Áreas e Especilidades - A.C.Camargo Cancer Center

Oncogenética

O Departamento de Oncogenética do A.C.Camargo Cancer Center foi criado em 2001. Seu objetivo principal é identificar indivíduos que sejam portadores de tumores raros ou tenham risco aumentado de desenvolver câncer devido a alterações genéticas, muitas vezes em função da grande incidência da doença na família.

A ocorrência de vários casos de câncer em uma única família pode estar relacionada a alterações (mutações) que aumentam o risco de desenvolvimento da doença. Atualmente já são conhecidos vários genes que, quando alterados, aumentam o risco de desenvolvimento de câncer de mama, ovário, cólon, melanoma e próstata, bem como uma variedade de tumores raros. Estima-se que 5% a 10% dentre os tumores malignos sejam de origem hereditária.

Em diversos casos, é possível realizar testes com os integrantes da família para que seja investigada a existência de alguma destas mutações genéticas. Se tais alterações são encontradas, os médicos podem adotar medidas que diminuam o risco de desenvolvimento da doença ou aumentem as chances de sucesso do tratamento.

O aconselhamento genético tem início em uma consulta no Departamento de Oncogenética, onde o especialista aborda informações referentes à saúde, hábitos de vida e busca informações sobre os familiares de primeiro e segundo graus (pais, irmãos, tios primos e avós). Certos agrupamentos de tumores indicam a existência de alterações hereditárias e os conceitos genéticos, como o motivo da ocorrência dessa mutação, poderão ser explicados também nesse momento.

O Serviço
Trabalhando com médicos especialistas e uma equipe multidisciplinar, é possível projetar programas individualizados que monitoram os pacientes para os primeiros sinais de câncer.

No A.C.Camargo Cancer Center, o departamento de Anatomia Patológica oferece recursos avançados de testes genéticos para determinar os riscos de o indivíduo desenvolver formas hereditárias de câncer.

Esses testes são feitos após o aconselhamento genético pré-teste, quando são explicadas as taxas de predisposição para o desenvolvimento de câncer e suas implicações para o paciente e familiares. Tanto o paciente, que já teve câncer, como seus familiares que nunca tiveram, mas que querem saber qual a probabilidade, podem buscar uma avaliação no Departamento de Oncogenética. As famílias atendidas apresentam o seguinte perfil:
  • Vários casos de câncer na mesma família;
  • Paciente com câncer em idade mais precoce que o usual;
  • Paciente com tumores múltiplos de origens diferentes ou bilaterais.

Munida das informações sobre os tumores ocorridos em determinada família e a idade que o tumor acometeu cada um dos familiares, a equipe da Oncogenética inicia a avaliação para reunir elementos que determinem uma possível investigação de risco aumentado de desenvolvimento da doença e, paralelamente, discuta com o paciente e seus familiares a adoção de medidas profiláticas (retirada preventiva de um ou mais órgãos) ou a realização frequente de exames de rastreamento, visando diagnosticar a doença em fase inicial.

Para a realização da consulta de aconselhamento genético, é preciso que o paciente traga o maior número possível de informações sobre os seus familiares, enumerando todos os possíveis casos de câncer (com a idade do início do tumor), além de cópias de laudos de biópsias, relatórios médicos e atestados de óbito.

Síndrome de Li-Fraumeni
Até 2003 a Síndrome de Li-Fraumeni era considerada como uma síndrome rara, com apenas 280 casos identificados, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Doença hereditária que se caracteriza pelo alto risco para o desenvolvimento de vários tipos de tumores nas famílias portadoras, principalmente câncer de mama, sarcomas, tumores de sistema nervoso central e tumores na supra renal, essa síndrome é causada pela mutação no gene TP53, que - em sua condição não mutada - age como o principal supressor de tumores no organismo.

No Departamento de Oncogenética do A.C.Camargo, um número grande de famílias acompanhadas recebeu este diagnóstico, chamando a atenção dos pesquisadores e médicos. Por meio de estudos realizados em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO), o departamento de Oncogenética pode caracterizar uma situação única no mundo, com a alta ocorrência da síndrome no Brasil. Por meio desse estudo, foi verificado que há uma mutação fundada no gene TP53 que é específica da população Brasileira, a p.R337H.

