Câncer e diabetes, uma relação delicada

Câncer e diabetes são doenças frequentes e com impacto profundo na qualidade de vida dos pacientes. Em muitos casos, podem estar associadas. Diversos estudos epidemiológicos apontam que pessoas diabéticas têm maior risco de desenvolver tumores. No início de setembro, um trabalho publicado no periódico Diabetologia sugeriu que até mesmo o pré-diabetes pode elevar esse risco. Após revisar 16 estudos de diversos países de origem sobre diabetes, pesquisadores concluíram que o risco de câncer aumenta 15% entre pré-diabéticos; e avaliando entre pacientes com índice glicêmico elevado, somado ao sobrepeso ou obesidade, o número salta para 22%.

Mas como exatamente o câncer está relacionado ao diabetes, mais especificamente o diabetes tipo 2? Dr. Felipe Coimbra, Diretor do Núcleo de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo, explica que essa conexão ainda não foi estabelecida precisamente, mas que existem grandes hipóteses a respeito. A primeira propõe que tanto o câncer quanto o diabetes ou o pré-diabetes possuem fatores predisponentes em comum, como sedentarismo, sobrepeso e má alimentação. A segunda sugere que câncer e diabetes podem ser desencadeados pelos mesmos mecanismos moleculares e genéticos. Já a terceira, ainda pouco estabelecida, sugere que a insulina aplicada por pacientes diabéticos, por ter um efeito "anabolizante", pode estimular o crescimento celular, o que favorece o desenvolvimento de tumores.

"Existe também a hipótese de que outras medicações utilizadas no tratamento do diabetes possam predispor ao câncer, mas trata-se de uma possibilidade bastante remota", esclarece Dr. Felipe. "Hoje, as teorias mais aceitas sugerem que ambas as doenças derivam de fatores causais comuns ou que o diabetes pode predispor ao câncer por causa de alterações hormonais e moleculares ainda não identificadas", continua ele.

O diabetes tipo 2 está relacionado ao desenvolvimento de câncer de pâncreas, fígado, intestino, endométrio e bexiga. No entanto, os tumores de fígado e pâncreas são os mais fortemente associados. "Estudos apontam que diabéticos têm risco duas vezes maior de ter câncer de fígado ou pâncreas e 1,5 vezes maior de ter câncer de intestino, mama e bexiga", conta Dr. Felipe. A associação mais intensa se dá com o câncer pancreático, no qual 70% dos pacientes também têm diabetes, que pode ser tanto a causa como um efeito tardio da doença; o verdadeiro motivo de conexão ainda está em estudo.

Diante de tais números, será que pessoas diabéticas precisam fazer mais exames para detecção de câncer do que outros pacientes? "Ainda não é recomendado que diabéticos façam exames mais vezes ou mais cedo", responde Dr. Felipe, destacando que nesse universo de pacientes é importante a realização de um bom acompanhamento médico, além de reforçar as medidas de prevenção, como alimentação balanceada, controle do peso, prática de exercícios físicos etc. "Muitas vezes, as medidas simples são as que trazem melhores resultados", afirma.

No entanto, o especialista destaca que, caso haja qualquer "descompensação" no diabetes, é importante não se restringir ao tratamento dos sintomas e fazer uma investigação profunda, para verificar se não há possibilidade de câncer ou outros problemas no pâncreas. "Além disso, o câncer é uma doença multifatorial, portanto pacientes diabéticos que possuem outros fatores de risco para a doença, como histórico familiar, tabagismo ou obesidade talvez precisem de um acompanhamento mais constante", finaliza ele.

Núcleo de Cirurgia Abdominal

O Núcleo de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo proporciona o tratamento de tumores de esôfago, estômago, pâncreas, fígado, metástases hepáticas, GIST, neuroendócrinos, dentre outros. Mantém contato permanente com as mais renomadas instituições internacionais para que haja a constante atualização da equipe em relação ao que há de mais moderno e eficiente para o manejo do câncer. Um dos grandes diferenciais da área é a realização de cirurgias de alta complexidade e a atuação integrada, com todas as especialidades envolvidas no tratamento oncológico dos tumores do aparelho digestivo e abdominais, desde a prevenção, tratamento até a reabilitação.

Dr. Felipe José Fernández Coimbra - CRM 93020
Diretor do Núcleo de Cirurgia Abdominal
Especialista em Cirurgia Geral - RQE nº 30635
Especialista em Cancerologia/Cirúrgica - RQE nº 30634

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