Saiba mais sobre Gastrectomia

O câncer gástrico (ou do estômago) é o quarto tipo mais frequente no mundo e o único tratamento capaz de curar a doença é a cirurgia. Assim, partes do estômago ou o órgão completo podem ser removidos e, provavelmente, nesse momento, surge a maior dúvida: como continuar a se alimentar e a viver sem o estômago? Neste artigo, Dr. Felipe Coimbra, Diretor do Núcleo de Abdomen, esclarece as principais dúvidas sobre o tema.

O que é Gastrectomia?
A Gastrectomia é um procedimento cirúrgico que consiste na retirada de parte ou de todo o estômago e que pode ser realizado para tratamento de algumas doenças, desde o tratamento de obesidade, úlceras pépticas de estômago (rara indicação hoje em dia), tumores benignos e câncer de estômago (tumor maligno). Quando é realizado uma gastrectomia parcial, o que restou do estômago é anexado ao intestino delgado. Na necessidade da remoção cirúrgica de todo o estômago (gastrectomia total), o esôfago é ligado diretamente ao intestino delgado.

Qual a função do estômago na digestão?
O estômago é um dos principais órgãos responsáveis pela digestão dos alimentos consumidos pelo ser humano, mas não o único. É por meio dele e de seus movimentos peristálticos, coordenados, que ocorre a mistura e quebra dos alimentos, principalmente das proteínas, em pequenos fragmentos que irão facilitar a digestão, com a ação do ácido clorídrico e das enzimas digestivas, como a pepsina. Tem também a função de reservatório e de transformar o bolo alimentar em conteúdo mais líquido que facilitará o restante do processo, além de liberar aos poucos o alimento para o intestino e ajudar a absorção de algumas vitaminas. Porém, se alguém sofrer com neoplasia - formação de tumores que causam câncer de estômago, por exemplo - poderá recuperar a digestão e viver normalmente?

Como fica a digestão após a retirada do estômago (gastrectomia)? É possível viver bem sem estômago?
Quando há a indicação médica de se remover parte ou todo o estômago é necessário cuidado nutricional especial para que o organismo se acostume com a nova condição e permita uma vida saudável, mesmo que com algumas mudanças. Normalmente a quantidade de alimentos que se consegue comer de cada vez diminui, pois o reservatório foi reduzido, e o controle de liberar lentamente os alimentos para o intestino também é alterado, podendo ocorrer a liberação mais rápida de alimentos mal digeridos para o intestino, causando muitas vezes o que se chama de síndrome de Dumping (despejo).

A síndrome de Dumping é caracterizada por dor abdominal, diarréia, taquicardia, hipoglicemia (queda da glicose no sangue), mal estar e queda de pressão. Entretanto, apenas cerca de 25 a 50% dos pacientes apresentam esta sintomatologia ou mesmo algum sintoma. Vale ressaltar que a síndrome de Dumping pode ser evitada com adequada orientação alimentar e nutricional. As demais fases da digestão continuam normais, o que inclui a ação da mastigação, enzimas digestivas da saliva, do intestino, do pâncreas, a bile, etc. Há a necessidade de suplementação de vitamina B12, principalmente quando é realizada a gastrectomia total, pois o estômago é responsável pela produção de uma substância (chamado de fator intrínseco) que se liga à vitamina B12 para que ela seja absorvida no intestino. Sem isso, a absorção pelo aparelho digestivo ficará prejudicada e sua deficiência pode causar um tipo específico de anemia. A necessidade de suplementação de ferro, cálcio e outras vitaminas depende de cada caso. Tomando-se alguns cuidados básicos e sob orientação nutricional adequada a pessoa que teve o estômago removido cirurgicamente pode ter uma vida saudável e com qualidade alimentar após um período inicial de adaptação. A interação do cirurgião, paciente e nutricionista é essencial nesta retomada.

Quantidade e qualidade. Dicas para uma alimentação saudável após a gastrectomia.
Como consequência da remoção de parte ou todo o estômago, quando se tem uma gastrectomia, pequenas porções de alimentos já são suficientes para se ter a sensação de saciedade. Alterar o que e quando comer pode gerar os melhores e mais rápidos resultados em se receber nutrientes de forma adequada. Por exemplo, ao invés de realizar duas ou três grandes refeições durante o dia todo, o paciente deve se adaptar a várias refeições em pequenas porções durante o decorrer do dia.

Cada refeição deve ser rica em nutrientes, com alta taxa proteica e poucos açucares. Deve-se ter cuidado com açucares, principalmente refinados, que podem desencadear a síndrome de Dumping.   

Algumas pessoas notam melhor tolerância a algumas texturas e consistências de alimentos após a gastrectomia. Por exemplo, alimentos em temperatura ambiente são melhores tolerados que aqueles muito quentes ou gelados. Escolha alimentos com consistência mais mole, vegetais bem cozidos, carnes macias. Vegetais crus e fibrosos devem ser evitados. Não se deve consumir líquidos no mesmo momento da refeição. E deve-se deixar um intervalo de pelo menos 30 minutos entre a refeição e a ingestão de líquidos.

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