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Câncer ginecológico e oncogenética: entenda a importância dessa relação
Câncer ginecológico e oncogenética: entenda a importância dessa relação

Publicado em: 06/10/2017

Com o exame de rastreamento dos genes BRCA1 e BRCA2, é possível identificar famílias com maior probabilidade de ter câncer de ovário e de mama – e existem novos medicamentos específicos para o tratamento desses casos.

Entre 15% e 20% das pacientes que têm câncer de ovário apresentam a mutação germinativa nos genes BRCA1 BRCA2 – é o que se chama de síndrome de câncer de ovário hereditário. Esses são os números que os estudos científicos mundiais encontraram. Nossa equipe de Oncogenética está conduzindo um estudo sobre o tema, mas os dados ainda não foram encerrados. Avaliamos mais de 150 pacientes com câncer de ovário, e a maioria não tem a mutação.

O exame de rastreamento dos genes BRCA1 e BRCA2 entrou para o rol de exames obrigatórios da Agência Nacional de Saúde (ANS) em janeiro de 2014. "Essa mutação, tanto no câncer de ovário quanto no câncer de mama, pode ser hereditária, mesmo que não exista um histórico familiar, que ninguém antes na família tenha tido o câncer", explica o Dr. Alexandre Balieiro da Costa, da Oncogenética. Isso não significa que toda pessoa que tem a mutação tem câncer, é claro, mas que possui uma propensão bem maior para desenvolver a doença.

BRCA1 BRCA2 são os dois genes responsáveis por produzir proteínas que ajudam a consertar danos que são feitos constantemente no nosso DNA. São genes que nos protegem do aparecimento de cânceres. Quando eles sofrem mutações, essa proteção deixa de funcionar. As mutações aparecem com maior frequência em câncer de ovário de alto grau e em estágio avançado e também na síndrome do câncer de mama hereditário.

Existe agora uma terapia específica, direcionada, que ajuda a "reparar" o DNA: os inibidores da molécula PARP. São drogas orais, com menos toxicidade e maior eficiência, porque se dirigem para alvos específicos. "Os medicamentos inibidores de PARP reduzem a progressão da doença", explica o Dr. Alexandre.

O exame de rastreamento dos genes é importantíssimo tanto para o diagnóstico preciso e consequente tratamento específico das pacientes, quanto para a prevenção do câncer, que é parte essencial do nosso trabalho. A Oncogenética, área da Medicina ligada à Genética e à Oncologia, estuda as síndromes hereditárias de predisposição a câncer, avaliando e acompanhando pacientes com aumento de risco.

A síndrome do câncer de mama hereditário

Quando as mulheres têm a mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, o risco de desenvolver câncer de mama aumenta de 40% a 80%. É o famoso caso da atriz Angelina Jolie, que retirou as mamas e, depois, o ovário como forma de prevenção do câncer. Retirar as mamas – a chamada cirurgia profilática – como medida para minimizar os riscos nem sempre é uma conduta indicada. É uma decisão que deve ser tomada com o médico e a equipe multidisciplinar. Cada caso é um caso.

Dr. Alexandre André Balieiro Anastácio da Costa - CRM 122443
Titular do Departamento de Oncogenética