebral normal próximo. Algumas vezes, os astrocitomas se disseminam ao longo dos tecidos banhados pelo líquor; com raras exceções, porém, astrocitomas não se disseminam para além do cérebro e medula espinhal.

Em termos gerais, são classificados em astrocitomas de baixo ou alto grau de malignidade, com base na análise microscópica do tecido tumoral; o patologista avaliaas seguintes características do astrocitoma:

  • o quanto as células estão próximas umas das outras dentro do tumor;
  • grau de anormalidade das células;
  • qual a porcentagem de células que estão em processo de divisão;
  • se há vasos sanguíneos anormais no interior do tumor;
  • sse algumas células cancerosas se romperam ou morreram sem tratamento.

Astrocitomas de baixo grau têm crescimento mais lento; já os astrocitomas anaplásicos e os glioblastomas multiformes (GBMs) são de alto grau de malignidade, desenvolvem-se rapidamente, representando 60% de todos os astrocitomas, sendo o tipo mais comum de tumores cerebrais em adultos.

Alguns tipos especiais de astrocitomas tendem a ter prognóstico particularmente bom, são os chamados astrocitomas não-infiltrativos, como, por exemplo, o astrocitoma juvenil pilocítico.

Oligodendrogliomas: esses tumores têm origem nos oligodendrócitos, se espalham de forma semelhante aos astrocitomas e, na maioria dos casos, não podem ser completamente removidos por cirurgia; por vezes se espalham ao longo dos tecidos banhados pelo liquido cefalorraquiano, mas raramente se disseminam para além do cérebro ou medula espinhal. Apenas 4% dos tumores cerebrais são oligodendrogliomas.

Ependimomas: representam cerca de 2% dos tumores cerebrais; surgem das células ependimárias que revestem os ventrículos, e podem bloquear a circulação do líquor, que se acumulará nos ventrículos, dilatando-os, numa condição chamada hidrocefalia. Diferentemente dos astrocitomas e oligodendrogliomas, ependimomas não se espalham nem se infiltram no tecido cerebral normal; como resultado, alguns ependimomas podem ser completamente removidos e curados por cirurgia. Ependimomas de medula espinhal são os que têm as maiores possibilidades de cura cirúrgica. Esses tumores também podem se disseminar pelos tecidos banhados pelo líquor, mas não o fazem além do cérebro e da medula espinhal.

Meduloblastomas: tumores que têm origem em neurônios são raros, mas meduloblastomas são tumores que se originam nos neurônios do cerebelo. Têm crescimento rápido, mas podem ser tratados e curados com cirurgia e radioterapia. Meduloblastomas são mais comuns em crianças e geralmente se espalham ao longo do fluxo do líquido cefalorraquiano; são discutidos em maiores detalhes no documento Câncer de cérebro e sistema nervoso central em crianças.

Ganglioglioma: é o tumor que contém tanto neurônios como células da glia; são raros e têm alto índice de cura com cirurgia apenas ou cirurgia combinada com radioterapia.

Schwannoma (ou neurilemoma): schwannomas têm origem nas células de Schwann, produtoras de mielina, que reveste os nervos cranianos e outros nervos; geralmente são tumores benignos que surgem perto do cerebelo e nos nervos cranianos responsáveis pela audição e equilíbrio. Correspondem a 7% de todos os tumores do sistema nervoso central.

Cordoma: são tumores que começam no osso da parte de trás do crânio ou no extremo inferior da coluna vertebral, não sendo propriamente tumores do sistema nervoso central. Não costumam se espalhar para outros órgãos, mas voltam várias vezes ao longo de 10 ou 20 anos, comprometendo progressivamente o sistema nervoso adjacente.

Linfoma: linfomas têm origem nos linfócitos, o principal tipo de células do sistema imunológico; muitos desses casos ocorrem em pessoas infectadas pelo HIV, o vírus da Aids. Com a melhoria das terapias anti-retrovirais, os linfomas de cérebro estão se tornando cada vez mais raros; além disso, no passado, acreditava-se que os linfomas de cérebro eram altamente malignos, levando à morte do paciente em 1 ano. No entanto, avanços recentes em quimioterapia alteraram radicalmente o prognóstico das pessoas acometidas por esse tipo de linfoma. Para mais informações, consulte o documento Linfoma Não-Hodgkin em adultos.

Se os sintomas sugerem a presença de um tumor do sistema nervoso central, o médico vai elaborar um histórico médico completo e fazer uma avaliação neurológica ou encaminhar o paciente a um neurologista.

Ainda não se sabe ao certo a causa dos cânceres do sistema nervoso central (SNC). Ainda assim, pesquisadores fizeram grandes progressos no sentido de descobrir algumas das alterações químicas que ocorrem no interior das células do cérebro que se tornam cancerosas.

O tumor de cérebro, como os demais tipos de câncer, é causado por anomalias dos genes, os "blocos químicos construtores da vida", que são feitos de DNA e são encontrados em praticamente todas as células do corpo.

DNA é a molécula que carrega as instruções para quase tudo que nossas células fazem. A semelhança dos filhos com os pais é devida ao fato de eles herdarem metade de seu DNA da mãe e a outra metade, do pai; mas essa molécula afeta muito mais que nossa aparência física. Os genes controlam todos os aspectos do metabolismo e é por isso que alterações nos genes causam algumas doenças.

Alterações nos genes são chamadas de mutações e algumas delas (inclusive causadoras de câncer) podem ser herdadas. Recentemente, pesquisadores descobriram que mutações genéticas responsáveis por algumas síndromes hereditárias raras (como a neurofibromatose, esclerose tuberosa ou síndrome de von Hippel-Lindau) estão associadas a um maior risco de aparecimento de câncer do sistema nervoso central.

