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Palavra do especialista: a mamografia aumenta o risco de câncer de tireóide?

11.12.2012

Provavelmente você já ouviu falar que a paciente que realiza mamografia sem o colar de proteção no pescoço corre mais risco de ter câncer de tireóide. A informação tem circulado nos meios de comunicação, por e-mail e mídias sociais e, preocupado com a segurança dos seus pacientes, o Hospital A.C.Camargo ouviu a especialista em mamografia, Dra. Elvira Ferreira Marques, para esclarecer dúvidas sobre o assunto.

A mamografia é um exame radiológico realizado em aparelho especialmente desenvolvido para o exame das mamas, que tem por objetivo analisar as glândulas mamárias e as regiões axilares.

Radiologista do Núcleo de Diagnósticos por Imagem do A.C.Camargo, Dra. Elvira Marques explica que existem dois tipos de radiação gerada durante um exame de imagem. A primária é a radiação que está direcionada na área a ser examinada, nesse caso a mama. No mamógrafo existem filtros e protetores para que o raio - que sai de cima para baixo - seja focado na região determinada e não se espalhe para todos os lados. "A radiação é extremamente delimitada e colimada para o tamanho de filme que vai ser usado. Uma má projeção, inclusive, interfere na qualidade da imagem, pois quanto mais direcionado o raio, melhor o resultado na leitura do exame", afirma a especialista.

Também existe a radiação dispersa, cuja dose emitida é baixa e de pequena duração, ou seja, ocorre apenas quando o raio é disparado e pode ser considerada quase igual à radiação que já existe no meio ambiente. Dessa forma, como qualquer outra parte do corpo, a glândula da tireóide pode ser afetada, mas não significa que há um risco aumentado de desenvolver câncer da região.

A tireóide fica na frente do pescoço e produz dois hormônios responsáveis por controlar a velocidade do metabolismo, além de influenciarem no desenvolvimento do corpo e na atividade do sistema nervoso. Segundo a radiologista, não há estudos ou estatísticas que comprovem que pacientes submetidos à mamografia desenvolvem mais câncer de tireoide.

O A.C.Camargo possui o colar de proteção, que é feito de chumbo flexível, assim como os aventais usados pelos radiologistas. "Caso a paciente questione e tenha essa preocupação, nós o disponibilizamos para o uso. Porém, oferecer não é a rotina, pois nós sabemos que os riscos não aumentam em conseqüência da baixa radiação", esclarece Dra. Elvira.

Há diversos estudos publicados que mostram que o exame de mamografia não expõe a tireóide a doses consideradas nocivas, não há base científica que demonstre aumento da incidência do câncer de tireóide. De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, o uso do protetor de tireóide em exame de mamografia não é recomendado na rotina, devendo ser utilizado apenas nos casos em que a paciente o solicite.

Dra. Elvira Ferreira Marques - Núcleo de Diagnósticos por Imagem
CRM 32797

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