Imunoterapia, Nobel de Medicina 2018, foi utilizada em cerca de 500 pacientes no A.C.Camargo
Imunoterapia, Nobel de Medicina 2018, foi utilizada em cerca de 500 pacientes no A.C.Camargo

O Prêmio Nobel de Medicina de 2018 foi anunciado no dia 1º de outubro para o americano James P. Allison, do MD Anderson Cancer, uma das instituições parceiras do A.C.Camargo Cancer Center e, para o japonês Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto.

O reconhecimento se dá pelas descobertas ligadas a medicamentos que estimulam a função do sistema imunológico a identificar as células cancerosas e atacá-las. É a imunoterapia, o maior avanço em tratamento oncológico dos últimos anos, e o quarto pilar no tratamento contra o câncer, junto com quimioterapia, cirurgia e radioterapia.
 
O Centro de Imunoterapia do A.C.Camargo oferece atendimento personalizado aos pacientes, ampliando as possibilidades terapêuticas e seus benefícios. São mais de 70 profissionais entre médicos do corpo clínico, cientistas e de diversas áreas da assistência.

Além disso, por meio do Grupo de Imuno-Oncologia Translacional, investimos e incentivamos a pesquisa para buscar terapias combinadas que melhorem a resposta para cada paciente, assim como identificar outros indivíduos que possam se beneficiar da imunoterapia.

O Grupo conta com várias colaborações internacionais e nacionais destinadas a promover o impacto do A.C.Camargo Cancer Center nesta área do conhecimento, o que inclui convênios com pesquisadores do National Institute of Health e National Cancer Institute, dos Estados Unidos. Temos também um Centro de Excelência em Citometria de Fluxo Avançado, que analisa tumores, células e moléculas do sangue para mapear quais pacientes podem responder melhor ao tratamento.
 
O Dr. Kenneth Gollob, que lidera o Grupo de Imuno-Oncologia, comemorou o Prêmio Nobel e explicou a importância da pesquisa: “Queremos entender por que só cerca de 40% dos pacientes respondem bem ao tratamento e o que podemos fazer para aumentar essa taxa. Em nossa pesquisa vamos procurar uma resposta e ampliar o tratamento para outros tipos de câncer. Para aqueles que não estão respondendo, queremos descobrir como estimular o sistema imunológico de outras maneiras”.

Entenda o trabalho dos cientistas que ganharam o Nobel

Pioneiro na área, o imunologista americano James P. Allison, do MD Anderson Cancer Center, teve a ideia de soltar o "freio” do sistema imunológico conhecido como CTLA-4, um receptor presente na célula T (ou linfócito T), responsável por reconhecer as células que não são normais no organismo, como as células cancerosas. 

A estratégia para o sucesso envolveu a criação de um anticorpo que se liga no "freio molecular", impedindo que ele seja ativado. Com isso, Allison curou camundongos que tinham melanoma. O medicamento utilizado em humanos, hoje, age da mesma forma. Já, Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto, descobriu logo depois que outra proteína, a PD-1, também funciona como um freio para as células T, mas em um mecanismo diferente do que faz a CTLA-4.

Sobre o Nobel

A escolha do vencedor do mais importante prêmio da área é realizada por um grupo de 50 pesquisadores ligados ao Instituto Karolinska, na Suécia. Em seu testamento, Alfred Nobel destacou o reconhecimento para aqueles que tenham feito notáveis contribuições ao futuro da humanidade para receber a láurea.