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Pesquisa de Linfonodo Sentinela: método que contribui para o tratamento mais eficaz do câncer de vulva
Pesquisa de Linfonodo Sentinela: método que contribui para o tratamento mais eficaz do câncer de vulva


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Publicado em: 31/05/2016

Existem centenas de linfonodos no organismo humano. Também chamados de gânglios linfáticos, servem como mecanismo de defesa contra agentes nocivos, como bactérias e toxinas. Portanto, caso haja um tumor em algum órgão, células cancerígenas poderão atingir um grupo de gânglios, que poderá ser retirado para evitar o risco de a doença evoluir. O Linfonodo Sentinela é o primeiro gânglio desse grupo a drenar as substâncias em cada parte do corpo.



Nos casos de câncer de vulva, o fundamento da pesquisa de Linfonodo Sentinela, localizado na virilha (região inguinal) é muito importante. O procedimento remove somente esse primeiro gânglio, cuja ausência de células tumorais indica que os outros linfonodos também não foram afetados. O procedimento é aplicado em casos de tumores de até quatro centímetros de tamanho, quando é possível retirá-lo somente por cirurgia. As principais vantagens dessa técnica são o menor risco de complicações e melhor qualidade de vida da paciente no período pós-operatório.

"De maneira geral, 30% dos casos de câncer da vulva possuem linfonodos afetados pelo tumor", explica Dr. Glauco Baiocchi Neto, diretor do Departamento de Ginecologia Oncológica do A.C.Camargo. "É muito importante saber se estão comprometidos ou não. Caso estejam, é necessário retirar os gânglios restantes do local e evitar o risco de retorno da doença. Em casos negativos, não retiramos os outros linfonodos e evitamos possível surgimento de complicações desnecessária para 70% das pacientes", complementa.

Como é realizado
A amostra para a pesquisa do Linfonodo Sentinela é recolhida durante a retirada do tumor da vulva. No dia anterior ao procedimento, injeta-se na paciente uma substância chamada Tecnécio e no dia da cirurgia um corante azul. Esses elementos serão drenados pelos gânglios linfáticos e vão indicar qual é o Sentinela, que será removido pelo cirurgião e enviado para o patologista.

O resultado é obtido após minuciosa análise e busca por micrometástases nesse gânglio. "Se não houver sinais de células tumorais no Linfonodo Sentinela, será necessário somente um acompanhamento da paciente", orienta Dr. Glauco Baiocchi. A retirada de todos os gânglios inguinais pode envolver principalmente inchaço nas pernas (linfedema), infecções e abertura de feridas pós-operatórias (seromas).

Aplicação em outros tipos de câncer
Outros locais, como o corpo e o colo de útero, também podem receber a técnica de pesquisa de Linfonodo Sentinela. Nesses casos, porém, o resultado vai definir se o tratamento precisará de rádio ou quimioterapia complementar (se positivo) ou somente a retirada cirúrgica (se negativo). Os gânglios dessa região serão retirados de qualquer forma, porém, com menor risco de complicações, como na vulva.

A pesquisa de Linfonodo Sentinela já faz parte também da rotina clínica adotada nos casos de melanoma e câncer de mama, com o mesmo propósito: resultados negativos não precisam ser retirados, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente.

Dr. Glauco Baiocchi Neto - CRM 97501
Diretor do Departamento de Ginecologia Oncológica
Especialista em Cancerologia Cirúrgica - RQE nº 42471