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Instituições brasileiras criam projeto de capacitação em Oncologia em Moçambique

08.07.2016

Grupo de três instituições brasileiras, formado pelo A.C.Camargo Cancer Center, o Hospital do Câncer de Barretos e o Hospital Albert Einstein, desenvolveu um projeto de capacitação em oncologia voltado para os médicos do Hospital Central de Maputo, capital do país africano.

Com 25 milhões de habitantes, Moçambique tem apenas sete oncologistas e não conta com recursos essenciais ao tratamento do câncer, como a radioterapia. Mas um grupo de três instituições brasileiras, formado pelo A.C.Camargo Cancer Center, o Hospital do Câncer de Barretos e o Hospital Albert Einstein, desenvolveu um projeto de capacitação em oncologia voltado para os médicos do Hospital Central de Maputo, capital do país africano.

O grupo foi organizado depois que a primeira dama de Moçambique, Isaura Nyusi, fez um pedido, em 2014, ao MD Anderson, durante o Global Academic Programs (GAP), de assistência na luta contra o câncer no seu país. O hospital americano depois estendeu a solicitação às suas três instituições parceiras no Brasil.

O foco inicial do grupo foi no tratamento de câncer de mama e colo do útero. Os encontros eram feitos online, por videoconferência, em sessões nas quais os médicos de Moçambique apresentavam casos clínicos para que o grupo discutisse, considerando a realidade local. Participaram das conversas o Dr. Thiago Chulam, do Núcleo de Cabeça e Pescoço e Coordenador da Equipe Médica de Prevenção do A.C.Camargo, o Dr. Renato Cagnacci Neto, do Núcleo de Mastologia, e Dr. Henrique Mantoan, do Núcleo Ginecologia Oncológica da Instituição.

No fim de 2015, em uma viagem a Moçambique, foram inseridas também discussões sobre câncer de cabeça e pescoço e oncopediatria. Já em janeiro de 2016, uma equipe de 12 pessoas dessas instituições ficaram por uma semana no Hospital de Maputo, onde examinaram e trataram pacientes, sob o olhar de médicos e residentes de lá. Segundo o Dr. Thiago Chulam, a expectativa é que, no futuro, mais especialidades façam parte da iniciativa e as instituições brasileiras levem enfermeiros para treinar a equipe de enfermagem do Hospital de Maputo.

Em breve, eles também querem ir além da assistência e contribuir para a prevenção e pesquisa do câncer em Moçambique. "Temos consciência de que é um projeto ousado, que envolve doação de tempo e de conhecimento e tem a intenção de mudar um país com estrutura precária e cultura diferente", ressalta Chulam. No entanto, ele afirma que essa ação é factível se o investimento ocorrer no potencial de pessoas interessadas. "Vimos como é importante poder contar com profissionais bem formados, que podem multiplicar conhecimento."

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