Nova teoria pode explicar o aparecimento de metástases

Uma nova explicação para o surgimento de metástases foi apresentada recentemente em São Paulo durante o 8º Workshop on Melanoma Models, dentro da 12ª Conferência do Grupo Brasileiro de Melanoma.

A ideia do pesquisador Colin Godin, do Instituto Ludwig de Pesquisa do Câncer, ligado à Universidade de Oxford, no Reino Unido, parte de um mecanismo desenvolvido pelas primeiras bactérias que habitaram a Terra, 3 bilhões de anos atrás, para explicar como algumas células se desprendem do tumor e tentam colonizar outras partes do corpo. "Achei muito interessante, porque o modelo que ele apresentou a partir de estudos com melanoma pode ser aplicado a todos os tipos de câncer", afirma Dr. João Pedreira Duprat Neto, Diretor do nosso Departamento de Câncer de Pele.

Gobin parte do princípio de que um tumor não é uma massa de células idênticas, mas heterogêneas, da mesma forma que as células do nosso corpo, que têm o mesmo DNA, mas são diferentes de tecido para tecido. É essa característica que explica, por exemplo, porque um câncer pode responder bem a um tratamento e depois de alguns meses se tornar resistente à terapia. "São populações diferentes de células no mesmo tumor. Algumas continuam produzindo melanina, outras proliferam rapidamente, outras mais lentamente, mas com um perfil invasivo", exemplificou Gobin.

Para o cientista, um dos processos que pode tornar o tumor invasivo, ou seja, dar início às metástases, é a escassez de nutrientes. Mas não porque eles estejam realmente em falta, mas porque o sistema imune produz substâncias que enganam a célula cancerígena provocando um falso estado de nutrição. "Esses sinais disparam um mecanismo que faz a célula tumoral migrar em busca de nutrientes. Se conseguirmos enganar essa célula, bloqueando esses sinais, ela morre, porque não haverá quantidade suficiente de nutrientes para se reproduzir", explicou o pesquisador. 

"Muito antes de sermos organismos complexos, fomos organismos simples como bactérias e elas procuram sempre se multiplicar quando há nutrientes disponíveis. Se não há nutrientes, elas se deslocam para buscá-los em novos habitats", comenta Dr. Duprat. "Somente com a evolução nos tornamos organismos complexos, em que as células são submetidas a um rígido controle para sua reprodução. O câncer é a falha nesse mecanismo de controle".

 

Dr. João Pedreira Duprat Neto - CRM 49571
Diretor do Departamento de Câncer de Pele
Especialista em Cirurgia Oncológica - RQE nº 42350

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