Algumas outras mutações genéticas podem surgir ao longo do processo de formação do cérebro e da medula espinhal e não são herdadas. Estudos dessas mutações vêm produzindo novos tratamentos experimentais para tipos de câncer do SNC que, no futuro, poderão ser aprimorados.

Muitos tumores do sistema nervoso central apresentam um conjunto de anomalias genéticas. Não se sabe por que pessoas que não herdaram mutações genéticas causadoras de câncer desenvolvem a doença. A maioria dos fatores de risco para o câncer causa danos a certos genes. O cigarro, por exemplo, é fator de risco para o câncer de pulmão e de outros órgãos porque contém substâncias químicas (compostos carcinogênicos) capazes de danificar os genes.

O cérebro está relativamente protegido dos efeitos do cigarro e de outros carcinogênicos que comemos e respiramos. A maioria dos tumores cerebrais se desenvolve a partir de anomalias genéticas sem motivo aparente e sem nada que possa associá-las a algo que a pessoa tenha feito ou deixado de fazer.

Como a maioria dos tumores cerebrais não está associada a fatores de risco e ocorrem sem motivo aparente, também não há meios de preveni-los.

Da mesma forma, não existem exames de sangue ou outros que possam detectá-lo precocemente. Além disso, há poucas evidências de que a detecção precoce influencie o prognóstico. Nos casos de tumores cerebrais e da medula espinhal, os fatores determinantes do prognóstico são a idade do paciente, o tipo de tumor e sua localização.

Sinais e Sintomas

O diagnóstico de tumor do sistema nervoso central (SNC) começa com o desenvolvimento de sintomas, que, em geral, aparecem gradualmente e se agravam com o tempo, num quadro diferente do que ocorre com outras doenças cerebrais, como o derrame, por exemplo; entretanto, algumas vezes esses sintomas também podem aparecer de modo repentino. Caso o quadro clínico sugira a presença desse tipo de tumor, o médico deverá pedir uma bateria de exames e testes.

Tumores cerebrais podem causar sintomas generalizados e específicos. Os generalizados decorrem do aumento da pressão no interior do crânio. Tumores em qualquer parte do cérebro podem elevar a pressão intracraniana, causando dor de cabeça, náuseas, vômitos ou visão embaçada; em casos graves, os sintomas podem incluir letargia (sonolência anormal) e até estado de coma. A dor de cabeça é um dos sintomas mais comuns, presente em metade dos pacientes.

Tumores de cérebro e de medula espinhal causam sintomas específicos porque irritam ou comprometem áreas desses órgãos, como, por exemplo:

  • um tumor cerebral pode irritar o órgão e provocar ataques epilépticos, que podem ser o primeiro sinal de um tumor;
  • o tumor também pode comprometer nervos, levando à perda da função específica, que pode se traduzir como fraqueza de uma parte do corpo, perda da audição ou visão, sensações incomuns ou mesmo dormência de partes do corpo;
  • comprometimento da coordenação motora e dificuldade para executar tarefas comuns;
  • dificuldades para falar ou caminhar;
  • alterações de personalidade ou raciocínio.

Como o cérebro controla as funções de outros órgãos, incluindo a produção de hormônios, há vários outros sintomas que não foram listados aqui. Nenhum dos sintomas aqui mencionados é específico dos tumores cerebrais e do sistema nervoso central, podendo ser causados por outras doenças. Menos de 1% das dores de cabeça são causadas por câncer de cérebro; cerca de 10% das convulsões que aparecem pela primeira vez em adultos são provocadas por tumores cerebrais.

Se o médico suspeita de algum problema, pedirá uma série de exames que produzem imagens dos órgãos internos, como cérebro e medula espinhal, que são a ressonância magnética (RNM) e a tomografia computadorizada (TC), os mais usados no diagnóstico de doenças cerebrais. Esses exames são capazes de detectar 95% dos casos de tumor cerebral, além de fornecer sua localização precisa.

Radiografia de tórax: se o médico detecta um tumor no cérebro, uma radiografia do tórax deve ser feita, porque a maioria dos tumores cerebrais no adulto é secundária, tendo origem em outros órgãos (geralmente os pulmões, em homens, e as mamas, em mulheres), atingindo posteriormente o cérebro.

Tomografia computadorizada (TC): é uma série de imagens detalhadas feitas a partir de várias radiografias transversais da parte do organismo a ser examinada (o crânio, no caso); tal segmento do corpo é posicionado no interior de um scanner, que envolve completamente a mesa em que o paciente fica deitado; aquelas fatias transversais são feitas enquanto o equipamento gira em torno do paciente e, posteriormente, são combinadas por computador, produzindo uma imagem do cérebro. Geralmente, depois que a primeira série de imagens é feita, o paciente recebe uma injeção intravenosa de contraste iodado, o que ajuda a melhor delinear as estruturas internas do organismo; em seguida, outra série de imagens é produzida.

A tomografia demora mais para ser feita que uma radiografia convencional. O exame é indolor, mas alguns pacientes sentem algum desconforto pela necessidade de permanecerem imóveis por vários minutos enquanto o procedimento é feito. Até pouco tempo atrás, esse era o melhor método de detecção de tumores cerebrais, mas a ressonância magnética tem mostrado maior discriminação de imagens.

