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Novas Fronteiras - Como tratar a mulher jovem com câncer de mama

20.04.2017

Apesar de menos frequente, o câncer de mama em mulheres abaixo dos 40 anos costuma ser diagnosticado em fases mais avançadas e está associado a tipos histológicos mais agressivos. Em um levantamento com 4.527 de nossas pacientes diagnosticadas com câncer de mama e tratadas a partir de 2000 revelou que 11,4% das mulheres receberam a notícia do diagnóstico até os 39 anos. Embora representem uma minoria dos casos, a doença nessa faixa etária apresenta características peculiares, como maior propensão para tumores que são mais agressivos, menos responsivos aos tratamentos hormonais e mais associados com hereditariedade.

DestaqueEste perfil desafia a comunidade médico-científica a traçar novas fronteiras não só para a cura, como para melhor qualidade de vida destas pacientes. Os caminhos trilhados nesse sentido foram debatidos durante o Painel de Mastologia do Next Frontiers to Cure Cancer, evento internacional que reúne profissionais para discutir as perspectivas de diagnóstico, tratamento e pesquisa do câncer.

De acordo com a cirurgiã oncologista, diretora do Departamento de Mastologia e coordenadora do Painel sobre câncer de mama do evento, Fabiana Baroni Makdissi, embora não se classifique como doença rara, o câncer de mama na mulher jovem não é motivo para alarde. "A incidência da doença nessa faixa etária se mantém estável, não sendo o número de casos, portanto, o motivador para a escolha por este tema. Decidimos por este foco porque vemos nessa abordagem um enorme campo aberto para novas pesquisas", explica.

 

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Um olhar para o futuro da paciente

O envelhecimento é o principal fator de risco para câncer de mama. Isso porque, com o passar dos anos, o DNA sofre mais alterações genéticas decorrentes, por exemplo, de exposição a hormônios que alimentam o tumor, como estrógeno e progesterona, assim como de processos inflamatórios associados com a obesidade. Em razão disso, quanto mais avançada for a idade, maior a probabilidade de a paciente desenvolver câncer de mama, com a doença alcançando o seu pico entre os 60 e 70 anos.

"Quando a gente pensa em todos os fatores de risco que são atribuídos a uma mulher que tem câncer de mama em idade mais avançada, vemos o quanto é diferente os perfis epidemiológicos e etiológicos (de causas) da doença na paciente jovem, pois ela é uma paciente que não teve o tempo suficiente de exposição a todos os fatores de risco", observa Fabiana Makdissi.

Além disso, nas pacientes cujo tumor responde aos hormônios, este bloqueio causa uma situação de menopausa muito precoce e os efeitos colaterais do tratamento são mais sentidos. Há também uma maior prevalência de tumores HER-2 positivo, para o qual há terapias eficazes (terapias alvo). "Somado a isso, há uma maior possibilidade de descobrir doença associada com hereditariedade nesse grupo de mulheres", observa Fabiana.

Ainda segundo a especialista, tratar uma paciente abaixo dos 40 anos significa que ela ainda tem um longo período de vida pela frente e é preciso se preocupar com a qualidade de vida pós-tratamento. Com isso, é necessário personalizar a abordagem terapêutica, além de se pensar no manejo (todo o acompanhamento) dessa paciente nos anos que virão.

"Devemos avaliar, caso a caso o tratamento indicado. Definir se melhor cirurgia é a retirada parcial ou total da mama, a extensão do esvaziamento axilar, o uso de quimioterapia antes ou após a cirurgia. Todo cuidado é válido e sempre que possível, indicamos o procedimento menos invasivo e mais efetivo para deixar menos sequelas", explica.

Outro ponto debatido no Congresso foi a indicação de radioterapia em pacientes jovens. Com o avanço da tecnologia, hoje é possível, até mesmo para lesões mais extensas, selecionar o campo a ser irradiado, preservando as células saudáveis e evitando danos como sequelas pulmonares.

Também foram abordados temas como:

 As novas fronteiras para o diagnóstico por imagem;
 Quimioterapia antes da cirurgia;
 Preservação de fertilidade;
 Assinaturas genéticas;
 Fator psicológico das pacientes que hoje mais que nunca são mulheres "multitarefa";
 Relação entre obesidade e câncer;
 Cirurgias redutoras de risco na paciente com mutação;
 Visão do patologista quanto às lesões precursoras e onde estamos quanto aos biomarcadores de risco de progresso de carcinomas ductais in situ.
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