Nossa História

Biografias

A história do A.C.Camargo Cancer Center foi contruída com a participação de grandes nomes que dedicaram suas vidas para transformar em realidade o que hoje é considerado um dos três maiores centro de prevenção, tratamento, ensino e pesquisa no mundo.

Conheça a biografia de alguns dos protagonistas dessa trajetória.

 

Antônio Cândido de Camargo Antônio Cândido de Camargo
Antônio Prudente Antônio Prudente
Carmen Annes Dias Carmen Annes Dias
Celestino Bourroul Celestino Bourroul
Fernando Gentil Fernando Gentil
Jorge Fairbanks Jorge Fairbanks
Ricardo Brentani Ricardo Brentani

Antônio Cândido de Camargo

Antônio Cândido de Camargo

Grande mentor do fundador do Hospital do Câncer, Antônio Prudente, o cirurgião Antônio Cândido de Camargo presidiu a Associação Paulista de Combate ao Câncer - embrião do Hospital - até sua morte em 1947.

Desde a fundação da Faculdade de Medicina em 1913 até 1934, Camargo foi professor responsável pela cadeira de clínica cirúrgica - esta é a especialidade que Antônio Prudente seguiria com paixão. O mestre transmitiu ao discípulo os primeiros ensinamentos na área, todo o conhecimento avançado que trouxe dos tempos de estudo em Genebra, na Suíça, e na capital austríaca, Viena.

Camargo pertenceu à equipe de Jacques Reverdin, um dos grandes nomes da cirurgia no século 20. No Brasil, foi pioneiro em neurocirurgia e trouxe importantes contribuições para o tratamento de tumores de cérebro e medula. Em sua homenagem, o Hospital do Câncer passou a se chamar A.C.Camargo.

Antônio Prudente

Antônio Prudente

Antônio Prudente Meireles de Moraes é natural de Piracicaba, interior de São Paulo. Nasceu em 8 de julho de 1906, filho do casal Antônio Prudente de Moraes (sexto filho do 1º Presidente da República civil do país) e Maria França Meireles, a Dona Marieta. 

Antônio, o neto predileto, estava marcado para ser, no mínimo, um Senador da República. Preferiu a Medicina, mais precisamente a oncologia por meio de produção científica em busca da cura do câncer. Essa retrocede à década de 1910, quando era interno do Colégio São Bento, tradicional escola dos monges beneditinos no centro de São Paulo.

Antônio teve um espetacular desempenho escolar no ano de 1919. Nos anais do colégio, seu nome aparece como destaque em simplesmente todas as disciplinas. Mais adiante, teve dois grandes mestres na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde estudou: Celestino Bourroul e Antônio Cândido de Camargo, que desde então sempre estariam ao seu lado.

Antônio Prudente formou-se médico em 1928. Um ano depois defendeu tese sobre fibromiomas uterinos e foi aprovado com louvor. Seguiu em 1929, para Berlim, Alemanha. Queria aprender as novas técnicas cirúrgicas do professor Franz Keysser, um dos grandes nomes do século 20.

Bisturis elétricos. Essa era a síntese da técnica desenvolvida por Keysser e sua equipe. A eletro-cirurgia abriu novas possibilidades de tratamento de tumores até então considerados inoperáveis. A técnica consistia em utilizar não só o bisturi elétrico como também botões e placas elétricas com as quais se conseguia a coagulação dos tecidos tumorais.

Toda a família Prudente acompanhou Antônio em sua viagem. Foram para Berlim seus pais, as quatro irmãs e até uma empregada da casa. Só o irmão mais velho ficou. Já estava casado. Ao voltar da Alemanha, em 1931, Prudente tornou-se assistente de técnica cirúrgica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Mas já demonstrava a tendência a considerar o exercício da medicina como missão, ao assumir o cargo de cirurgião do Departamento Estadual de Lepra. Trabalhou até 1937 como cirurgião plástico no atendimento a pacientes devastados pela hanseníase. 

Sua trajetória contra o câncer começou a tomar forma em 1933, quando uma série de cinco artigos de sua autoria foi publicada no jornal "O Estado de S. Paulo". Os artigos falam da perplexidade diante do mistério sobre a origem do câncer e técnicas de tratamento.

"(...) o câncer é uma moléstia de perfeita curabilidade, quando tratada a tempo" (...) afirmava Antônio Prudente, logo no primeiro artigo da série, publicado em 4 de setembro de 1933. Os fatores essenciais para o sucesso são "a educação do povo" e a necessidade de "diagnóstico precoce".

