Nossa História

Instituto Ludwig

Durante duas décadas, a partir de 1983, Ricardo Brentani dirigiu o Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer de São Paulo, então localizado no A.C.Camargo, tendo como marco desta época sua decisiva participação a partir de 1999 como líder de grupo multicêntrico de pesquisadores brasileiros no Projeto Genoma do Câncer Humano, concluído em 2001.

O convite para dirigir o Ludwig partiu do patologista e pesquisa Humberto Torloni que nos ano 1980 já acumulava passagens de sucesso pelo A.C.Camargo (então Hospital do Câncer), Universidade de Washington, OMS, OPAS, Ministério da Saúde. Torloni foi designado pelo suíço Daniel Ludwig - que desejava estabelecer no Brasil a filial de um centro multinacional de pesquisa sobre o câncer - a escolher a sede e o diretor do Ludwig no país.

Optou pelo A.C.Camargo e Professor Ricardo Brentani. "Ele foi nosso escolhido não apenas por seu currículo, mas principalmente por seu espírito de liderança. Muito simples, organizado e exigente, era um sonhador sempre com os pés no chão. Acima de tudo, um poço de sabedoria", define Torloni.

Á frente do braço brasileiro do Instituto Ludwig até 2005, Brentani estimulou o florescimento de uma geração de pesquisadores, entre os quais Roger Chammas, Professor da Faculdade de Medicina da USP, o epidemiologista Eduardo Franco, com atuação na Universidade McGill, no Canadá, e a bioquímica Luiza Villa, que sucedeu Brentani na direção do instituto.

Sob os olhares atentos de Brentani, Franco e Luiza coordenaram o estudo longitudinal Ludwig/McGill, um dos maiores já feitos sobre a infecção de HPV e câncer cervical em mulheres. "Se não tivesse vindo trabalhar conosco, talvez o Eduardo não tivesse conquistado a realização profissional que obteve. A Luiza desenvolveu uma linha de pesquisa que foi crucial para o desenvolvimento de uma vacina contra o papilomavírus que já está no mercado e vai erradicar 5% dos tumores que atingem os humanos", disse um orgulhoso Brentani em entrevista para a revista Pesquisa FAPESP em outubro de 2007.

"Brentani formou diferentes grupos de pesquisa, nas áreas de epidemiologia, imunologia, biologia celular, genética e genômica do câncer, bioinformática, neurobiologia, patologia molecular e um grupo muito forte de pesquisa clínica. A cada grupo formado, conseguia se reinventar", disse Roger Chamas.