Ressonância magnética (RNM): a ressonância usa ondas de rádio e ímãs fortes em vez de raios-X. A energia das ondas de rádio é absorvida e depois liberada num padrão dado pelo tipo de tecido do corpo e certas doenças; um computador analisa os dados e os transforma em imagens detalhadas. A ressonância não apenas produz imagens de secções transversais do corpo, como imagens longitudinais, paralelas ao comprimento; geralmente, um contraste chamado gadolínio é injetado no paciente, por via intravenosa. O exame é particularmente útil para examinar o cérebro e a medula espinhal, demorando cerca de meia hora ou mais; é indolor, mas, como o paciente é colocado no interior de um cilindro, cuja superfície fica a poucos centímetros do rosto, pode provocar sensação de claustrofobia em algumas pessoas. Além disso, o equipamento faz um ruído que chega a ser desagradável; alguns centros médicos fornecem fones de ouvido com música para bloqueá-lo.

Espectroscopia por ressonância magnética: esse teste se assemelha à ressonância magnética, exceto pelo fato de que as ondas de rádio interagem com diferentes átomos nos tecidos, e as imagens podem destacar padrões dos tumores de cérebro que não ficam claros com a ressonância convencional, através de medições dos níveis de determinadas substâncias presentes em diferentes situações, como tumores de crescimento lento ou acelerado, alterações após radioterapia, etc. Alguns tumores apresentam sinais específicos que podem ajudar na determinação de que tipo de tumor se trata, mas raramente tornam a biópsia desnecessária. O uso dessa técnica de diagnóstico para tumores de cérebro e medula espinhal ainda está em desenvolvimento.

Tomografia por emissão de pósítrons (PET): esse exame cria uma imagem do cérebro a partir da injeção de uma forma radiativa de glicose. Ao contrário de outros exames que apenas fornecem imagens da forma e tamanho de estruturas internas do organismo, a PET fornece informação sobre a atividade metabólica; a glicose é absorvida em grande quantidade pelas células cancerosas, já que elas se dividem rapidamente e têm metabolismo acelerado. O equipamento avalia a rapidez com que o tumor consome açúcar e a compara com o ritmo de consumo de açúcar do resto do cérebro. Em geral, tumores de alto grau usam mais açúcar que o cérebro normal e tumores de baixo grau usam menos. O exame também é útil durante ou após o tratamento com radioterapia, porque pode evidenciar se as células cancerosas sobreviveram ou foram mortas pelo tratamento, já que células mortas não absorvem glicose. Quando a ressonância não apresenta resultados claros depois do tratamento, a PET pode distinguir entre tecido de cicatrização e um tumor que voltou.

Angiografia: é o outro exame usado algumas vezes para avaliar tumores do cérebro e medula espinhal. Um contraste iodado especial é injetado nos vasos sanguíneos que irrigam a região do sistema nervoso central, permitindo que o médico visualize o suprimento sanguíneo de um tumor. Esse exame é particularmente útil para ajudar o especialista no planejamento de uma cirurgia, podendo também ser empregado para diminuir a irrigação sanguínea de um tumor através da obstrução de artérias e veias com êmbolos ou "rolhas" de material apropriado.

Biópsia: exames por imagem podem sugerir a presença de um tumor no cérebro, mas só a remoção e análise de uma amostra de tecido, isto é, uma biópsia, pode fornecer um diagnóstico definitivo; através da biópsia, o patologista define se o tumor é benigno ou maligno (câncer) e classifica o tipo de lesão. Cirurgiões geralmente não fazem uma biópsia preliminar se planejam operar o paciente na tentativa de remover o tumor ou reduzir seu tamanho, mas, nos casos de tumores inoperáveis -  porque estão em áreas profundas ou envolvem uma área vital - só a biópsia será feita.

Em algumas situações, a imagem de um astrocitoma num exame de ressonância é tão característica que a biópsia é desnecessária, especialmente quando instalado em áreas cerebrais de difícil acesso, como o tronco cerebral; de modo análogo, a PET ou a espectroscopia por ressonância podem fornecer informações suficientes para tornar uma biópsia desnecessária.

O tipo de tumor é um dos fatores - ao lado da idade, estado geral de saúde do paciente e localização do tumor - que influenciam na escolha do tratamento e no prognóstico. Em alguns casos, o neurocirurgião pode planejar uma pequena cirurgia apenas para fazer a biópsia; isso ocorre quando os exames por imagem indicam que o tumor não pode ser removido cirurgicamente ou porque isso causaria sério comprometimento da qualidade de vida do paciente, com seqüelas, ou porque ele está profundamente localizado no cérebro.

Num procedimento chamado biópsia estereotáxica, depois de anestesiar o couro cabeludo, o neurocirurgião perfura o crânio com uma broca e remove uma pequena porção de tecido usando uma agulha fina cuidadosamente guiada com ajuda de tomografia e ressonância; a cabeça do paciente é posicionada numa estrutura rígida que fornece ao cirurgião pontos de referência para o direcionamento adequado da agulha de biópsia. Outra opção consiste em marcar os pontos de referência diretamente na cabeça do paciente e a biópsia ser feita com ajuda de tomografia ou ressonância.

Se o tumor parece ser tratável cirurgicamente, o especialista pode realizar uma craniotomia para remover todo tumor ou a maior parte dele; essa remoção da maior parte do tumor é chamada de ressecção incompleta (ou debulking). Neste caso, pequenas amostras do tumor são imediatamente examinadas pelo patologista para que o diagnóstico preliminar seja feito com o paciente ainda na mesa de operações; tal exame leva cerca de 10 minutos e é chamado de biópsia de congelação. O diagnóstico definitivo demora de 3 a 4 dias.