Um ano depois, em 1934, criou a Associação Paulista de Combate ao Câncer. A entidade teria como objetivos arrecadar recursos para combater o câncer, desenvolver campanhas públicas de educação, propiciar especialização por meio ensino para médicos, enfermeiros, dentistas e assistentes sociais e manter intercâmbio de programas com organizações similares no Brasil e exterior.

O primeiro presidente da APCC foi o antigo mestre de Prudente em cirurgia, Antonio Cândido de Camargo. Juntos, eles organizaram a base da luta contra o câncer. Juntos, começaram a construção do Instituto Central para tratamento dessa doença.

Em um navio, ele partiu em 1938, apenas um ano antes de Hitler invadir a Polônia. Integrava uma comissão de médicos brasileiros que iriam conhecer instalações de saúde germânicas. Na Alemanha, conheceu a jornalista Carmen Annes Dias, 27 anos, filha do chefe da comitiva brasileira que foi para Berlim e médico pessoal do presidente Getúlio Vargas.

Antônio Prudente se encantou com aquela jornalista que falava inglês, francês, alemão, italiano, espanhol. Juntos, fundaram em 23 de abril de 1953 o Hospital do Câncer de São Paulo, no bairro da Liberdade em rua hoje denominada Professor Antônio Prudente.

Carmen Annes Dias

Carmen Annes Dias

Diz a história que o nome Porto Alegre é uma referência à alegria dos primeiros jovens casais açorianos que ali atracaram, por volta de 1750. A menina Carmen, nascida no natal de 1911, era filha de um desses casais pioneiros da capital gaúcha.

A ascendência ilustre e animada devia ser para Carmen motivo de orgulho e responsabilidade. Pois desde os primeiros registros fotográficos, em todas as situações de convívio social que foram registradas em imagens, ela aparece com seu enorme sorriso, ostentado como um enfeite.

Carmen fez da sua união com Antônio Prudente um acontecimento, uma experiência transformadora. Passou a usar o sobrenome Prudente como um estandarte, uma marca da luta contra o câncer.

Ela escreveu 15 livros e cruzou os cinco continentes. Em todo lugar que fosse, proferia palestras perante auditórios categorizados de congressos, sociedades e organizações assistenciais sobre os feitos da Rede Feminina de Combate ao Câncer no Brasil. E todos os seus livros tinham renda revertida para as obras assistenciais do hospital.

Carmen Annes Dias era a segunda entre quatro filhos do casal Heitor Annes Dias e Carolina de Revorêdo. Ele, médico reconhecido no Rio Grande do Sul, clínico pessoal de Getúlio Vargas. Ela era a quase mitológica dama de sociedade, mulher cantada em versos nos pampas, sobrinha do político Júlio de Castilho. Uma morena alta, sorridente, bondosa, que depois de casada ficaria conhecida como Dona Sinhá.

Carmen estudou no Colégio Sevigné, em Porto Alegre. Em casa, as meninas tinham aulas particulares de inglês, francês, alemão, hábito que Carmen nunca abandonaria. Vem daí a paixão pelos idiomas. Ela era fluente em espanhol, italiano, inglês, francês e alemão. Já adulta, aprendeu a falar russo e japonês.

A família se mudou para o Rio em 1934, acompanhando o pai, que já estava na antiga capital federal, como médico pessoal do presidente Getúlio Vargas. Durante o Estado Novo, foram morar no bairro do Flamengo, próximo ao Palácio do Catete. 

No Rio, Carmen trabalhava como secretária do pai, Heitor Annes Dias. Também atuava como jornalista para "A Gazeta", dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Como secretária, Carmen se dividia entre as viagens com o pai e o trabalho no consultório. Heitor Annes Dias dava aulas na Universidade Federal do Rio de Janeiro e escreveu vários livros em sua área. Era clínico geral.

Foi numa das viagens com o pai, a Berlim em 1938, que conheceu o médico Antonio Prudente Meirelles de Moraes. À primeira vista, como contou às irmãs, achou-o antipático e grandalhão. Casaram-se dois meses depois, na igreja do Rosário, Rio de Janeiro.

Em São Paulo, o casal Prudente foi morar numa casa na rua Rodrigues Alves, no Paraíso. Casada, Carmen mudou de patrão. De secretária do pai, passou a auxiliar do marido. Ela não teve filhos. Seu carisma e dedicação em prol do combate ao câncer conquistavam a todos.

