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Ciência aponta caminhos em biologia molecular em câncer de pulmão para reverter alta mortalidade em todo o mundo

07.05.2013

Next Frontiers to Cure Cancer - Integrating Science and Patient Care - 13 a 15 de junho de 2013

Módulo - Câncer de Pulmão

Doença oncológica que mata 1,5 milhão de pessoas por ano, o câncer de pulmão é alvo de estudos que visam apontar potenciais genes que sejam marcadores para terapias mais eficazes e direcionadas aos diferentes perfis de tumor. Drogas atuam no bloqueio de genes EGFR e ALK e novos trabalhos apontam para uma possível relevância da mutação KRAS como marcador preditivo e prognóstico. Módulo sobre câncer de pulmão de evento em SP promovido pelo A.C.Camargo debaterá também o desafio de tratar metástases, tornar mais pacientes elegíveis à cirurgia, rastreamento para redução de mortalidade, prevenção e dados epidemiológicos


Em linhas gerais o câncer de pulmão tem duas diferentes classificações. A mais comum é tumor de células pequenas e a outra se denomina tumor de células não-pequenas. No entanto, esta diferenciação pouco orienta o tratamento. "É necessário saber o tipo histológico de cada tumor para, desta forma, oferecer abordagens personalizadas para cada paciente. Já há inclusive avanços neste sentido como drogas que atuam de maneira específica em pacientes que apresentam mutações dos genes EGRF e ALK". É o que destaca o cirurgião oncologista e diretor do Núcleo de Pulmão e Tórax do Hospital A.C.Camargo Jefferson Luiz Gross, que coordenará os trabalhos do Módulo de Câncer de Pulmão do Next Frontiers to Cure Cancer - Integrating Science and Patient Care, evento que acontece de 13 a 15 de junho no Hotel Renaissance, em São Paulo.

Um dos destaques será a pesquisadora Natasha Leighl, do setor de Ensaios Clínicos da University Health Network, do Canadá. Em um de seus trabalhos mais recentes, da edição de maio/2013 do Journal of Thoracic Oncology - www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23524403 - Natasha e outros três pesquisadores da instituição canadense analisaram o possível papel como marcador prognóstico e preditivo das mutações KRAS em câncer de pulmão de células não-pequenas. Segundo os autores, que fizeram uma pesquisa extensiva do oncogene KRAS, há questões ainda a serem elucidadas. O trabalho aponta que há indicativos de que o KRAS mutado, por ser preditivo de falta de resposta à quimioterapia, poderia identificar quais pacientes não seriam beneficiados pelo tratamento com as drogas atuais, no entanto, seriam necessárias mais evidências.

Em sua aula na quinta, 13, Natasha focará em câncer de pulmão de células não-pequenas, enfatizando as abordagens personalizadas aos pacientes idosos. A idade do paciente é um fator que pode determinar as decisões terapêuticas, caso a caso. Ao se avaliar, por completo, o histórico clínico de cada paciente observa-se como tratar de forma eficaz o doente idoso que pode estar acometido por outras morbidades como doenças cardíacas, hipertensão, diabetes, dentre outros.

Com a proposta de avaliar os novos caminhos para a terapia personalizada em câncer de pulmão, Isabela Werneck, patologista do Hospital A.C.Camargo, abordará os papéis das terapias anti-EGFR (cloridrato de erlotinibe) e anti-ALK (cloridrato de crizotinibe). Estudos - dentre eles um publicado em 2012 no Therapeutic Advances in Medical Oncology - www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3244201/ - demonstram que os pacientes tratados com cloridrato de erlotinibe, que atua como bloqueador da ação do oncogene EGFR, tiveram um aumento na sobrevida mediana superior a 40% quando comparado àqueles que receberam placebo. Outro trabalho, apresentado no ASCO em 2011 - http://meeting.ascopubs.org/cgi/content/abstract/29/15_suppl/7507 - demonstrou que o crizotinibe, que atua como inibidor da mutação do gene ALK, promoveu redução no tamanho do tumor em 64% dos pacientes. O medicamento também foi responsável por conter o avanço em 90% deles.

Vale ressaltar que estas mutações são dois entre inúmeros outros fatores que levam ao desenvolvimento do câncer de pulmão e, portanto, não necessárias respostas para outros perfis da doença. Com a maior casuística do país - cerca de 200 novos casos anuais de câncer de pulmão diagnosticados e tratados - o A.C.Camargo opera apenas 1 a cada 4 pacientes. "Na maioria dos casos o diagnóstico ocorre nas fases mais avançadas. Isso limita a terapia, pois em câncer de pulmão o paciente se torna elegível à cirurgia apenas quando a doença está restrita ao pulmão", destaca Jefferson Luiz Gross.  Apesar dos avanços terapêuticos não se costuma indicar cirurgia quando há metástases. "Os principais alvos à distância do câncer de pulmão avançado são os ossos, fígado, cérebro, adrenal e o próprio pulmão", acrescenta Gross.

Dentre as estratégias para melhor seleção de casos operáveis está a utilização da ultrassonografia endobrônquica (EBUS). "É um método que estamos utilizando para aumentar a acurácia do estadiamento da doença. Ele nos possibilita identificar os linfonodos no mediastino, que é fundamental para orientar o tratamento, pois em caso de linfonodo comprometido a cirurgia não é indicada. Nestes casos, uma das opções seria iniciar o tratamento com a quimioterapia e apenas depois é que partimos para a cirurgia", detalha Gross.