Punção lombar: neste exame, uma agulha fina é introduzida entre os ossos da coluna vertebral lombar para remoção de líquido cefalorraquiano, que é analisado para ver se contêm células cancerosas. Testes adicionais podem ser feitos no líquor, em busca de outros tipos de células cancerosas ou infecções do sistema nervoso central, e principalmente nos casos de suspeita de linfoma no cérebro, onde as células linfomatosas se disseminam pelo LCR; estes pacientes necessitam de tratamento extra. Nunca é demais enfatizar a imposição de se descartar hipertensão intracraniana, seja com TC ou RNM, antes de realizar uma punção lombar.

Estadiamento é o processo de determinação de o quanto o câncer se espalhou e é um dos fatores mais importantes na escolha do tratamento; também é útil para determinar o prognóstico, isto é, as chances de sobrevida do paciente. Um sistema de estadiamento é um padrão que a equipe médica utiliza para resumir as informações sobre o tumor de cada paciente.

Geralmente, quanto mais disseminado o câncer, mais difícil de tratar ele é; mas o câncer de cérebro e medula espinhal difere do câncer de outras partes do corpo. O aspecto mais letal dos tumores que aparecem no resto do corpo é justamente sua capacidade de se disseminar e atingir outros órgãos; os tumores do cérebro e da medula espinhal, porém, podem se espalhar para outras partes do sistema nervoso central, mas quase nunca atingem outros órgãos; seu aspecto desfavorável é sua capacidade de interferir e comprometer funções cerebrais vitais.

Como a maioria dos tumores cerebrais dificilmente se espalha para outras partes do corpo, a American Joint Committee on Cancer (AJCC) não adota um sistema de estadiamento para tumores de cérebro e medula espinhal. Os mais importantes fatores de prognóstico são:

  • o tipo de célula (astrocitoma, células ependimárias, etc);
  • grau de agressividade do tumor (ou seja, a rapidez com que cresce e se espalha);
  • e a idade do paciente (quanto mais velho o paciente, menores as taxas de sobrevida).

Outros fatores importantes incluem:

  • o grau de dano neurológico e deficiências que o tumor provoca;
  • o tamanho e localização do tumor;
  • e se ele se espalhou, através do líquido cefalorraquiano, para outras partes do cérebro ou da medula espinhal.

Só muito raramente esses tipos de câncer se espalham para além do sistema nervoso central, o que tornaria a situação ainda mais grave.

Tratamento

Tumores do sistema nervoso central (SNC) podem ser tratados com cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia; geralmente, uma combinação dos três é usada. Embora o tratamento possa prolongar a vida do paciente, a maioria dos tumores cerebrais não é curável.

Cirurgia

Na maioria dos casos, o primeiro passo é a remoção cirúrgica da maior parte possível do tumor, dentro de uma margem de segurança para não comprometer funções normais. Alguns tumores podem ser curados apenas com cirurgia ou com cirurgia combinada à radioterapia, sendo eles os meningeomas, alguns ependimomas, gangliogliomas e astrocitomas cerebelares.

Tumores como astrocitomas anaplásicos ou glioblastomas não são curados por cirurgia, porque as células cancerosas se alastram demais pelo tecido cerebral vizinho ao tumor. No entanto, a cirurgia reduz a pressão que o tumor exerce sobre o resto do cérebro. Nos casos em que a lesão é grande e causa pressão significativa, a retirada de tumor, ainda que subtotal, reduz sintomas como dor de cabeça, náuseas, vômitos e visão turva, melhorando a qualidade de vida do paciente, e pode também prolongar sua sobrevida.

Há várias razões pelas quais é melhor, para alguns pacientes, se submeter apenas a uma biópsia por agulha. A cirurgia pode não ser uma boa opção porque o tumor está localizado muito profundamente ou porque está situado em regiões do cérebro com funções muito importantes (como o tronco cerebral), que podem ser afetadas ou ainda porque o estado do paciente não permite que ele seja submetido a uma intervenção de grande porte.

A cirurgia, excluindo-se a biópsia, não é muito eficaz contra alguns tipos de tumores cerebrais, como, por exemplo, os linfomas. O principal tipo de cirurgia para diagnóstico e tratamento de tumores cerebrais é a craniotomia; a colocação de sistemas valvulares (shunts ou derivações), é outro procedimento usado para aliviar os sintomas decorrentes de hidrocefalia obstrutiva, provocada pelo tumor.

Craniotomia: é a abertura cirúrgica do crânio, um procedimento a que os neurocirurgiões estão habituados. É usada para tratar tumores e uma série de outras condições cerebrais. Depois que o paciente é anestesiado, o cabelo é cortado rente, somente na área necessária para o procedimento, e uma incisão é feita na pele. O couro cabeludo é rebatido, expondo-se o crânio, onde pequenos orifícios são feitos com uma broca. O cirurgião, então, conecta esses orifícios com uma serra cirúrgica, permitindo que uma parte da calota craniana seja removida, visualizando-se a dura-máter, ou meninge, que contêm e recobre o cérebro; com a abertura da meninge, o cérebro é exposto.

A craniotomia costuma ser grande o suficiente para o cirurgião inserir múltiplos instrumentos e visualizar partes do cérebro necessárias para completar o procedimento com segurança. No caso de tumor localizado no interior do cérebro, uma incisão é feita no tecido cerebral para que o médico o alcance; para tanto, o neurocirurgião pode usar ressonância, tomografia ou ultrassom para ajudá-lo a localizar o tumor e seus limites.

Neuronavegação: em casos especiais, já é possível utilizar a neuronavegação. Tal recurso consiste na localização precisa do ponto de ataque ao tumor, que o neurocirurgião define através de um instrumento (o apontador), que tem esferas refletoras de raios infravermelhos emitidos por uma fonte e captados por um sistema computadorizado, que é "alimentado" previamente com os exames diagnósticos (RNM ou TC) do paciente, que são então visualizados numa tela, como um "mapa", onde então aparece em que ponto do crânio está o instrumento/arraypontador manipulado pelo cirurgião; dessa forma é possível a remoção segura de tumores localizados em situação difícil e delicada.

