Pacientes e Tudo Sobre o Câncer

Núcleo de Cabeça e Pescoço

A complexidade do tratamento e da reabilitação dos pacientes com tumores de cabeça e pescoço exige uma equipe multidisciplinar altamente especializada.

No A.C.Camargo Cancer Center esta equipe é composta por cirurgiões de cabeça e pescoço, otorrinolaringologistas e cirurgiões plásticos, que atuam integrados com todos os outros serviços do Hospital. Além desses profissionais, frequentemente atuam em conjunto especialistas de outras áreas como radioterapeutas, oncologistas clínicos, pediatras, neurocirurgiões, endocrinologistas, patologistas, anestesiologistas e oftalmologistas, dentistas, nutricionistas, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais e enfermeiros especializados.

Os modernos equipamentos para diagnóstico e os avanços nas terapêuticas adotadas para os tratamentos desses tumores e reabilitação dos pacientes são alguns diferenciais da especialidade que trata dos tumores que ocorrem nas vias aerodigestivas superiores (boca, lábio, faringe e laringe, sendo mais raros em esôfago cervical, fossas nasais e seios paranasais).

A especialidade atende também pacientes acometidos por tumores e outras doenças de tratamento cirúrgico localizados tireóide e paratireóide (nódulos, bócios, hiperparatireoidismo) na base de crânio (exceto cérebro e medula espinhal), tumores da órbita, ósseos e de partes moles, de pele, de hipófise, de ouvido e osso temporal e afecções cirúrgicas das glândulas salivares.

Dentre os recursos tecnológicos disponíveis a equipe conta com laser de CO2, óticas e microscópios (para tratamentos endoscópicos menos invasivos), serviço de cirurgia plástica e microcirurgia reconstrutiva (para reparação de efeitos colaterais funcionais e estéticos), e serviço de otorrinolaringologia (para tratamento de afecções benignas, complicações de quimioterapia e radioterapia e procedimentos cirúrgicos endonasais de alta complexidade). Outro avanço é a utilização das modernas técnicas de radioterapia associadas à cirurgia como a radioterapia intra-operatória e a braquiterapia.

Assim como em outras doenças oncológicas, os tumores de cabeça e pescoço poderiam ser diagnosticados precocemente. No entanto, por conta dos sintomas pouco específicos que a doença apresenta, aliado à falta de informação da população e às dificuldades em realizar exames periódicos, a maioria dos tumores é diagnosticada em estadios mais evoluídos, com dimensões superiores a 2 cm e nódulos no pescoço.

Ensino e pesquisa

O Núcleo de Cabeça e Pescoço do A.C.Camargo Cancer Center é um dos mais importantes centros de assistência e tratamento da patologia na América Latina, apresentando a maior produção científica na especialidade entre os serviços brasileiros e uma das maiores do mundo.

A atual equipe possui mais de 200 artigos veiculados em publicações internacionais e outras 200 em publicações nacionais, incluindo estudos em colaboração com outros serviços no Brasil e Exterior, que contribuem com importantes informações sobre a doença. A extensa experiência da equipe, que também atua na área de ensino permite a participação dos profissionais na formação de residentes, especialistas na área de oncologia. O programa ministrado é reconhecido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, como referência.

Médicos do Serviço são orientadores do Programa de Pós-Graduação do A.C.Camargo, avaliado com a nota máxima pela CAPES como a melhor em Medicina no País.

Pioneirismo e Excelência

O Núcleo de Cabeça e Pescoço do A.C.Camargo possui resultados oncológicos documentados para o tratamento do câncer de boca comparáveis aos melhores centros oncológicos do mundo (considerando-se o mesmo estádio da doença). Coordenou o estudo que gerou a maior evidência para a mudança do tratamento do pescoço nos casos de câncer de boca e laringe. Foi um dos pioneiros e possui uma das maiores experiências em cirurgia de base do crânio (crânio-facial), pesquisa de linfonodo sentinela, cirurgia de laser para tumores de laringe, utilização de prótese flexível para estenoses de faringe e na otimização da conduta multidisciplinar na especialidade.

Além de ter a maior experiência do Brasil com tratamento de resgate em recidivas de tumores das vias aerodigestivas superiores e com reconstrução microcirúrgica (mais de 900 procedimentos realizados). Pioneiro também na avaliação influência das comorbidades (outras doenças associadas) no prognóstico dos pacientes.

O serviço participa, ainda, do desenvolvimento de novas tecnologias na especialidade e de estudos de biologia molecular para avaliação de marcadores biológicos que possam melhorar a acurácia do diagnóstico e predizer a resposta ao tratamento oncológico.

Cirurgia Endoscópica Nasal
Endoscopia significa olhar dentro. Todo exame ou cirurgia que envolve a endoscopia faz o uso de endoscópios, aparelhos com uma fonte de luz e alguma forma de visualização da imagem.

A Cirurgia Endoscópica Nasal, também conhecida como Cirurgia Endonasal, é toda cirurgia feita dentro do nariz e/ou usando o nariz como via e permite ao cirurgião enxergar o tumor mais de perto para ver a vascularização e os limites onde o tumor está.

A cirurgia é feita através de uma fibra ótica com uma micro câmera e um sistema de vídeo, como se fosse uma televisão, que mostra a imagem sendo filmada dentro do nariz. A ótica é levada para dentro do nariz, chegando bem perto da lesão; a câmera transmite a imagem ampliada para a televisão, mostrando os detalhes e facilitando a operação.

