A.C.Camargo
A luta contra o câncer é
uma causa da humanidade
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Nossa história

O A.C.Camargo Cancer Center foi inaugurado em 23 de abril de 1953.

E o início desta história remete a 1934, quando o professor doutor Antônio Cândido de Camargo, da Faculdade de Medicina da USP, criou a Associação Paulista de Combate ao Câncer (APCC) com a proposta de oferecer assistência médica hospitalar contra tumores malignos, disseminar informação para a sociedade e aperfeiçoar o conhecimento dos médicos na área de Oncologia.

Para a APCC se estabelecer, no entanto, era necessário capital. Ele veio em 1943, pelas mãos do Comendador Martinelli, paciente do cirurgião Antônio Prudente  - discípulo de A.C.Camargo. Martinelli doou 100 contos de réis que foram rapidamente transformados em mil contos de réis por meio de campanhas.

Em 1946, a jornalista Carmen Prudente, esposa de Antônio, criou a Rede Feminina de Combate ao Câncer e mobilizou a população de São Paulo em torno da construção do Hospital por meio da criação de um concurso para arrecadação de fundos. O vencedor foi um jovem estudante de Medicina chamado Humberto Torloni, filho de imigrantes italianos e que mais tarde ocuparia posição de destaque na Organização Mundial de Saúde.

Em 1953, o corpo clínico do então chamado Hospital do Câncer era constituído por 92 especialistas, todos escolhidos por Antônio Prudente. Eram médicos, cirurgiões, radioterapeutas, laboratoristas e 35 enfermeiras da Cruz Vermelha alemã. Todos sabiam que faziam parte do início da história de uma Instituição que já nascia com a proposta de privilegiar pesquisas científicas e levar informações sobre o câncer para a população.

Ainda em 53, criamos uma residência para médicos, com duração de 40 meses. Foram os seis primeiros meses de constante atividade clínica, sendo internados 778 pacientes para tratamento de tumores, principalmente de pele, colo de útero, mama e estômago. Nesse período também foram registradas cerca de 6.500 consultas, 816 cirurgias e 4.887 aplicações de radioterapia.

Em 1973 a APCC transformou-se na Fundação Antônio Prudente, hoje entidade filantrópica reconhecida oficialmente e mantenedora do A.C.Camargo Cancer Center.

Um fato marcante ocorreu em Berlim no ano de 1938. Na viagem estavam o cirurgião Antônio Prudente, então com 32 anos, e a jornalista Carmen Annes Dias, 27 anos. Prudente se encantou com aquela jornalista que falava inglês, francês, alemão, italiano, espanhol e já escrevera seu primeiro livro de viagens.

Durante um jantar, já no navio de volta da visita à Alemanha, Prudente entregou por baixo da mesa um livro de sua autoria para Carmen e se declarou com uma dedicatória. "Que Deus nos una para sempre e que nosso pensamento seja um só: a luta contra essa doença terrível".

Carmen abriu seu sorriso de sempre, marca registrada da luta contra o câncer. O casamento ocorreu dois meses depois, no Rio de Janeiro. Esta união foi determinante para a construção do Hospital do Câncer de São Paulo, pois agregou a experiência em medicina do jovem Prudente com a capacidade de comunicação e carisma de Carmen.

Já em 1939, o câncer era uma das doenças que mais matava. Em São Paulo e no Rio, o Anuário Estatístico do Brasil (IBGE) apontava como principais causas de óbito as doenças do aparelho circulatório, tuberculose e câncer, respectivamente e a Associação Paulista de Combate ao Câncer previa a construção de um hospital. Seria um Instituto Central, que propagaria o correto diagnóstico, tratamento e investigação científica sobre o câncer a todo o país, por meio de institutos locais.

Com o fim da guerra, em 1945, a APCC promoveu campanha para arrecadação de donativos e conscientização sobre a doença. No dia 1º de maio foi lançada por Carmen Prudente a primeira Campanha Contra o Câncer com a distribuição de 25 mil cartazes colados nos muros da cidade. Segundo ela, São Paulo acordou sabendo que o câncer existia e deveria ser enfrentado.

Antônio e Carmen Prudente iniciaram a construção do primeiro hospital voltado ao tratamento do câncer logo após o término da 2ª Guerra Mundial, época na qual a reconstrução do mundo em novas bases era o grande desafio lançado à humanidade.

No Brasil, funcionava desde 1946 a Clínica de Tumores no ambulatório do Hospital Santa Cruz. Ali e em outros dois postos avançados nas cidades de Campinas e Santos eram atendidos, principalmente, indigentes vitimados pelo câncer. Até 1950, mais de 13 mil aplicações de radioterapia e mil cirurgias foram realizadas.

Em 1948, Antônio Prudente fincou no bairro da Liberdade, em São Paulo, a pedra fundamental do Hospital do Câncer. A APCC - Associação Paulista de Combate ao Câncer havia conseguido, por doações ou compra, dois lotes de terrenos na rua José Getúlio, região repleta de chácaras, próxima à linha de bonde da rua Vergueiro.

Parte do terreno - uma área de 1400 metros quadrados - era um charco onde descansavam cavalos das charretes da chácara Jambeiro Costa, propriedade do casal Leônidas de Castro Mendes e Odylia Jambeiro Costa Mendes - ele, médico da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; ela, neta do Barão de Ibitinga, de quem herdara as terras.

O Hospital do Câncer foi projetado pelo arquiteto modernista Rino Levi, filho de italianos formado em Roma e Milão. De sua prancheta saiu a estrutura com o amplo mezanino sobre o qual se apoiavam 13 andares, e que seria considerado um belo exemplar de arquitetura funcional. Levi projetou janelas que afastassem o sol e o ruído excessivo, e que vistas à distância, depois de construído o hospital, pareceriam pequenas demais para os paulistanos que passavam pela rua.

Nasceu, enfim, em 23 de abril de 1953 o primeiro hospital de São Paulo construído com o dinheiro da população, e a ela destinado, sem ligação a nenhuma instituição de saúde oficial brasileira, sem respaldo financeiro de qualquer organização religiosa, tampouco patrocínio de colônias de imigrantes, como era usual.

O novo hospital trazia a São Paulo o mais avançado conjunto de equipamentos para diagnóstico do câncer. Ofereceria radiografia, endoscopia, anatomia patológica e radioterapia. Havia também seu corpo de cirurgiões, a espinha dorsal do Hospital do Câncer. As cirurgias realizadas por esses médicos e suas equipes, nas cinco salas de operações do Centro Cirúrgico, no 10º andar, espalhariam por todo o prédio os sentimentos de respeito e esperança pela cura do câncer.