Existem várias maneiras de remover um tumor, dependendo de ele ser firme ou mole, sólido ou liquefeito, se contém poucos ou muitos vasos sanguíneos; uma forma é seccioná-lo usando microtesouras. Sucção (com um pequeno tubo de vácuo) e cauterização (uso de corrente elétrica para selar vasos sanguíneos) também podem ser usadas em alguns casos. Para facilitar a sucção, um gerador de ultrassom pode ser aplicado ao tumor para rompê-lo e liquefazê-lo. Tais recursos são acoplados no aspirador ultrassônico (cavitron).

Há vários equipamentos que auxiliam o médico a ver o tumor e os tecidos vizinhos. O cirurgião pode, por exemplo, operar usando um microscópio para melhor ver o tecido cerebral. Como já mencionado, ressonância, tomografia ou ultra-sonografia também podem ser usadas para mapear a área do tumor, de forma a auxiliar o médico a encontrar e delimitar tumores mais profundos.

O neurocirurgião sempre enfrenta o dilema de remover o máximo possível de tumor sem destruir tecido cerebral importante, o que poderia deixar o paciente paralisado, afásico (sem fala) ou com alguma outra forma de deficiência. O cirurgião, porém, pode acompanhar as funções cerebrais estimulando eletricamente partes do cérebro, do tumor e próximas a ele. Isso mostra se a área em questão controla alguma função importante, reduzindo o risco de lesão de partes vitais do cérebro. Tal recurso é denominado neuroestimulação.

Para reconstruir o crânio, o osso temporariamente removido é recolocado e fixado ao crânio por placas, parafusos e suturas especiais. O paciente fica internado por um período de 4 a 6 dias e a recuperação geralmente leva algumas semanas, dependendo, claro, do tamanho e localização do tumor e do estado geral de saúde do paciente.

Implante de sistemas valvulares (shunts): shunt, em inglês, quer dizer desvio, derivação; aqui, significa um sistema de válvula e cateteres implantado para contornar um bloqueio ao líquido cefalorraquiano, que faz com que o fluido se acumule nos ventrículos, no interior do cérebro, causando hidrocefalia e provocando um aumento da pressão intracraniana, pondo em risco a vida do paciente. Esses sistemas valvulares (shunts) são constituídos por tubos de silicone com válvula, que controla a quantidade e direção do fluxo e drena o excesso de líquor do cérebro para as veias do pescoço, para o coração ou para o abdômen.

Normalmente, o implante desses sistemas leva menos de uma hora; podem ocorrer complicações, como em qualquer procedimento cirúrgico, como hemorragia ou infecção. Algumas vezes, os cateteres podem entupir, devendo então ser substituídos. Crianças também precisam substituí-los à medida que crescem.

Radioterapia

A maioria dos tumores cerebrais que não é curada com cirurgia é tratada com radioterapia, que mata as células cancerosas remanescentes. A radiação de fonte posicionada precisamente sobre o tumor é chamada de radiação de fonte externa; já a que é feita colocando-se a fonte radiativa diretamente no tumor é chamada radioterapia de fonte interna ou braquiterapia, atualmente muito pouco empregada.

Como altas doses de radiação podem danificar o tecido cerebral sadio, o especialista planeja o tratamento de forma a centrar a maior dose possível de radiação no tumor e a menor dose possível nos tecidos próximos. Uma nova técnica, chamada radioterapia conformal 3D, usa tomografia e computadores para planejar a irradiação e vem sendo utilizada em centros especializados. Com essa técnica, a radiação pode ser planejada de modo a se combinar com a forma do tumor, o que significa menos danos para os tecidos sadios.

A radiocirurgia estereotáxica é outra técnica desenvolvida para reduzir os danos aos tecidos normais, concentrando altas doses de radiação no tumor e minimizando a que atinge os tecidos normais. Para realizá-la, usa-se um arco estereotáxico - uma espécie de moldura em forma de halo - que é fixado à cabeça do paciente, e tomografia ou ressonância, que fornecem a localização precisa do tumor em relação ao arco. Vários feixes de radiação relativamente fracos são apontados para o tumor a partir de diferentes direções. Tais feixes fracos convergem para o mesmo ponto (o tumor), onde se somam para criar uma dose capaz de matar as células cancerosas.

Esse tratamento é bastante útil para tumores de cérebro e medula espinhal que não podem ser removidos ou reduzidos cirurgicamente ou quando o estado geral do paciente não permite que seja submetido à cirurgia complexa. A radiocirurgia pode ser feita em dose única ou em várias sessões, distribuídas ao longo de várias semanas, quando é chamada de radiocirurgia estereotáxica fracionada.

Exames como ressonância e punção lombar podem ser feitos para verificar se o tumor atingiu as meninges por meio do líquor; se isso ocorreu, pode ser necessária a radioterapia em todo cérebro e canal vertebral.

Metade dos meduloblastomas e praticamente todos os germinomas são curados por radioterapia. Infelizmente, isso não ocorre com a maioria dos tumores cerebrais: astrocitomas, oligodendrogliomas e ependimomas não são curáveis por radioterapia.

A radiação provoca mais danos às células cancerosas do que às células normais; de qualquer forma, ela pode danificar tecidos sadios do cérebro e medula espinhal. Algumas vezes, uma grande massa de tecido morto se forma no local irradiado, algo que pode ocorrer meses ou mesmo anos após o tratamento. A chamada necrose pós-radiação inclui tecido canceroso e não canceroso. Pacientes com necrose de radiação geralmente têm melhor prognóstico que pacientes com tumores recorrentes, mesmo quando o tecido morto precisa ser retirado cirurgicamente. Um número reduzido de pacientes com necrose de radiação, porém, tem prognóstico ruim e alguns morrem.

