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Brasileiros conseguem reverter dois terços das metástases colorretais no fígado e levam técnica a consenso internacional nos Estados Unidos

01.03.2012

Grupo de oncologistas do Hospital A.C.Camargo liderado pelo cirurgião Felipe Coimbra alcançou a cura de duas em cada três metástases de fígado (66,2% de sobrevida em cinco anos) utilizando a hepatectomia em dois tempos. Pouco utilizada mesmo nos principais centros oncológicos norte-americanos e europeus, a técnica é aplicada desde os anos 90 no hospital brasileiro visando a reversão da metástase de fígado originária de tumor colorretal, a mais frequente (cerca de 60%). No dia 18 de janeiro, em São Francisco, EUA, um consenso internacional reuniu especialistas do mundo todo e definiu novas abordagens terapêuticas na área. Diretor da Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo, Coimbra foi o único médico sulamericano convidado.

Um grupo de médicos e cientistas brasileiros alcançou um resultado inédito na reversão de metástase de fígado originária de tumor colorretal e apresentou a técnica no dia 18 de janeiro, em São Francisco, Estados Unidos, em reunião de especialistas internacionais para a definição de novas terapêuticas na área. O evento, promovido pela SSC - Society of Surgical Oncology e AHPBA - American Hepato-Pancreato-Biliary Association, determinou um novo consenso mundial em abordagens terapêuticas para as metástases de câncer de intestino, terceiro tipo de câncer mais comum no Ocidente.

Pesquisas publicadas nas duas últimas décadas por pesquisadores de centros oncológicos como a Mayo Clinic, Memorial Sloan-Kettering e Pittsburgh Medical Center apontavam para índices de sobrevida em cinco inferiores a 36% para casos de câncer de intestino com metástase no fígado. Os estudos que resultaram na sobrevida de 66,2% em cinco anos, alcançados pela equipe de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo, acompanharam 240 pacientes tratados a partir de 1999, superando o melhor resultado mundial, de 58%, registrado em 2005 no M.D.Anserson por Pawlik et al, instituição que organiza o evento. Único sulamericano convidado para a conferência, o cirurgião oncológico Felipe Coimbra, diretor da área no A.C.Camargo, liderou o grupo brasileiro.


Cirurgia em dois tempos

O cirurgião oncológico Felipe Coimbra credita os resultados obtidos pelo Núcleo de Abdomen do A.C.Camargo às modalidades terapêuticas adotas na instituição, como a hepatectomia em dois tempos aliadas ao aparato farmacológico. "Superar os 65% de sobrevida em cinco anos é ainda mais marcante quando visto que, historicamente, apostar no tratamento cirúrgico para este perfil de paciente não é algo comum e sim a exceção", diz o especialista. Estudos apontam que apenas 20% dos pacientes com este perfil podem se submeter a uma cirurgia. "Com as novas técnicas conseguimos ampliar as indicações para 40% a 50% dos casos", destaca Coimbra, que dirige a equipe que realiza 70 cirurgias anuais em pacientes com câncer colorretal metastático no fígado. "Nos últimos três anos, principalmente, observamos este crescimento nas indicações para cirurgias inclusive dos casos mais complexos. Isso é fruto de uma eficaz abordagem terapêutica multidisciplinar no pré e pós-operatório", complementa.

Seis entre dez casos de tumores que geram metástase hepática são originados no intestino. Os demais casos que se espalham para o fígado tiveram como ponto inicial os tecidos tumorais em órgãos como estômago, pâncreas, colo do útero, rim, melanoma e tumores neuroendócrinos. Segundo as estimativas 2012/2013 do INCA o câncer colorretal é o quarto tipo de tumor mais frequente no país, excetuando-se pele não-melanoma, com 30 mil novos casos anuais.

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