A fibra ótica tem diferentes ângulos (0º, 30º, 45º e 75º) e o uso de cada um vai depender da localização do tumor, pois não é flexível e não faz curvas. Hoje em dia são utilizados acessórios da fibra ótica para auxiliar na operação, como pequenos motores, cauterios, pinças e aparelhos que clipam as artérias.

A metodologia e a técnica da cirurgia endonasal foram adaptadas da cirurgia convencional, porém a tecnologia mudou o jeito de operar. Para fazer esse tipo de procedimento, o cirurgião precisa ter o treinamento específico. Apesar de já conhecer a anatomia e a imagem estar ampliada, a distância de profundidade com que a operação é feita é diferente. A fibra ótica tem uma visão de duas dimensões, então é preciso ter noção dessa profundidade para não atingir outras estruturas importantes que estão muito perto.

O procedimento pode ser usado para tratar tumores benignos e malignos em qualquer faixa etária. A anatomia varia de acordo com a faixa etária e tem a particularidades individuais , mas a fibra ótica pode ser a mesma e o que muda é apenas o tamanho do instrumental.

No A.C.Camargo, a técnica é bastante utilizada para cirurgias nasais em geral, de casos benignos, como infecções (sinusites) e sangramentos, e em quase todos os casos de tumores benignos da cavidade paranasal. Já nas regiões em que a fibra ótica não chega bem, como na região frontal (na parte da testa), não é possível fazer remoção de tumores através somente do nariz, necessitando muitas vezes de acessos combinados.

Nos tumores malignos, a cirurgia endoscópica pode ser usada isoladamente ou como auxílio para outras especialidades, pois há tumores que não podem ser operados apenas por um caminho. Por exemplo, em neurocirurgias tradicionais pelo crânio, a equipe de cabeça e pescoço ou otorrinolaringologia auxilia a operação criando outra via de acesso pelo nariz.

Para o tratamento dos tumores malignos, cada caso é avaliado individualmente. Por meio de exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética, é possível avaliar se a Cirurgia Endoscópica Nasal pode ser útil. Há limites para se operar pelo nariz, pois é importante dar a margem de segurança necessária nestes tumores. (tirar uma parte de tecido sadio além do tumor para ter certeza que foi tudo removido e que não ficaram resíduos).

Há ainda casos em que só a Cirurgia Endoscópica Nasal é útil, como a rinofaringe, que está atrás do nariz e não tem acesso por outro caminho a não ser pelo próprio nariz. Nesses casos, sendo benigno ou maligno, o tumor pode ser retirado por esse método.

A Cirurgia Endonasal clássica serve para esses tratamentos mencionados. Hoje em dia existe uma nova vertente, chamada Cirurgia Endoscópica Nasal Avançada, feita no A.C.Camargo há mais de dois anos, que vai além do nariz, sendo utilizada para operar a hipófise e tumores que estão no sistema nervoso central ou na coluna.

Esteticamente, para o paciente, a Cirurgia Endonasal é muito melhor que cirurgias tradicionais, porque não deixa nenhum corte externo. Essa abordagem consegue tirar a lesão tumoral, alterando menos a respiração nasal e o olfato.
Cirurgia de Base de Crânio
No A.C.Camargo, desde 1994, mais de 700 cirurgias de base de crânio já foram realizadas.

É uma modalidade de tratamento multidisciplinar composta por neurocirurgiões, cirurgião de cabeça e pescoço, otorrinolaringologistas e cirurgiões plásticos. Visa o tratamento de diversas doenças que acometem a base do crânio, que é uma região de transição entre a face (vícero crânio) e o crânio (neurocrânio).

O neurocrânio é a região anatômica da cabeça que contém o encéfalo (hemisférios cerebrais, cerebelo e tronco encefálico). O neurocirurgião atua nos elementos relacionados a essa região.

O vícero crânio corresponde ao restante dos elementos da cabeça: seios paranasais, cavidade nasal, orofaringe e rinofaringe. Já nos elementos relacionados a essa região atuam o cirurgião de cabeça e pescoço, o otorrinolaringologista e o cirurgião plástico.

Em relação às doenças oncológicas que acometem a base do crânio, podemos mencionar os tumores benignos (meningiomas e neurinomas) e os malignos (carcinomas e sarcomas).

As cirurgias costumam ser complexas, envolvem infraestrutura tecnológica como:
  • Neuronavegação: sistema que auxilia a localização anatômica durante a cirurgia.
  • Monitorização neurofisiológica: avaliação intraoperatória de elementos neurais, principalmente neuros cranianos, para evitar lesões que possam causar disfunções como visão dupla, dificuldade para deglutir, perda auditiva, paralisia facial, alteração da fala (disfonia).
A técnica de cirurgia vídeo-assistida (cirurgia endoscópica) tem contribuído para tornar a cirurgia de base de crânio menos invasiva. O desenvolvimento de novos materiais cirúrgicos, como substância hemotáticas, colas biológicas e substitutos de envolfórlios do sistema nervoso central, também contribuíram para facilitar o procedimento cirúrgico e reduzir riscos de complicação pós-operatórias. No período pós-operatório também é necessário um grupo multidisciplinar para reabilitação, como fonoaudiologia e fisioterapia.