Se grandes áreas cerebrais são submetidas à radioterapia, pode haver alteração das funções cerebrais, com perda de memória e dificuldades de raciocínio. Embora esses sintomas não sejam tão severos quanto os causados pelo tumor, ainda assim reduzem a qualidade de vida do paciente.

Quimioterapia

Quimioterapia Sistêmica: é o uso de drogas para matar as células cancerosas, que podem ser administradas por via oral ou injetadas, atingindo a corrente sanguínea e se espalhando por todo o organismo. Algumas drogas, porém, não conseguem atingir o alvo por causa da barreira hemato encefálica, que impede que certos medicamentos cheguem ao cérebro e à medula espinhal. Tumores malignos podem romper essa barreira, mas essa ruptura não é completa. Isso significa que um agente quimioterápico injetado ou administrado por via oral tem menos probabilidade de atingir um tumor no cérebro do que em outras partes do corpo. Mesmo assim, a quimioterapia pode funcionar e é bastante usada, especialmente nos tumores de alto grau (bastante agressivos). Na maioria das vezes, os quimioterápicos são usados junto com a radioterapia ou após o tratamento radioterápico. Alguns tipos de câncer de cérebro - linfomas, por exemplo - respondem muito bem à quimioterapia.

O objetivo dos quimioterápicos é matar as células cancerosas, mas eles também podem danificar as células saudáveis. Por isso, muitas vezes a quimio produz alguns efeitos colaterais, que dependem do tipo de droga e da dosagem empregada, além da duração do tratamento.

As drogas quimioterápicas atacam especificamente as células que se dividem rapidamente - são úteis porque as células do câncer se reproduzem mais depressa que as células normais. No entanto, alguns tecidos normais, como a medula óssea, o revestimento da boca e dos intestinos, e os folículos capilares também se dividem com rapidez, para repor as células que morrem naturalmente. Por isso, essas células também são afetadas pela quimioterapia. Como resultado, o paciente pode apresentar uma série de efeitos colaterais, entre eles:

  • perda de cabelos;
  • lesões na boca;
  • maior risco de infecções (devido à queda no número de glóbulos brancos);
  • aparecimento de manchas roxas ou sangramentos freqüentes;
  • após pancadas leves ou pequenos cortes (por causa da queda no número de plaquetas);
  • fadiga (provocada pela baixa no número de glóbulos vermelhos);
  • perda de apetite;
  • náuseas e vômitos.

A maioria desses efeitos colaterais é temporária e desaparece com o término do tratamento. Há várias maneiras de reduzir esses efeitos e geralmente medicamentos que evitam ou reduzem a náusea e os vômitos são administrados com a quimioterapia. Além disso, drogas chamadas fatores de crescimento são utilizadas para recompor a contagem de glóbulos brancos - e reduzir o risco de infecções - bem como o uso de antibióticos, administrados ao menor sinal de infecção. Há medicamentos e procedimentos (como transfusões) que ajudam também a restabelecer a quantidade de glóbulos vermelhos e plaquetas.

A quimio também pode causar efeitos colaterais de longo prazo, que podem aparecer anos após o tratamento; um deles é o desenvolvimento de leucemia, por causa de danos à medula óssea. Outros são lesões cardíacas, renais ou neurológicas. Todos esses riscos são cuidadosamente levados em consideração antes e durante o tratamento.

Implante de Carmustina: o Gliadel Wafer é um disco de cerca de 1,45 cm de diâmetro, feito de um polímero biodegradável, que libera carmustina aos poucos, diretamente no local do tumor. Esses discos são colocados nos tumores cerebrais durante a cirurgia. É um tipo de quimioterapia local, que aumenta a concentração da droga e produz efeitos colaterais mínimos em outras partes do corpo.

Inibidores de fatores de crescimento: são drogas que bloqueiam os fatores de crescimento que estimulam a expansão dos tumores. Erlotinib (Tarceva) e gefitinib (Iressa) são drogas dessa classe e que conseguiram reduzir os tumores de alguns pacientes.

Outras Drogas

Muitas vezes, corticosteróides, como a dexametasona, são administrados para reduzir o inchaço que se desenvolve ao redor dos tumores cerebrais, aliviando as dores de cabeça e outros sintomas; além disso, podem ser receitadas drogas, como a difenilhidantoina (Hidantal), que previnem convulsões, comuns em pacientes com esse tipo de tumor. Além desta, existem várias outras drogas anticonvulsivantes que podem ser usadas dependendo do caso; é importante destacar que esses medicamentos interagem com outras drogas, inclusive quimioterápicos, e só devem ser usadas se o tumor causar convulsões.

Tratamentos Específicos por Tipo de Tumor

Astrocitomas Não-Infiltrativos: esses tumores incluem os astrocitomas juvenis pilocíticos, que geralmente atingem o cerebelo de indivíduos jovens, e os astrocitomas subependimais de células gigantes, quase sempre estão associados à esclerose tuberosa. Na maioria desses casos, estes astrocitomas são curados com cirurgia apenas; pacientes de mais idade, porém, têm menos chances de cura. Radioterapia pode ser usada, particularmente se o tumor não for completamente removido por cirurgia.