Outro instrumento é a radioterapia estereotáxica, que consiste na aplicação de altas doses de radiação em alvo específico, preservando as células saudáveis. Mesmo alguns casos localizados não são também elegíveis à cirurgia e, para eles, o padrão-ouro é o tratamento por radiocirurgia, que - sem sérios danos ao pulmão, destrói o tumor. O tema será debatido pelo radioterapeuta do A.C.Camargo, Ricardo César Fogarolli.

Prevenção, rastreamento e redução da mortalidade - Silencioso desde o início, o câncer de pulmão é diagnosticado em fase metastática em 50% dos casos. O principal fator causal é o consumo de tabaco, que traz consigo substâncias cancerígenas que geram mutações que levam à doença a longo prazo. "Se as pessoas deixassem de fumar hoje, diminuiríamos de 80% a 90% os casos de câncer de pulmão e 3 entre 10 casos de câncer de qualquer tipo também deixariam de existir", destaca o cirurgião oncologia Jefferson Luiz Gross. A boa notícia, aponta Gross, está no fato de que 17% da população brasileira é fumante, média bastante inferior aos 35% registrados 30 nos atrás.

O diretor de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo afirma também que dentre os agravantes para o diagnóstico tardio da doença está no fato de, quase sempre, o fumante associar os sintomas de tosse, pigarro e secreção ao ato de fumar. "A pessoa que fuma está acostumada a lidar com estes sintomas, que são crônicos e não se atentam ao surgimento do câncer. Além disso, quando um pulmão está afetado pelo tumor, o outro mantém o paciente vivo. Com isso o paciente vai tocando a vida mesmo com um pulmão já comprometido pela doença e isso atrasa ainda mais o diagnóstico", observa.

Uma medida que poderia antecipar a descoberta da doença e, consequentemente, reduzir a mortalidade, seria promover exames de rastreamento populacional. Há algumas evidências de que o rastreamento cumpriria esta missão com eficácia, sendo que dentre as mais significativas é o artigo - www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1102873 - publicado em 2011 no The New England Journal of Medicine. Neste trabalho, realizado por 33 centros médicos dos Estados Unidos, foram incluídos 53 mil indivíduos com alto risco para câncer de pulmão. Eles foram submetidos ao screening por tomografia computadorizada (CT) e radiografia de tórax. Observou-se a redução de 20% da mortalidade câncer específica entre os indivíduos submetidos à CT.

Imagem molecular - Outro destaque do Módulo de Câncer de Pulmão estará por conta da aula do diretor de Imagem Molecular do MD Anderson Cancer Center, Vikas Kundra. Com ampla expertise, Kundra falará sobre medicina nuclear - incluindo sua ampla experiência com PET-CT - e abordagens em radiologia diagnóstica e radiologia intervencionista.

Outro tema, a epidemiologia do câncer de pulmão com foco na biologia da doença será o foco da aula do oncologista Carlos Gil, diretor de pesquisa clínica do Instituto Nacional do Câncer (INCA). O especialista abordará com que frequência ocorrem as diferentes mutações que levam ao surgimento da doença. A programação completa do Next Frontiers to Cure Cancer está disponível em www.accamargo.org.br/evento-detalhe/next-frontiers-to-cure-cancer/82.
Next Frontiers to Cure Cancer - Integrating Science and Patient Care - Promovido pelo Hospital A.C.Camargo, o evento acontece de 13 a 15 de junho no Hotel Renaissance, em São Paulo. Coordenado por uma Comissão Científica formada por Vilma Regina Martins, diretora do Centro de Pesquisa do A.C.Camargo; Marcello Ferretti Fanelli, diretor de Oncologia Clínica; Fernando Soares, diretor de Ensino e da Anatomia Patológica; Luiz Paulo Kowalski, diretor do Núcleo de Cabeça e Pescoço; Glauco Baiocchi Neto, diretor de Ginecologia Oncológica e também da oncologista clínica Solange Sanches e do pesquisador Rafael Malagolli, o evento receberá a nata da oncologia mundial para discutir os avanços das últimas décadas e também o presente e futuro da oncologia.

Dividido em módulos voltados para discutir, individualmente, os tumores de mama, próstata, intestino grosso, reto, rim, pulmão, melanoma, glioblastoma, dentre outros, o evento terá ao todo 90 horas/aula programadas  para acontecer em quatro salas. Além de especialistas de todas as regiões do Brasil, estão confirmados palestrantes de outros sete países. Os Estados Unidos serão representados pelo M.D.Anderson Cancer Center, Moffitt Cancer Center e UT Southwestern Medical Center. Do seu vizinho, Canadá, pesquisadores da University Health Network, The Hospital for Sick Children e McGill University. Os demais palestrantes são do Vall d'Hebron Institute of Oncology (Espanha), University of Oxford(Reino Unido), INSERM Unit 807 (França), National Cancer Center Research Institute (Japão) e European Institute of Oncology. (Itália).  A expectativa é a de atrair um público de 500 pessoas.

SERVIÇO
Next Frontiers to Cure Cancer - Integrating Science and Patient Care
Realização:
Hospital A.C.Camargo
Data: 13 a 15 de junho de 2013
Local: Hotel Renaissance, Alameda Santos, 2233, São Paulo - SP

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