Reconhecida internacionalmente por seu trabalho, Carmen recebeu em 1980, na Itália, o Prêmio Saint-Vincent de a "Mulher do Ano". Morreu em 3 de junho de 2001 e desde 2003 nomeia um Complexo Ambulatorial do A.C.Camargo especialmente voltado às mulheres em tratamento de tumores de mama e ginecológicos.

Celestino Bourroul

Celestino Bourroul

O médico e professor Celestino Bourroul, então vice-presidente do Conselho Social da Associação Paulista de Combate ao Câncer - embrião do Hospital do Câncer - assumiu a presidência da entidade em 1947, logo após a morte do então presidente Antonio Cândido de Camargo.

Bourroul foi também mestre fundador da Faculdade de Medicina, em 1913 e assumiu a cadeira de História Natural Médica. Um ano depois, tornou-se chefe da cátedra de Parasitologia. Como professor, Bourroul tinha atitudes consideradas folclóricas. Trazia sempre à mão seu famoso caderno de anotações, com nome e fotografia de cada aluno.

Durante toda sua trajetória como médico chefiou a Medicina de Homens da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, onde, a cada manhã, examinava doente por doente de seu departamento naquele hospital.  Afável e despretensioso, Bourroul manteve até o fim de sua vida um hábito que dava muita alegria a Antônio Prudente. Sabendo o quanto o mestre gostava de rir, Prudente trazia sempre uma piada engatilhada acaso o encontrasse. E Bourroul sempre que o via, cobria o rosto com o braço, antecipando a risada que viria.

Celestino Borrou nomeia a Escola de Cancerologia do A.C.Camargo Cancer Center, pioneira na implementação do 1º programa de Residência Médica em Oncologia no Brasil. Nascida em 1953, já formou mais de mil oncologistas - meta atingida em 2010 - que atuam espalhados pelo Brasil e em países como Argentina, Bolívia, China, Colômbia, El Salvador, Equador, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.

Fernando Gentil

Fernando Gentil

Fernando Gentil nasceu em 1920, numa abastada família de nove irmãos. Seu pai era um dos donos do Banco Frota & Gentil. Aos 16 anos, foi morar no Rio de Janeiro, onde cursou Medicina na Universidade Federal. Formou-se aos 21 anos. Nos anos 40, durante a Segunda Guerra Mundial, seguiu para os Estados Unidos e se especializou no Memorial Sloan-Kettering, de Nova Iorque. Lá, foi assistente até 1949 de George T. Pack, uma das maiores autoridades em cirurgia oncológica e um dos primeiros a acreditar na quimioterapia como forma de combate ao câncer.

Gentil retornou ao Brasil no final da década de 1940 e atuou como cirurgião no Hospital do Servidor Público, do Rio de Janeiro, até ser convidado por Antônio Prudente para chefiar o Departamento de Cirurgia Pélvica do A.C.Camargo Cancer Center.

Em meados dos anos 70, o cirurgião Fernando Gentil propôs uma cirurgia conservadora para o câncer da mama, que consistia em remover do lado do tumor, a glândula mamária, sempre que possível preservando-se o complexo areolomamilar associada à linfadenectomia axilar e do lado oposto removia-se a glândula, preservando-se o complexo areolopapilar. Na reconstrução foram usadas próteses de silicone colocadas abaixo dos músculos peitorais. Os resultados estéticos deste procedimento são extremamente gratificantes, quando comparados à mastectomia radical.

Cinco anos depois, ao apresentar os primeiros resultados desta cirurgia em uma reunião científica no próprio A.C.Camargo, onde estavam presentes Umberto Veronesi, de Milão; Urbam, do MSKCC, Adair Eiras, do INCA e José B.S.Neto, do A.C.Camargo, defensores da cirurgia de Halsted - a cirurgia radical das mamas - Gentil foi deselegantemente criticado por eles. Mais tarde, recorda-se o oncologista Ademar Lopes, que trabalhou com Fernando Gentil e assumiu a direção da Cirurgia Pélvica após sua morte, os mesmos colegas começaram a adotar um procedimento cirúrgico até mais conservador, que é a quadrantectomia associada ao esvaziamento axilar.