Astrocitomas de Baixo Grau (astrocitomas infiltrativos ou difusos): como esses tumores infiltram o tecido cerebral normal, não podem ser curados por cirurgia. Depois que a maior parte possível do tumor é retirada, o paciente costuma ser submetido à radioterapia; ela pode ser adiada nos pacientes mais jovens para verificar se o tumor progride. Estão sendo realizados estudos para analisar o papel da quimioterapia no tratamento desses tumores; muitos médicos, por exemplo, vêm recomendando a quimioterapia associada à radioterapia. A taxa de sobrevida 5 anos após o diagnóstico para os pacientes com mais de 45 anos é de apenas 25%.

Astrocitomas de Alto Grau (astrocitomas anaplásicos e glioblastomas multiformes): estes astrocitomas não são curáveis por cirurgia apenas; depois que a maior parte possível do tumor é removida, o paciente é tratado com radioterapia, associada ou seguida por quimioterapia. Temozolomide, cisplatina ou carmustina (BCNU) eram as drogas mais usadas nestes casos.

Estudos recentes mostram que a associação de temozolomide e radioterapia é melhor para prolongar a vida do que a radioterapia sozinha. Como temozolomide é um comprimido, fácil de administrar e bem sucedida no prolongamento da vida do paciente, é a droga mais usada pelos médicos. Além disso, um teste clínico recente mostrou que a radioterapia pode ser reduzida de 6 para 3 semanas e ser igualmente efetiva. Outro tratamento combina três drogas: lomustina, procarbazina e vincristina. Todos esses tratamentos têm algum sucesso, mas não são curativos. Várias outras combinações de drogas estão sendo testadas e avaliadas. Em geral, o prognóstico para a maioria dos adultos com esses tumores não é bom e piora com o aumento da idade do paciente. A taxa de sobrevida 5 anos após o diagnóstico para pacientes com mais de 45 anos varia de 16%, no caso dos astrocitomas anaplásicos, a 2% ou menos para os glioblastomas.

Linfomas: esses tumores não são curáveis por cirurgia porque tendem a se disseminar amplamente pelo cérebro e podem ser encontrados em várias áreas do órgão. Nestes casos, o papel da cirurgia é para biópsia e diagnóstico apenas. Embora no passado o tratamento-padrão fosse a radioterapia de todo o cérebro, tal abordagem está sendo abandonada por causa dos efeitos colaterais de longo prazo, sendo que médicos hoje recomendam a quimioterapia como o principal tratamento de linfomas. A droga mais usada é o metotrexato, injetado em doses altíssimas; geralmente após 24 horas, um segundo medicamento, chamado leucoverina cálcica, é dado para neutralizar o metotrexato; corticosteróides também podem ser usados para reduzir o tumor. Em pacientes que não sofrem de Aids o tratamento com radio e quimioterapia pode produzir remissão por longos períodos.

O índice de sucesso do tratamento é mais baixo em pessoas com deficiências do sistema imunológico, como a Aids. Linfomas de cérebro ocorrem em 2% a 6% dos pacientes com Aids em estágio avançado; embora tais pacientes possam responder ao tratamento, particularmente à radioterapia, a doença pode estar tão avançada que sua sobrevida é pequena. A quimioterapia não é tão eficaz em pessoas com linfomas de cérebro e Aids, porque elas não suportam seus efeitos colaterais. No entanto, esse quadro vem mudando por causa da eficácia dos novos tratamentos anti-Aids. Não apenas a incidência de linfomas cerebrais está caindo em pacientes com Aids, como também a doença está se tornando mais tratável.

Como os linfomas também podem envolver o líquor, geralmente se faz a punção lombar. Se o fluido contém células de linfoma, então os quimioterápicos serão injetados no canal vertebral várias vezes. Embora isso possa ser feito através de punções repetidas, a maioria dos médicos opta pela colocação de um reservatório de Ommaya que leva ao líquor. Colocado sob o couro cabeludo e um tubo bem fino alcança os ventrículos cerebrais onde o líquor é produzido. A medicação pode ser injetada através da câmara de silicone que sela a extremidade do equipamento, logo abaixo do couro cabeludo. Seguidas injeções nesse local são bem menos desconfortáveis que uma série de punções entre os ossos da coluna vertebral. Para mais informações sobre linfomas, consulte o documento Linfomas Não-Hodgkin em Adultos.

Oligodendrogliomas: esses tumores infiltrativos não costumam ser curados por cirurgia, embora ela possa aliviar sintomas e prolongar a sobrevida. O papel da radioterapia ainda não é certo, mas muitos médicos acreditam que ela pode retardar novo crescimento do tumor. A quimioterapia também tem se mostrado útil em alguns tumores anaplásicos e mais agressivos, e mais da metade destes pacientes se beneficiam da combinação de 3 drogas: lomustina, procarbazina e vincristina. Outro regime quimioterápico bem-sucedido é o uso de temozolomide, que é um comprimido. A taxa de sobrevida 5 anos após o diagnóstico está em torno do 50% em pacientes com mais de 45 anos.

Ependimomas: estes tumores não infiltram o tecido cerebral normal e em alguns casos podem ser curados com cirurgia apenas; entretanto, na maioria das vezes, não podem ser completamente removidos na operação. A radioterapia tem se mostrado útil para retardar novo crescimento do tumor e a quimioterapia também pode ajudar alguns pacientes. A taxa de sobrevida 5 anos após o diagnóstico está em torno de 70% para pacientes acima dos 45 anos.

Meningeomas: estes tumores podem ser curados se completamente removidos na cirurgia. Alguns, particularmente os situados na base do crânio, não podem ser retirados na operação. Nesses casos, ou quando o tumor volta depois de totalmente retirado, a radioterapia pode controlar o novo crescimento do tumor. Como seu crescimento é lento, meningeomas pequenos ou assintomáticos, especialmente em idosos, podem ser apenas monitorados, e não tratados.