Enquanto a incidência de Li-Fraumeni é estimada em um para cada cinco mil indivíduos no mundo, nas regiões Sul e Sudeste do Brasil são registrados um novo caso a cada 330 pessoas. Ao identificar essa tendência, o A.C.Camargo recrutou pessoas com este perfil e hoje são acompanhadas mais de 150 famílias com membros portadores da síndrome de Li-Fraumeni.

Diversos estudos conduzidos em colaboração com os maiores centros mundiais de pesquisa e tratamento de câncer como o NIH (USA), SickKids (Canadá) e IARC/WHO (França) estão em andamento no A.C.Camargo Cancer Center, visando elucidar as características desta alteração no Brasil e como melhor acompanhar estes pacientes.
Síndrome do Câncer de Mama e Ovário Hereditário
As alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentam o risco do câncer de mama, o mais prevalente entre as mulheres, e do câncer de ovário. Os dois genes são responsáveis por codificar proteínas de supressão tumoral, que previnem o crescimento e proliferação de células cancerosas. Quando a mulher tem essa mutação, o risco de desenvolver câncer de mama aumenta de 40% a 80%, e o de ovário de 15% e 40%.

Em casos de detecção da Síndrome, recomenda-se exames periódicos já a partir dos 25 anos de idade. Os homens também podem ser afetados por essa mutação, que pode aumentar o risco de tumores de próstata e também de mama.
Síndrome de Lynch (ou câncer colorretal hereditário não-polipose (HNPCC))
Representa cerca de 10% dos casos de câncer de intestino. O risco aumentado da pessoa com essa síndrome vem de alterações em um grupo de genes de reparo do DNA. Quando esses genes estão alterados, o sistema de reparo não consegue corrigir essas modificações e deste modo facilita o desenvolvimento de câncer. A Síndrome de Lynch pode estar relacionada também a tumores no endométrio, estômago, intestino delgado, ovário, colo de útero, vias urinárias e mama. Essa alteração ocorre principalmente nos genes MLH1 e MSH2, e também nos genes MHH6 ou PMS2.
Polipose Adenomatosa Familiar (FAP)
Um defeito específico no gene APC pode causar pólipos localizados no intestino grosso. Esses pólipos começam a surgir entre os 12 e 18 anos, em quase todas as pessoas portadoras dessa mutação. O portador dessa mutação tem alto risco de desenvolver câncer colorretal e tumores desmoides.
Melanoma Familial
Responsável por cerca de 0,2% dos casos de melanoma, o tipo de câncer de pele mais agressivo. Está relacionado a alterações nos genes CDKN2A e CDK4. Indivíduos afetados tem alto risco para melanoma e outros tipos de câncer como câncer de pâncreas ou tumor do Sistema Nervoso Central.
Neoplasia Endócrina Múltipla Tipo 2
A alteração no gene RET está ligada ao alto risco para o desenvolvimento de neoplasias em uma ou mais glândulas endócrinas do paciente, principalmente ao Carcinoma Medular de Tireoide. Os tumores podem aparecer na infância ou até os 70 anos de idade.
Doença de Von Hippel-Lindau
A mutação no gene VHL predispõe ao desenvolvimento de angiomas ou hemangioblastomas, podem ser malignos caso apareçam nos rins, pâncreas e fígados. Seu caráter hereditário causado por um gene dominante pede um rastreamento desde criança em famílias com histórico do tumor.
Síndrome de Cowden
Chamado também de Síndrome dos Hamartomas Múltiplos, pode acometer a pele e membranas mucosas (como boca e nariz), entre outros órgãos. Pode estar relacionado a um risco para o desenvolvimento de vários tipos de câncer, como de mama, tireoide e útero. Ocorre devido uma mutação no gene PTEN.
Síndrome de Peutz - Jeghers
É caracterizada por pólipos hamartomatosos no trato gastrointestinal ou manchas na região dos lábios e boca. Está relacionada a mutações no gene STK11. Trata-se da mais rara dentre essas síndromes, pois acomete menos de um indivíduo a cada 280 mil. Pode aumentar o risco para câncer no intestino, ovário, útero, mama e pulmão.
Retinoblastoma Hereditário
É o tumor ocular maligno mais frequente na infância. O retinoblastoma hereditário corresponde a cerca de 40% dos casos. Costuma ser observado pela leucoria, uma mancha branca percebida pelos pais ou em fotografias com flash. O gene RB é o responsável por essa síndrome.