Fernando Gentil foi um dos primeiros brasileiros a ter um treinamento formal em Cirurgia Oncológica, sob a forma de Residência Médica. Cearense de origem, se graduou pela Universidade Federal do Rio de Janeiro numa época em que o aluno do sexto ano, auxiliado pelos professores, provavelmente fazia mais cirurgias que faz um concluinte do programa de Residência Médica nos dias atuais.

Gentil, ao morrer em 1989, tinha mais de quatrocentos casos de cirurgia conservadora para o câncer de mama, representando assim, um marco na história deste tipo de cirurgia. Os primeiros sessenta casos desta cirurgia estão publicados no Journal of Surgical Oncology,14: 173-93 (1980). Ele nomeia um Complexo Ambulatorial direcionado ao tratamento de tumores como próstata, pênis, bexiga, estômago, intestino, esôfago, dentre outros.

Jorge Fairbanks

Jorge Fairbanks

Jorge Fairbanks Barbosa nasceu em 1915, em São Simão, interior de São Paulo. Filho e irmão de médicos é o cirurgião criador da especialidade de Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Brasil, implantada por ele a partir de 1952, quando o A.C.Camargo Cancer CEnter ainda nem tinha sede própria, e funcionava como Instituto Central do Câncer no Hospital Santa Cruz, em São Paulo.

O sobrenome Fairbanks pertence a uma imemoriável linhagem de desbravadores. Estava na lista de 31 passageiros do Mayflower, legendária embarcação que deixou a Inglaterra para aportar nos Estados Unidos. Quase dois séculos depois, em 1825, um norte-americano descendente dos pilgrims, George Edward Fairbanks, desembarcava no Brasil. Era um médico que na Bahia integrou o Conselho de Salubridade Pública.

Jorge diplomou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1939. Otorrinolaringologista, foi um dos primeiros médicos a realizar cirurgias para surdez em São Paulo. Nada se compararia, no entanto, ao êxito alcançado por Fairbanks no Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, que chefiou de 1953 a 1968, no então Hospital do Câncer. A padronização das técnicas operatórias na especialidade não existia. Fairbanks as criou.

Fairbanks publicou mais de cem trabalhos em revistas e livros técnicos de vários países. Entre as publicações no Brasil e exterior, destacam-se "Tratamento Cirúrgico dos Tumores de Cabeça e Pescoço", editado por Grune & Stratton, em Nova Iorque em 1974, então um tratado definitivo sobre as cirurgias na especialidade; e "Esvaziamentos Cervicais e Seus Problemas", do Fundo Editorial Prócienx, 1962.

Fundou em 1967 a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, tendo sido seu primeiro presidente. Era membro da Associação Paulista de Medicina; membro titular da Academia de Medicina de São Paulo; fellow of the International College of Surgeons; presidente do Departamento de ORL da Associação Paulista de Medicina; foreign corresponding member of The Society of Head and Neck Surgeons; fellow du College International des Cirurgiens (França).

Em julho de 1977, após sofrer uma cirurgia no coração, Jorge Fairbanks Barbosa desenvolveu o chamado "pulmão de choque", uma complicação pós-operatória fatal naqueles tempos. Passou uma semana inteira na UTI, lúcido, escrevendo bilhetes, pensando em discutir soluções para o seu caso com os médicos de plantão. Daquela vez não foi possível. Morreu aos 62 anos, no dia 4 de agosto de 1977. Em sua homenagem, o A.C.Camargo Cancer Center abriga um Complexo Ambulatorial com seu nome, voltado principalmente ao tratamento de tumores de cabeça e pescoço.

Ricardo Brentani

Ricardo Brentani

Presente na vida acadêmica e científica internacional desde o início dos anos 60, quando aos 25 anos assinou um artigo na prestigiosa revista Nature e introduziu no Brasil os estudos sobre o RNA, por orientação do Professor Isaías Raw, Brentani tem cerca de 300 estudos publicados nas principais revistas do mundo. Foi o primeiro Professor Titular de Oncologia da Faculdade de Medicina da USP, cadeira que criou em 1980 e dirigiu até 2007, quando se tornou Professor Emérito da instituição. Nos últimos sete anos presidiu a FAPESP, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Mas o que fazia seus olhos brilharem era o fato de ter transformado o A.C.Camargo Cancer Center no principal centro de ensino, ciência e assistência ao câncer no país. O mais importante centro formador na área, fora da universidade pública, numa instituição privada, filantrópica por vocação.

Saiba mais sobre o Professor Ricardo Brentani