Schwannomas: são geralmente benignos e podem ser curados com remoção cirúrgica; em alguns serviços, pequenos schwannomas acústicos são tratados com radiocirurgia estereotáxica. No caso dos schwannomas malignos, a radioterapia costuma ser usada após a cirurgia.

Tumores da medula espinhal: são tratados de forma similar à dos tumores cerebrais. Meningeomas são removidos cirurgicamente, da mesma maneira que alguns ependimomas da medula espinhal. Se um ependimoma não puder ser totalmente retirado, faz-se radioterapia após a cirurgia. Astrocitomas da medula espinhal também não podem ser completamente removidos e, após a biópsia, são tratados com radioterapia.

Alguns tumores cerebrais são mais comuns em crianças, embora eventualmente possam acometer adultos. Entre eles se incluem os astrocitomas do tronco cerebral, tumores de células germinativas, tumores do plexo coróide, meduloblastomas e tumores neuroectodérmicos primitivos. O tratamento desses tipos de câncer pode ser encontrado no documento Câncer de Cérebro e Medula Espinhal em Crianças.

Fatores de Risco e Prevenção

Fator de risco é qualquer coisa que aumente o risco de uma pessoa ter determinada doença; diferentes tipos de câncer têm diferentes fatores de risco. A exposição ao sol é fator de risco para o câncer de pele, assim como o cigarro é fator de risco para o câncer de pulmão, laringe, boca, bexiga, pâncreas, rins e vários outros órgãos. Ter um fator de risco ou vários, no entanto, não significa que a pessoa vai ter câncer.

A maioria dos tumores de cérebro não está associada a fatores de risco: eles simplesmente se desenvolvem sem motivo aparente. Há poucos fatores de risco associados a tumores cerebrais.

Fatores Ambientais

O único fator de risco ambiental estabelecido para tumores de cérebro é a radiação. Antes de os riscos da radiação serem reconhecidos, até mesmo crianças com infecções por fungos na cabeça recebiam radioterapia de baixas doses, o que aumentava consideravelmente o risco de câncer de cérebro mais tarde.

Hoje em dia, a maioria dos tumores cerebrais secundários à radiação é causada por radioterapia prévia para tratamento de outros tipos de câncer, como, por exemplo, crianças que receberam radiação no crânio para tratamento de leucemia. O desenvolvimento de novos tumores de cérebro ocorre em torno de 10 a 15 anos após o primeiro tratamento; por isso - e por causa dos efeitos colaterais - a radioterapia só deve ser administrada a crianças após cuidadosa análise dos riscos e benefícios. Para a maioria dos pacientes com câncer de cérebro ou outras áreas da cabeça, os benefícios da radioterapia superam em muito os riscos de aparecimento de um tumor anos depois.

Outros fatores ambientais, como a exposição ao cloreto de vinil (gás inodoro usado na produção de plásticos), a derivados de petróleo e outros produtos químicos, foram associados a um aumento de risco em alguns estudos, mas em outros essa correlação não apareceu. O consumo de aspartame (um adoçante) e a exposição a campos eletromagnéticos de celulares ou a redes de alta tensão também foram colocados na lista de fatores de risco, mas a maioria dos pesquisadores concorda que não há evidências convincentes dessa relação.

Na verdade, nenhum estudo encontrou qualquer relação entre o uso de celulares e tumores cerebrais.

Problemas do Sistema Imunológico

Pessoas com problemas do sistema imunológico correm maior risco de desenvolver linfomas no cérebro e medula espinhal; linfomas são um tipo de câncer dos linfócitos, um tipo de célula do sistema de defesa do organismo, e geralmente aparecem nos gânglios linfáticos, sendo que os primários do sistema nervoso central são mais raros que os demais. Deficiências do sistema imunológico podem ser congênitas (presentes no nascimento), efeito colateral de tratamento de outros tipos de câncer, do uso de imunossupressores para impedir a rejeição de órgãos transplantados ou ainda decorrentes da Aids.

Histórico Familiar

Alguns casos raros de câncer do sistema nervoso central afetam famílias. Geralmente, pacientes com síndromes familiais de câncer têm tumores múltiplos que aparecem na juventude. Algumas dessas famílias sofrem desordens conhecidas, entre elas:

  • Neurofibromatose tipo 2: é uma condição hereditária associada a schwannomas de ambos os nervos auditivos e, em alguns pacientes, meningeomas múltiplos ou ependimomas da medula espinhal
  • Esclerose tuberosa: pacientes com essa outra condição hereditária podem apresentar astrocitoma subependimal de células gigantes (astrocitomas de baixo grau que se desenvolvem a partir de células ependimárias da parede dos ventrículos), além de tumores de pele, coração ou rins
  • Síndrome de von Hippel-Lindau: é associada a uma tendência hereditária de desenvolver hemangiomas (tumores de vasos sanguíneos) no cerebelo ou na retina bem como carcinomas renais

Tumores cerebrais malignos são raros nessas síndromes; outras famílias, porém, podem ser portadoras de um problema genético pouco conhecido ou que pode ser único, afetando uma só família.

Uso de Telefone Celular

Esse tema foi objeto de muita discussão e de um enorme número de estudos, a maioria dos quais não encontrou qualquer ligação entre o uso de celular e o aparecimento de tumores no cérebro. Poucas pesquisas, a maioria realizada na Suécia, sugerem que pessoas que usam celular por muito tempo todos os dias, durante anos, têm risco maior de desenvolver tumores cerebrais. A maioria dos especialistas, porém, acredita que novas pesquisas são necessárias para verificar se essas afirmações têm algum fundamento.